Viajar aos Estados Unidos exige preparo redobrado em 2026. A fiscalização de fronteiras se tornou mais rigorosa nos últimos anos, com agentes do Customs and Border Protection (CBP) inspecionando bagagens, dispositivos eletrônicos e até redes sociais de viajantes. Pequenos descuidos – como uma cartela de remédio sem prescrição ou um alimento proibido – podem resultar em detenção, deportação ou banimento por anos. Este guia reúne as regras atuais da Transportation Security Administration (TSA), Food and Drug Administration (FDA), United States Department of Agriculture (USDA) e CBP para que sua chegada ocorra sem incidentes.
Medicamentos na bagagem
Nem todo remédio vendido livremente fora dos EUA é aceito em território americano. Substâncias controladas como opioides (Tramal, Codeína, Oxicodona) e ansiolíticos (Diazepam, Rivotril) exigem prescrição médica em inglês e, em alguns casos, autorização prévia da Drug Enforcement Administration (DEA). A Dipirona (metamizol), popular em diversos países, é proibida nos EUA desde 1977 por risco de agranulocitose, e a FDA nunca reintroduziu o medicamento no mercado.
Para visitantes temporários
Estrangeiros em visita temporária podem trazer seus próprios medicamentos, desde que acompanhados de receita válida ou atestado médico em inglês. O CBP recomenda manter o remédio na embalagem original com bula impressa. Se a embalagem original não estiver disponível, leve cópia da prescrição ou carta do médico explicando a condição clínica.
A regra geral é não exceder o suprimento para 90 dias, período máximo permitido para a maioria dos vistos de visitante. Estadias mais longas podem exigir importação por correio com documentação comprobatória: cópia do passaporte e visto, carta médica e prescrição em inglês.
Para cidadãos americanos
Cidadãos dos EUA devem viajar apenas com medicamentos prescritos por médico licenciado nos Estados Unidos ou obtidos legalmente no país. Em geral, é ilegal que um cidadão americano importe remédios comprados no exterior para uso pessoal – mesmo versões estrangeiras de produtos aprovados pela FDA. Existem exceções restritas previstas no capítulo 9-2 do Manual de Procedimentos Regulatórios da agência, mas elas exigem documentação específica.
Antes de embarcar
- Leve apenas a quantidade necessária para a viagem;
- Verifique o princípio ativo no site da DEA antes de embarcar;
- Para substâncias controladas, considere solicitar autorização prévia à DEA ou FDA;
- Em caso de medicamento sem alternativa viável, consulte médico nos EUA para emitir prescrição local antes da viagem.
Dispositivos médicos e itens sensíveis
Pacientes que utilizam próteses, sutiãs pós-cirúrgicos ou dispositivos integrados ao corpo têm direitos específicos durante a inspeção aeroportuária. Esses itens são reconhecidos como necessidade médica e não precisam ser removidos no raio-x. Informe o agente da TSA antes da revista para que uma verificação alternativa seja conduzida.
Quem usa óculos ou lentes de contato deve levar par reserva e cópia da receita oftalmológica, útil caso seja preciso comprar reposição no destino.
Cosméticos e líquidos
A Regra 3-1-1 da TSA é o ponto de partida para qualquer líquido na bagagem de mão. Cada frasco deve ter no máximo 100 ml, todos acondicionados em uma única sacola transparente com fecho e capacidade aproximada de 1 litro. Cada passageiro pode levar uma sacola.
Bagagem de mão
Permitido: hidratantes, maquiagem líquida, bases, perfumes, desodorante em gel – todos em frascos de até 100 ml. Cosméticos sólidos (batom, pó compacto, blush em bastão, shampoo em barra) não estão sujeitos à regra.
Proibido: frascos maiores que 100 ml, mesmo parcialmente cheios; aerossóis inflamáveis com alta concentração de álcool; cosméticos fora da sacola transparente.
Bagagem despachada
Não há limite rígido de quantidade. Cosméticos em frascos grandes, desodorantes roll-on e sprays sem álcool são permitidos. Aerossóis inflamáveis e frascos mal vedados continuam vetados.
Alimentos e bebidas
O USDA proíbe a entrada de produtos que possam comprometer a agricultura ou saúde pública americana. Carnes frescas, frutas e vegetais não inspecionados, mel não vedado e sementes específicas são frequentemente confiscados na alfândega.
Bagagem de mão
Líquidos e alimentos pastosos (iogurte, geleia, molhos) seguem a Regra 3-1-1. Bebidas não alcoólicas só podem ser embarcadas se compradas após o ponto de inspeção de segurança. Leite materno e fórmula infantil são exceções e podem ultrapassar 100 ml, desde que declarados ao agente.
Bagagem despachada
Permitidos: alimentos industrializados (biscoitos, enlatados, café em grão, chocolate) e bebidas não alcoólicas bem acondicionadas. Vetados pelo USDA: carnes frescas, frutas e vegetais sem certificado fitossanitário, queijos artesanais, iogurtes caseiros e mel não selado.
Bebidas alcoólicas
Na bagagem de mão, miniaturas de até 100 ml seguem a Regra 3-1-1. Compras feitas no duty-free após a inspeção devem permanecer no saco selado e lacradas até o destino final, com nota fiscal visível.
Na bagagem despachada, bebidas com teor entre 24% e 70% de álcool podem ser transportadas até o limite de 5 litros por passageiro. Bebidas acima de 70% são consideradas material inflamável e estão proibidas. Alguns estados americanos possuem leis próprias sobre importação de álcool – consulte as regras locais antes de viajar.
Bagagem de mão versus bagagem despachada
Bagagem de mão em voos para os EUA
Permitidos: líquidos em frascos de 100 ml na sacola 3-1-1, alimentos infantis e leite materno em quantidade razoável (com declaração), medicamentos com receita em inglês, cosméticos sólidos, eletrônicos como laptops e tablets.
Proibidos: líquidos acima de 100 ml fora do duty-free selado, carnes e frutas frescas, objetos pontiagudos como facas e tesouras com lâmina maior que 6 cm, ferramentas, isqueiros adicionais (apenas um comum é permitido).
Bagagem despachada em voos para os EUA
Permitidos: líquidos em qualquer quantidade, alimentos industrializados, ferramentas, bebidas alcoólicas dentro dos limites de teor e volume.
Proibidos: carnes frescas ou não inspecionadas, frutas e sementes sem certificado fitossanitário, laticínios não industrializados, produtos falsificados, armas brancas, substâncias controladas (incluindo maconha, ainda que legalizada em alguns estados sob legislação local – a lei federal continua válida na fronteira).
Baterias de lítio
Baterias de lítio removíveis não podem viajar na bagagem despachada por risco de superaquecimento. Quando integradas a um dispositivo (laptop, câmera), o equipamento pode ser despachado, mas a recomendação oficial é levá-lo na bagagem de mão para resposta rápida em caso de incidente.
Revista de bagagem e dispositivos eletrônicos
O CBP tem autoridade para inspecionar malas e dispositivos eletrônicos – incluindo celulares, laptops e tablets – sem necessidade de mandado judicial nos pontos de entrada. A fiscalização de redes sociais e mensagens privadas se intensificou nos últimos anos, e conversas que sugiram intenção de trabalhar sem autorização, permanecer além do permitido ou abrir empresa em status incompatível com o visto podem motivar inspeção secundária e até negação de entrada.
Para reduzir riscos, mantenha documentos que comprovem o motivo declarado da viagem: reservas de hospedagem, passagens de retorno, vínculos com o país de origem, comprovantes de renda e itinerário. Evite mensagens, e-mails ou postagens que possam ser interpretados como inconsistentes com a finalidade do visto declarado.
Free shops e exceções
Produtos líquidos comprados em free shops na área de embarque podem ultrapassar os limites padrão na bagagem de mão, desde que estejam em sacos plásticos selados, com nota fiscal visível e data de compra coincidindo com a do voo. Essa flexibilidade não se aplica a líquidos adquiridos fora do aeroporto. Em conexões internacionais com novo ponto de inspeção, a sacola lacrada deve permanecer fechada e a nota fiscal acessível.
Os agentes da TSA e do CBP têm autonomia para confiscar qualquer item considerado inadequado, mesmo que tecnicamente permitido. Antes de embarcar, consulte a página oficial What Can I Bring? da TSA e as regras específicas da companhia aérea, pois limites de peso e franquia variam entre transportadoras.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.