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Deportações dos EUA em 2026: Recordes e Realidade Global

O ICE bateu recorde de remoções em 2025 e 2026. Entenda os números por nacionalidade, como funciona a remoção, direitos do detido e os caminhos legais para quem está sob risco.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
6 min de leitura
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Deportações dos EUA em 2026: Recordes e Realidade Global

O número de pessoas removidas dos Estados Unidos atingiu patamares inéditos no ciclo iniciado em 2025. Dados consolidados pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) e pelo Department of Homeland Security (DHS) mostram que o ritmo de voos fretados de deportação se intensificou de forma sustentada após a posse do presidente Donald Trump em janeiro de 2025, e essa tendência permaneceu firme ao longo de 2026, redesenhando o cenário para comunidades indocumentadas de dezenas de países.

Até o fim de 2025, o ICE registrou mais de 270 mil remoções formais, o maior volume anual desde 2014. O salto não é fruto de uma única política. Reflete a combinação de ordens executivas assinadas no início de 2025, o restabelecimento da remoção expedita em todo o território nacional, o fim de programas de parole humanitário, a ampliação do orçamento operacional do ICE pelo One Big Beautiful Bill Act e a retomada de acordos bilaterais que viabilizam voos charter para mais de 40 destinos.

O recorde por nacionalidade

Segundo o Office of Homeland Security Statistics, o ranking de remoções pelo ICE no ano fiscal de 2025 é dominado pela América Latina, mas com presença relevante de países asiáticos, africanos e europeus. As dez nacionalidades mais deportadas concentram cerca de 85% do total.

Top 10 do ano fiscal de 2025: México (38%), Honduras (14%), Guatemala (13%), El Salvador (7%), Brasil (4%), Equador (3%), Colômbia (3%), Nicarágua (2%), República Dominicana (2%) e Venezuela (2%). Fora desse grupo, destacam-se aumentos expressivos para cidadãos da Índia, China, Romênia, Haiti, Senegal e Mauritânia, refletindo as novas rotas de migração irregular pela fronteira sul.

O acumulado entre 2021 e 2024, durante a administração Biden, ficou em torno de 760 mil remoções globais. O ritmo atual indica que o ciclo 2025-2028 deve ultrapassar 1,2 milhão de remoções, refletindo a prioridade declarada do DHS de elevar deportações diárias e a meta operacional de mil remoções por dia.

Como funciona uma operação de remoção

O ICE é a agência federal responsável pela execução das ordens de remoção emitidas por juízes da Executive Office for Immigration Review (EOIR). Após a ordem final, o estrangeiro é encaminhado a um centro de detenção federal ou a uma instalação contratada pelo ICE Air Operations, divisão que coordena o transporte aéreo a partir de hubs em Alexandria (Louisiana), Mesa (Arizona) e San Antonio (Texas).

Antes de embarcar, o detido recebe o Form I-862 (Notice to Appear) ou, em casos de remoção expedita sob INA §235(b)(1), o Form I-860 (Notice and Order of Expedited Removal). A remoção expedita dispensa audiência perante juiz de imigração e pode ser aplicada a qualquer estrangeiro detido em qualquer ponto do território com menos de dois anos de presença comprovada, regra ampliada por diretiva do DHS em 2025.

Quem está prioritariamente sujeito à remoção

As diretrizes operacionais publicadas pelo DHS em 2025 eliminaram a hierarquia de prioridades estabelecida pelo memorando Mayorkas de 2021. Hoje, qualquer pessoa sem status legal pode ser detida, incluindo aqueles com longa permanência, vínculos familiares com cidadãos americanos e ausência de antecedentes criminais.

Os grupos com maior exposição imediata incluem indivíduos com ordem final de remoção previamente emitida, pessoas com violação de I-94, beneficiários encerrados de TPS e parole, indocumentados detidos em operações ICE e CBP em locais de trabalho e estrangeiros abordados em check-ins regulares de supervisão. Operações conjuntas de ICE-CBP em rodovias do interior do Texas, Califórnia e Geórgia também ampliaram o alcance das prisões.

Direitos do detido e devido processo

Apesar da intensificação operacional, garantias constitucionais e tratados consulares permanecem aplicáveis. Todo estrangeiro detido pelo ICE tem direito ao due process previsto na 5ª Emenda, ao contato com o consulado de seu país conforme a Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963, e à representação legal por advogado particular, ainda que não exista direito a defensor público no processo de imigração.

É possível solicitar bond hearing perante juiz de imigração, salvo em casos de detenção mandatória sob INA §236(c). Também pode ser apresentado pedido de cancelamento de remoção (cancellation of removal), asilo sob INA §208, retenção de remoção (withholding) sob §241(b)(3), proteção sob a Convenção contra Tortura ou ajustamento de status quando há base elegível.

Reabertura e moção de stay

Estrangeiros com ordem antiga podem, em circunstâncias específicas, requerer motion to reopen junto à corte de imigração ou ao Board of Immigration Appeals. Mudanças de circunstâncias no país de origem, novos elementos probatórios ou erros processuais podem fundamentar a reabertura. Um pedido de stay of removal junto ao ICE também pode suspender temporariamente a deportação durante a análise.

Consequências de longo prazo

Uma remoção formal acarreta inadmissibilidade nos termos da INA §212(a)(9). A primeira remoção gera proibição de reentrada por dez anos. Reentradas após remoção podem desencadear bar permanente sob §212(a)(9)(C), exigindo waiver complexo após dez anos fora dos EUA.

Para reverter o quadro, o estrangeiro pode solicitar Form I-212 (Application for Permission to Reapply for Admission) somado, em muitos casos, ao waiver I-601 ou I-601A para inadmissibilidade por presença ilegal. A análise é discricionária e depende de comprovação de extreme hardship a familiar qualificado nos EUA.

Impactos práticos no país de origem

O retorno forçado interrompe vínculos profissionais, contratos de moradia e redes de apoio construídas ao longo de anos. Famílias enfrentam custos imediatos com transporte interno, documentação reemitida, acesso a saúde mental e reinserção no mercado de trabalho. Programas de acolhimento variam radicalmente entre países: México e El Salvador mantêm centros de recepção estruturados, enquanto vários países africanos e caribenhos têm pouca ou nenhuma rede formal.

Para quem ainda está nos EUA, o cenário de 2026 reforça a importância de avaliação migratória profissional. Vias legais permanentes, vistos baseados em emprego como EB-1, EB-2 NIW e EB-3, family-based, asilo, U visa, T visa e VAWA continuam disponíveis e podem regularizar situações que, mantidas no limbo, levam à detenção e remoção.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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