Um dos pilares do visto E-2, categoria destinada a investidores de países com tratado de comércio e navegação com os Estados Unidos, é o chamado capital em risco: os recursos aplicados precisam estar plenamente comprometidos com o negócio, sujeitos a perda parcial ou total caso a empresa não prospere. É justamente por isso que muitos investidores internacionais escolhem comprar uma franquia. Ao entrar num modelo de negócio já testado, com marca reconhecida e operação padronizada, reduz-se parte da incerteza — e ganha-se um argumento poderoso diante do oficial consular.
Por que franquias atraem
Franquias não são livres de risco e exigem pesquisa séria, mas a reputação estabelecida da marca funciona como um sinal de solidez. Investir numa rede que já teve sucesso em várias regiões comunica ao oficial que analisa o caso que o empreendimento tem chances reais de gerar lucro e empregos.
Além da marca, as franquias entregam modelos operacionais prontos, programas de treinamento e redes de suporte que tornam a entrada num mercado novo muito mais acessível para quem vem de fora. E, com o histórico de dezenas de unidades para servir de referência, projetar crescimento, receita e criação de postos de trabalho vira uma tarefa mais concreta e defensável.
Ainda assim, nenhuma marca é garantia. Redes consolidadas já viram unidades fracassarem e fecharem quando o franqueado subestimou o mercado local. Por isso, mesmo dentro de uma franquia, desenvolver um plano de negócios adaptado ao território específico é indispensável: cada praça tem custos, concorrência e demanda próprios.
Quanto custa uma franquia
O custo varia amplamente conforme o setor e a localização. As franqueadoras costumam publicar um Franchise Disclosure Document, documento que detalha custos esperados, taxas iniciais, royalties e obrigações contratuais — leitura obrigatória antes de qualquer decisão.
Há opções acessíveis, em geral na faixa de US$ 80 mil a US$ 200 mil, compatíveis com um pedido de E-2 bem estruturado. Os segmentos mais comuns incluem:
- Alimentação e bebidas: restaurantes, bares, cafés, casas de smoothies e sorveterias.
- Saúde e fitness: academias, spas, estúdios de treino e de personal training.
- Serviços empresariais: centros de envio e impressão, marketing e publicidade, limpeza e zeladoria.
- Automotivo: oficinas de reparo e freios, pneus, película e estética, troca de óleo e manutenção.
- Cuidado pessoal e pet: salões de beleza e barbearias, creches, hospedagem e banho e tosa.
Vale um alerta: o valor da franquia não é o único desembolso. Capital de giro, aluguel, adequação do ponto, estoque inicial e reservas para os primeiros meses precisam entrar na conta — e é o conjunto que o consulado avalia como investimento comprometido.
As taxas do visto E-2
Além do investimento no negócio, há as taxas do próprio processo de visto, atualizadas para 2026:
- Quem aplica de fora dos EUA, via consulado, paga a taxa MRV do DS-160, de US$ 315 por requerente — valor que também se aplica ao cônjuge e a cada filho dependente.
- Quem faz mudança de status dentro dos EUA protocola o Formulário I-129. Com o novo cronograma de taxas do USCIS, o total é de US$ 810 para pequenos empregadores (25 ou menos funcionários em tempo integral, faixa em que a maioria das novas franquias se enquadra) e de US$ 1.615 para os demais. Esses valores já incluem a Asylum Program Fee.
- Dependendo da nacionalidade, ainda pode incidir uma taxa de reciprocidade na emissão do visto, que varia de zero a alguns milhares de dólares.
Requisitos do investidor
- Ser nacional de um país com tratado E-2 em vigor com os Estados Unidos — a lista reúne cerca de 80 países.
- Exercer papel ativo na empresa: participar de fato do dia a dia da operação, não como investidor passivo.
- Deter, no mínimo, 50% de participação no negócio ou controle operacional por meio de posição gerencial ou de outro instrumento societário.
- Comprovar que os fundos investidos têm origem lícita, sem qualquer vínculo, direto ou indireto, com atividade criminosa.
O plano de negócios importa
Ainda que a franquia traga projeções da rede, o consulado quer ver um plano localizado e realista para aquela unidade específica. Casos aprovados costumam apoiar-se em análises de mercado consistentes — densidade populacional, perfil de consumo, concorrência na região — para sustentar projeções de receita e de criação de empregos ao longo de cinco anos. Investimentos na casa dos US$ 100 mil, quando bem documentados e amarrados a números defensáveis, têm sido aprovados; o que pesa não é apenas o valor, mas a coerência entre o capital aplicado, o modelo do negócio e a expectativa de retorno.
A franquia, no fim, é um atalho — não um passe livre. Ela reduz a curva de aprendizagem e reforça a narrativa de viabilidade, mas a aprovação do E-2 continua dependendo de recursos genuinamente em risco, de um investidor presente na gestão e de um plano que faça sentido para o mercado onde a operação vai nascer.
Aprenda mais sobre o E-2
- Tipo
- Não-imigrante
- Validade inicial
- 2-5 anos
- Extensão
- Ilimitada (2 anos/vez)
- Processo
- 1-4 meses
Sobre o autor
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.