Conseguir uma vaga de entrevista consular virou, em muitos países, o gargalo mais demorado de todo o processo de visto americano — em alguns consulados, a espera ultrapassa um ano. A partir de 1º de julho de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos passou a testar uma saída paga para esse gargalo: mediante uma taxa adicional de 750 dólares, certos solicitantes de vistos de turismo e de negócios podem garantir uma entrevista antecipada. Há, porém, uma ressalva que precisa ficar clara desde a primeira linha: pagar pela entrevista mais rápida não aumenta em nada a chance de aprovação.
O que é o programa
Batizado informalmente de U.S. Visa Fast Track, é um programa-piloto com prazo definido: vigora de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026. Ele se aplica a solicitantes dos vistos B-1 (negócios) e B-2 (turismo), inclusive na forma combinada B-1/B-2.
Quem for elegível e optar pelo serviço garante o agendamento de uma entrevista em prazo curto — em torno de dez dias úteis — em vez de esperar meses na fila comum. O piloto tem capacidade estimada em cerca de 25 mil pedidos e estará disponível apenas em embaixadas e consulados selecionados, cuja lista o Departamento de Estado divulga separadamente. Por ser limitado, nem todo solicitante terá acesso à vaga acelerada.
Quanto custa e o que cobre
A taxa acelerada de 750 dólares é opcional e se soma à taxa padrão de solicitação de visto, que é de 185 dólares. Somadas, elas levam o custo total a 935 dólares.
Dois pontos merecem destaque. Primeiro, a taxa de 750 dólares é não reembolsável, independentemente do desfecho: o valor não volta se o solicitante faltar à entrevista, cancelar ou tiver o visto negado. Segundo, o que se compra é exclusivamente o agendamento mais rápido — a taxa não acelera as verificações de segurança nem a análise que vem depois da entrevista.
Pagar não garante o visto
Esse é o mal-entendido mais perigoso em torno do programa. A taxa premium dá acesso a uma entrevista mais cedo — e nada além disso. O solicitante ainda precisa cumprir todos os requisitos legais e convencer o oficial consular de que se qualifica para o visto pretendido.
Os mesmos critérios de elegibilidade, as mesmas exigências de documentação e o mesmo padrão de avaliação continuam valendo. Em outras palavras, é possível pagar quase mil dólares e, ainda assim, receber uma recusa se o caso não sustentar os requisitos. A velocidade da entrevista não substitui a solidez do pedido.
Por que o programa surgiu
A motivação declarada é o acúmulo persistente de pedidos de entrevista mundo afora. Em muitos consulados, a espera dificulta viagens com data marcada — reuniões de negócios, eventos esportivos, conferências internacionais, emergências familiares e turismo.
O Departamento de Estado cita explicitamente dois grandes eventos como pano de fundo: a Copa do Mundo de 2026, sediada em parte nos Estados Unidos, e os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. Ambos devem gerar picos de demanda por vistos de visitante, e a opção paga é apresentada como uma válvula de escape para quem tem viagem urgente e está disposto a pagar pela conveniência.
A alternativa gratuita continua
Vale registrar que o pedido de agendamento acelerado por motivo de urgência — o expedite request tradicional, sem custo adicional — não deixa de existir. Ele depende, porém, da avaliação caso a caso do consulado e da justificativa apresentada, e não oferece a previsibilidade da vaga garantida do novo programa pago. Para quem tem uma emergência genuína e documentável, essa via gratuita pode ainda ser a mais adequada antes de recorrer à taxa de 750 dólares.
Quem pode se beneficiar
Para viajantes com compromissos de negócios inadiáveis, eventos familiares ou planos sensíveis ao tempo, a entrevista antecipada pode ter valor real. Ainda assim, vale ponderar se o custo extra compensa, sobretudo porque a vaga é limitada, a taxa não volta e as exigências de elegibilidade permanecem intactas.
Também é importante lembrar que o programa é um piloto: se funcionar, pode se tornar permanente; se não, pode ser encerrado ao fim de 2026. Críticos apontam ainda que um sistema pago de prioridade pode criar vantagem para quem tem mais recursos, e que o aumento de custos poderia desencorajar visitantes internacionais.
Prepare o caso, não só a data
Para a maioria dos solicitantes, uma boa preparação vale mais do que a entrevista mais cedo possível. Antes de comparecer ao consulado, o solicitante deve preencher todos os formulários com precisão, demonstrar vínculos fortes com o país de residência, reunir a documentação de apoio adequada, explicar com clareza o propósito da viagem e manter total consistência entre o que declarou no formulário DS-160 e o que dirá na entrevista.
A regra de ouro permanece: uma entrevista mais rápida não substitui um caso bem construído. Para quem tem tempo, investir na qualidade do pedido tende a ser mais decisivo do que pagar para adiantar a data.
Aprenda mais sobre o B-1/B-2
- Validade
- Até 6 meses
- Extensão
- Possível (até 6 meses)
- Trabalho
- Não permitido
- Processo
- 2-8 semanas
Sobre o autor
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.