Conseguir uma entrevista de visto de visitante nos Estados Unidos pode significar meses de espera em alguns consulados — e, a partir de julho de 2026, existe uma forma paga de furar essa fila. O Departamento de Estado criou uma taxa de US$ 750 que garante ao solicitante de visto B-1/B-2 um agendamento de entrevista em até dez dias úteis, em postos consulares selecionados. A medida é temporária, opcional e vem cercada de condições que todo aplicante precisa entender antes de pagar.
O que a nova taxa cobre
A cobrança de US$ 750 foi estabelecida por uma regra final temporária publicada no Federal Register em 9 de junho de 2026. Ela vale de 1º de julho a 31 de dezembro de 2026 e funciona como um adicional à taxa padrão de solicitação do visto de não-imigrante — ou seja, você paga a tarifa normal do B-1/B-2 e, por cima, os US$ 750 pelo agendamento acelerado.
Em troca, o solicitante garante uma data de entrevista dentro de dez dias úteis, em vez de esperar semanas ou meses pela próxima vaga disponível. O programa é um piloto com capacidade projetada de cerca de 25 mil agendamentos acelerados, oferecidos em quantidade limitada e apenas em alguns postos no exterior.
O que a taxa não garante
Aqui mora o ponto mais importante e mais mal compreendido da medida: pagar os US$ 750 acelera apenas o agendamento da entrevista, não a aprovação do visto nem o processamento posterior. O solicitante continua sujeito a todas as regras de elegibilidade e a qualquer processamento administrativo que o consulado julgue necessário.
Em termos práticos, a taxa compra uma data mais próxima na agenda e a devolução do passaporte com o visto, se aprovado e conforme a disponibilidade. Ela não elimina a entrevista, não dispensa a checagem de antecedentes e não oferece nenhuma vantagem na decisão do oficial consular. Quem cair em administrative processing — aquela análise adicional que pode durar semanas — não terá tratamento prioritário por ter pago.
Por que o programa surgiu
A criação da taxa responde a dois problemas simultâneos: filas consulares longas em vários países e a proximidade de grandes eventos que devem inflar a demanda por vistos de visitante. A Copa do Mundo de 2026, sediada em parte nos Estados Unidos, e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028 pressionam o sistema consular e ajudam a explicar o caráter temporário e experimental da medida.
Ao oferecer um canal premium pago, o Departamento de Estado tenta aliviar o gargalo para quem tem urgência real e, ao mesmo tempo, gerar receita. O período de comentários públicos sobre a regra foi encerrado em 9 de julho de 2026, o que significa que os termos aqui descritos são os que estão em vigor agora.
Para quem faz sentido pagar
O agendamento acelerado tende a valer a pena para um perfil específico de viajante: quem precisa entrar nos Estados Unidos em prazo curto por motivo de negócios, tratamento médico, evento familiar urgente ou compromisso profissional inadiável, e enfrenta um consulado com fila longa. Para esse grupo, dez dias úteis podem ser a diferença entre viabilizar a viagem ou perdê-la.
Já para quem planeja a viagem com meses de antecedência, ou solicita o visto em um posto com pouca espera, a taxa dificilmente se justifica. Vale checar o tempo médio de agendamento no consulado de origem antes de decidir — em muitos postos, a fila padrão já é curta o suficiente para tornar o adicional de US$ 750 desnecessário.
Como se preparar mesmo assim
Pagar pela via acelerada não muda a preparação de fundo. O solicitante ainda precisa preencher corretamente o formulário DS-160, reunir os documentos que comprovem o vínculo com o país de origem e demonstrar a intenção de retornar ao fim da estadia. O visto de turismo e negócios continua sendo concedido a critério do oficial consular, que avalia o propósito da viagem e o risco de imigração.
Por ser uma medida temporária, com vigência marcada para terminar em 31 de dezembro de 2026, o programa pode não ser renovado — ou pode mudar de formato após a fase piloto. Quem pretende usá-lo deve confirmar, no momento da solicitação, se o posto consular de interesse está entre os que oferecem o serviço e se ainda há vagas dentro da cota limitada. A via rápida existe, mas continua sendo exceção, não regra.
Aprenda mais sobre o B-1/B-2
- Validade
- Até 6 meses
- Extensão
- Possível (até 6 meses)
- Trabalho
- Não permitido
- Processo
- 2-8 semanas
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Sobre o autor
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.