A Visa Integrity Fee deixou de ser projeto e virou linha obrigatória no orçamento de quase todo estrangeiro que solicita um visto de não-imigrante para os Estados Unidos. Criada pela Section 100007 do One Big Beautiful Bill Act, a Public Law 119-21 sancionada em 4 de julho de 2025, a cobrança de US$ 250 entrou em vigor com o início do ano fiscal de 2026, em 1º de outubro de 2025. Para quem planeja turismo, estudo, intercâmbio ou trabalho temporário nos EUA, entender o que essa taxa é, quando ela incide e o que dela se pode recuperar deixou de ser opcional.
O que é a Visa Integrity Fee
A Visa Integrity Fee é uma taxa federal acessória, instituída por lei e administrada pelo Department of Homeland Security em coordenação com o Department of State. Ela não substitui a taxa de processamento consular, conhecida como MRV fee, e tampouco se confunde com taxas de petição cobradas pelo USCIS em categorias de trabalho. O valor é fixado em US$ 250 e a própria lei prevê reajuste anual pela inflação a partir do FY2027, calculado pelo Secretário do DHS.
Diferente da MRV, que se paga no momento do agendamento da entrevista consular e é não reembolsável independentemente do desfecho, a Visa Integrity Fee é cobrada apenas quando o visto é efetivamente emitido. Solicitações negadas não geram a cobrança da nova taxa, embora a MRV continue perdida.
Quem paga e quem está isento
A regra é ampla. A taxa atinge a maioria dos solicitantes de vistos de não-imigrante, incluindo as categorias mais comuns para o público brasileiro:
- B-1/B-2: turismo, visitas familiares e viagens de negócios
- F-1 e M-1: estudantes acadêmicos e vocacionais
- J-1: programas de intercâmbio, au pair, trainees, pesquisadores
- H-1B, H-2A e H-2B: trabalhadores temporários especializados, agrícolas e sazonais
- L-1A e L-1B: transferências intracompanhia
- O-1: profissionais com habilidade extraordinária
- P-1, P-2 e P-3: atletas, artistas e grupos culturais
- E-2: investidores de tratado
Permanecem isentas as categorias diplomáticas e oficiais A e G, conforme a redação da Section 100007. Beneficiários do programa Visa Waiver que entram com ESTA também não pagam a Visa Integrity Fee, porque tecnicamente não recebem visto, mas continuam pagando a taxa do ESTA, que sofreu reajuste em paralelo.
Quanto custa, no total, tirar um visto americano em 2026
O cálculo varia conforme a categoria. Para o solicitante típico de B-1/B-2 emitido em consulado, a conta soma a MRV de US$ 185 e a Visa Integrity Fee de US$ 250, totalizando US$ 435 quando o visto é aprovado. A taxa de US$ 24 referente ao formulário I-94, frequentemente citada na imprensa, incide somente em entradas terrestres pelo CBP e não compõe automaticamente o custo de quem viaja por via aérea.
Categorias baseadas em emprego apresentam estrutura mais complexa. Um trabalhador H-1B, por exemplo, depende de uma petição I-129 paga pelo empregador antes mesmo da etapa consular, com taxas que ultrapassam US$ 2.800 quando se somam o registro eletrônico, a Fraud Prevention and Detection Fee, a ACWIA Fee e a Asylum Program Fee. Sobre tudo isso, soma-se ainda a Visa Integrity Fee de US$ 250 ao processar o visto no exterior.
É possível recuperar a taxa
O texto legal prevê um mecanismo de reembolso parcial, mas com critérios estritos. A Visa Integrity Fee é, em tese, restituível ao titular que cumprir integralmente todos os termos do visto: deixar os Estados Unidos no prazo autorizado, não exercer trabalho não autorizado e não buscar ajuste de status fora das hipóteses previstas. Quem extrapolar a estadia, trabalhar fora das condições do visto ou obtiver um green card pelo caminho descrito como irregular pelo statute perde o direito ao reembolso.
Na prática, até o início de 2026 o DHS ainda não havia publicado a regra final detalhando o procedimento operacional para solicitar a devolução. Solicitantes devem assumir que a taxa é, no curto prazo, um custo afundado e tratar qualquer reembolso futuro como um bônus, não como elemento de planejamento financeiro.
Por que o Congresso criou essa taxa
Do ponto de vista declarado, a justificativa apresentada no debate legislativo combinou dois objetivos: arrecadar receita para programas de fiscalização migratória e desestimular violações de status. A nomenclatura escolhida, integrity, reforça a tese de que o mecanismo busca ancorar boa-fé no comportamento pós-emissão do visto, atrelando a devolução ao cumprimento das condições.
Críticos do setor de mobilidade global apontam, em paralelo, três efeitos colaterais relevantes: o encarecimento do processo para famílias de renda média em mercados emissores como Brasil, México, Índia e China; a possível pressão sobre fluxos turísticos e de eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2026; e o impacto sobre programas educacionais que dependem da chegada de estudantes internacionais.
O que isso muda no planejamento de quem vai viajar
O reajuste de mais de 130% no custo total para uma família que precisa tirar quatro vistos de turismo demanda revisão de cronograma e orçamento. Algumas providências reduzem o atrito:
- Verificar a validade de vistos atuais antes de entrar em fila para renovação. Vistos B-1/B-2 emitidos com dez anos de validade continuam válidos até a data de expiração impressa na etiqueta.
- Considerar o Interview Waiver, quando elegível, para renovações dentro da janela permitida pelo Department of State, evitando deslocamento e dias de afastamento.
- Programar a viagem com folga em relação ao prazo de processamento consular, que oscila por posto. O painel oficial do Department of State traz tempos de espera atualizados por unidade.
- Documentar com clareza o cumprimento das condições do visto durante a estadia, preservando comprovantes de saída no prazo, declarações de empregadores e registros de matrícula. Esse acervo é o que sustentará um eventual pedido de reembolso quando o procedimento for regulamentado.
O peso da medida no mercado emissor brasileiro
O Brasil figura entre os principais países emissores de vistos americanos, ao lado de México, Índia e China. Em volume absoluto, mais de meio milhão de vistos B-1/B-2 são processados por ano em postos consulares brasileiros. A Visa Integrity Fee adiciona, sozinha, mais de R$ 1,4 bilhão potencial em arrecadação a partir do mercado nacional, considerando o câmbio de meados de 2026 e mantida a demanda atual.
Para o público de longo prazo, especialmente quem busca categorias imigratórias como EB-1, EB-2, EB-2 NIW, EB-3 e EB-5, o impacto é proporcionalmente menor, dado que essas categorias já operam com custos elevados de petição. Para o turista ocasional e para o estudante de intercâmbio, contudo, a nova realidade exige cálculo cuidadoso e antecipação maior do desembolso.
O que esperar a seguir
O DHS deve publicar regulamentação complementar detalhando o fluxo de cobrança, o reajuste anual e o protocolo de reembolso. Até lá, o titular do visto deve presumir que a Visa Integrity Fee é taxa cheia, paga no ato da emissão, e tratar a janela de validade do visto como ativo de planejamento que vale, hoje, mais do que valia em 2024.
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Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.