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Taxa de US$ 100 mil no H-1B: o que muda em 2026

Entenda a nova cobrança de US$ 100.000 imposta pela Casa Branca a novas petições H-1B, quem é atingido e como o mercado de trabalho qualificado está reagindo.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
7 min de leitura
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Taxa de US$ 100 mil no H-1B: o que muda em 2026

Em 19 de setembro de 2025, a Casa Branca publicou uma proclamação presidencial que reformulou a economia do programa H-1B ao instituir uma cobrança única de US$ 100.000 sobre novas petições enviadas ao USCIS. A medida atinge o visto de trabalho mais usado por profissionais qualificados estrangeiros nos Estados Unidos e provocou reação imediata de empresas de tecnologia, hospitais, universidades e escritórios de advocacia em todo o país. Para quem planeja construir carreira no mercado americano, entender o alcance exato dessa cobrança virou pré-requisito.

O que diz a proclamação

O texto presidencial determina que toda petição H-1B apresentada para um beneficiário que esteja fora dos Estados Unidos passa a exigir o pagamento adicional de US$ 100.000, em parcela única, vinculada à aprovação consular do visto. A justificativa oficial fala em proteção do mercado de trabalho doméstico e em desestímulo ao uso massivo do programa por empresas que terceirizam serviços de tecnologia. A cobrança é separada e cumulativa em relação às taxas tradicionais do USCIS sobre o Formulário I-129.

O Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Estado publicaram orientações complementares esclarecendo que a quantia não substitui o ACWIA fee, o fraud prevention fee, o asylum program fee nem a public law 114-113 fee, todos previstos para empregadores específicos. Ou seja, o desembolso total para uma nova contratação H-1B passou a ultrapassar facilmente US$ 110.000 quando somadas todas as exigências federais.

Quem é atingido pela nova taxa

A leitura inicial do mercado foi de pânico generalizado, mas o escopo da cobrança é mais restrito do que o ruído sugeriu. A taxa incide sobre:

  • Novas petições H-1B para beneficiários que estão no exterior e que dependerão de processamento consular;
  • Selecionados na loteria anual do H-1B cap que ainda não estejam em status H-1B nos Estados Unidos;
  • Algumas situações em que o trabalhador precisa retornar ao país de origem para obter o visto consular e retornar.

Não estão sujeitos à cobrança, conforme as orientações federais publicadas após a proclamação:

  • Profissionais que já detêm status H-1B e solicitam extensão junto ao mesmo empregador;
  • Pedidos de mudança de empregador (transfer) processados internamente;
  • Mudança de status de outros vistos para H-1B feita dentro dos Estados Unidos via I-129 com pedido de change of status;
  • Petições H-1B isentas de cap (universidades, instituições de pesquisa sem fins lucrativos e organizações afiliadas).

Impacto sobre empregadores

O custo adicional desloca a equação financeira da contratação internacional. Para grandes empregadores de tecnologia, com folhas que envolvem milhares de profissionais H-1B, a cifra é absorvível, mas força revisão de prioridades: vagas que antes seriam abertas a recrutamento global passam a ser preenchidas internamente, com transferências L-1, com profissionais já em território americano em outros vistos, ou simplesmente alocadas em escritórios fora dos Estados Unidos.

Para pequenas e médias empresas, hospitais regionais e universidades não isentas, a barreira é proibitiva. Estudos preliminares de associações empresariais publicados no fim de 2025 estimaram queda significativa no volume de novas petições para o ciclo fiscal seguinte, com impacto desproporcional sobre setores de saúde, engenharia civil e educação básica em distritos rurais.

Profissionais já no programa: o que muda

Quem já trabalha legalmente nos Estados Unidos com H-1B válido pode respirar aliviado quanto à cobrança imediata. Extensões dentro do mesmo empregador, mudanças de empregador via portabilidade e amendments por mudança de cargo ou de local de trabalho seguem regidos pela tabela de taxas tradicional do USCIS, sem o adicional de US$ 100.000.

O cuidado redobrado, porém, recai sobre viagens internacionais. Profissionais H-1B que precisam renovar carimbo no passaporte em consulado fora dos Estados Unidos durante 2026 devem analisar com calma se a renovação consular pode ser interpretada como nova petição sob a proclamação. Até a publicação deste texto, a leitura predominante das orientações é de que a renovação consular de status H-1B já vigente não dispara a cobrança, mas a recomendação é de planejamento prévio e acompanhamento das diretrizes do Departamento de Estado.

Cap season de 2026 sob a nova regra

O ciclo de inscrição da loteria H-1B em março de 2026 foi o primeiro a operar integralmente sob a nova taxa. Os números preliminares divulgados pelo USCIS mostraram queda relevante no volume de registros eletrônicos em comparação aos picos de 2023 e 2024, refletindo a recalibragem dos empregadores diante do custo. A relação selecionados-por-cota continua competitiva, mas a redução de inscrições reabriu o debate sobre o tamanho real da demanda por trabalho qualificado importado quando o preço de admissão sobe.

Para o candidato individual, o efeito prático é dúplice. De um lado, menos concorrência por vaga selecionada na loteria. De outro, menos empregadores dispostos a patrocinar perfis em estágio inicial de carreira ou sem expertise crítica, já que o investimento por contratação aumentou em ordem de grandeza.

Alternativas que ganharam tração

O encarecimento do H-1B redirecionou atenção para vistos antes vistos como secundários ou complementares:

  • O-1A para profissionais com habilidade extraordinária comprovada em ciência, negócios, educação ou atletismo;
  • L-1A e L-1B para transferências intracorporativas em empresas com presença internacional;
  • EB-2 NIW como rota de residência permanente sem dependência de empregador, indicada para perfis com mestrado, doutorado ou habilidades excepcionais e plano de trabalho de interesse nacional;
  • E-3 exclusivo para australianos e TN sob o USMCA para canadenses e mexicanos em ocupações listadas;
  • H-1B1 para chilenos e singapurenses, sob acordos bilaterais.

Profissionais brasileiros sem cidadania australiana, chilena ou de país com acordo específico tendem a explorar com mais profundidade o O-1A e o EB-2 NIW como alternativas sustentáveis, sobretudo aqueles com produção acadêmica, patentes, prêmios ou reconhecimento setorial documentável.

Disputas judiciais em curso

Entidades empresariais, associações profissionais e governos estaduais ingressaram com ações federais contestando a proclamação sob argumentos de extrapolação de poder executivo, violação do Administrative Procedure Act e conflito com o regime tarifário definido pelo Congresso na Immigration and Nationality Act. Até o início de 2026, nenhuma liminar ampla suspendeu a cobrança, mas o tema permanece em apreciação em diferentes circuitos federais e pode sofrer ajustes ao longo do ano.

Planejamento para quem está fora dos Estados Unidos

Profissionais brasileiros que pretendem trabalhar nos EUA via H-1B precisam encarar a realidade de que sem patrocinador disposto a desembolsar a nova taxa o caminho está, na prática, fechado para grande parte das vagas. O passo lógico é mapear:

  • Empregadores ativos em setores que ainda absorvem o custo, principalmente big tech, finanças e farmacêuticas globais;
  • Universidades e institutos de pesquisa que continuam isentos do cap e da taxa;
  • Caminhos paralelos como O-1A, EB-2 NIW e EB-1A que podem ser construídos com tempo e dossiê técnico-acadêmico bem estruturado;
  • Posições internas em empresas com filiais brasileiras que viabilizem futura transferência via L-1.

O cenário não fechou as portas; reescreveu o mapa. Quem se prepara com antecedência, escolhe a rota correta para o próprio perfil e documenta com rigor os requisitos de cada categoria continuará encontrando espaço no mercado americano, ainda que sob regras mais exigentes do que aquelas vigentes até o terceiro trimestre de 2025.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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