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Perguntas frequentes sobre imigração nos EUA: trabalho, impostos e Green Card

Verificação I-9, ITIN para impostos, REAL ID e os efeitos do divórcio sobre o Green Card: as dúvidas mais recorrentes entre imigrantes nos EUA respondidas com fontes oficiais.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 07/05/2026
6 min de leitura
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Perguntas frequentes sobre imigração nos EUA: trabalho, impostos e Green Card

Imigrantes recém-chegados aos Estados Unidos enfrentam um terreno regulatório denso, e algumas dúvidas se repetem em fóruns, grupos de apoio e consultas iniciais. Questões sobre verificação de emprego, declaração de imposto sem Social Security Number, REAL ID e os efeitos do divórcio sobre o Green Card aparecem com tanta frequência que merecem respostas detalhadas e atualizadas. Este guia organiza as cinco perguntas mais comuns entre brasileiros e latinos vivendo nos EUA e responde com base em fontes oficiais do USCIS, IRS e Department of Homeland Security.

Toda empresa nos Estados Unidos é obrigada por lei federal a verificar a elegibilidade para o trabalho de cada novo empregado por meio do Formulário I-9, que exige documentos comprobatórios de identidade e autorização. A lista A do formulário aceita documentos que provam ambos simultaneamente, como passaporte americano, Green Card e Documento de Autorização de Emprego (EAD). A combinação de documentos das listas B (identidade) e C (autorização) também é aceita.

Empregadores que falham na verificação ou que contratam pessoas sem autorização ficam sujeitos a multas por trabalhador não verificado, conforme a tabela do Immigration and Nationality Act. Sanções civis começam em algumas centenas de dólares por violação e podem ultrapassar vinte mil dólares em casos de reincidência ou fraude documental, valores ajustados anualmente pela inflação e divulgados pelo Department of Justice.

O empregador não é obrigado a investigar a autenticidade absoluta de cada documento apresentado, mas deve realizar análise razoável e rejeitar papéis visivelmente fraudulentos. O E-Verify, sistema eletrônico que cruza dados do I-9 com bases do DHS e da Social Security Administration, é obrigatório para contratantes federais e em uma lista crescente de estados como Flórida, Geórgia, Mississippi, Tennessee, Alabama, Carolina do Norte e Carolina do Sul, com regras estaduais variando em escopo e penalidade.

Trabalho sem autorização e seus efeitos

Imigrantes indocumentados não têm acesso a emprego formal regulado pelo I-9. Isso significa que não podem ser registrados em folha de pagamento, não recebem benefícios de seguro-desemprego, não acumulam créditos qualificados para Social Security e não têm proteção formal contra demissão arbitrária ou descumprimento salarial.

Trabalhar sem autorização também complica futuros pedidos de regularização. O tempo trabalhado fora da legalidade não conta como histórico migratório positivo e, em alguns casos, configura motivo de inadmissibilidade. Categorias específicas como o ajuste de status pelo casamento com cidadão americano podem perdoar trabalho não autorizado anterior por meio do INA 245(i) ou de waivers próprios, mas a regra geral é que cada hora trabalhada sem permissão aumenta a complexidade do caso.

Declaração de imposto e ITIN

O sistema fiscal americano exige declaração anual de toda pessoa que receba renda em solo americano, independentemente do status migratório. Imigrantes sem Social Security Number usam o Individual Taxpayer Identification Number (ITIN), emitido pelo IRS por meio do Formulário W-7.

O W-7 é submetido junto com a primeira declaração 1040 e exige passaporte original ou cópia certificada por um Certifying Acceptance Agent (CAA) credenciado pelo IRS. O ITIN tem validade contínua se for usado em pelo menos uma declaração a cada três anos consecutivos, sem necessidade de renovação ativa.

Declarar imposto, mesmo em situação irregular, traz benefícios concretos: documenta presença física nos EUA por meio de registros do IRS, comprova bom caráter moral em pedidos futuros de regularização, e permite acesso a créditos fiscais como o Child Tax Credit para filhos com SSN. Programas como o Volunteer Income Tax Assistance (VITA) oferecem orientação gratuita para contribuintes de baixa renda em centenas de cidades americanas.

REAL ID e Green Card

O REAL ID é um padrão federal de identificação criado em 2005 e implementado de forma escalonada pelos estados. Desde maio de 2025, qualquer adulto que embarque em voo doméstico ou acesse instalações federais sensíveis deve apresentar identidade compatível com o padrão ou um documento alternativo aceito pelo Transportation Security Administration, como passaporte ou Green Card válido.

O Green Card (Formulário I-551) é por si só documento aceito como identificação federal compatível com REAL ID, sem necessidade de carteira de motorista atualizada. Residentes permanentes que querem obter carteira de motorista REAL ID devem apresentar o Green Card, prova de residência no estado e número de Social Security ao Department of Motor Vehicles local.

Divórcio e o status de residente

O efeito do divórcio sobre a residência permanente depende de qual Green Card a pessoa possui. O Green Card de dez anos, sem condicionalidade, não é cancelado pelo divórcio. O titular mantém a residência permanente, pode renovar o cartão normalmente após o vencimento e segue o caminho regular para a naturalização.

O Green Card condicional de dois anos, emitido para casamentos com menos de dois anos no momento da aprovação, exige petição de remoção da condicionalidade por meio do Formulário I-751 antes do vencimento. Quando o casamento termina antes do prazo, é possível pedir uma waiver demonstrando que o casamento foi de boa fé, mesmo após divórcio, morte do cônjuge ou abuso. A USCIS exige evidência robusta: declarações conjuntas de imposto, contas bancárias e seguros compartilhados, fotos, correspondências, contratos de aluguel ou escrituras com ambos os nomes e depoimentos de pessoas próximas.

O divórcio também altera o calendário para a naturalização. Cônjuges de cidadãos americanos podem aplicar para cidadania após três anos como residentes permanentes, desde que continuem casados e vivendo em união conjugal contínua. Após o divórcio, o prazo aumenta para cinco anos, igual ao caminho geral para qualquer residente permanente. O cumprimento do tempo de residência física dentro dos EUA, que é metade do período relevante, continua sendo critério separado e obrigatório.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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