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Nova regra do DHS pode mudar o tempo de permanência de estudantes, intercambistas e profissionais estrangeiros nos EUA

O DHS avançou com uma regra que pode substituir o Duration of Status por prazos fixos para estudantes internacionais, intercambistas e representantes de mídia estrangeira nos EUA. Entenda quem pode ser afetado.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 14/05/2026
16 min de leitura
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Nova regra do DHS pode mudar o tempo de permanência de estudantes, intercambistas e profissionais estrangeiros nos EUA

O governo americano avançou com uma regra que pode mudar a forma como estudantes internacionais, intercambistas e representantes de mídia estrangeira permanecem legalmente nos Estados Unidos.

A medida não mira turistas com visto B1/B2. Também não é uma regra geral para todos os imigrantes. O foco principal está nas categorias F, J e I, usadas por estudantes, participantes de programas de intercâmbio e profissionais de imprensa estrangeira.

O ponto central da mudança é o fim do modelo conhecido como Duration of Status, ou simplesmente D/S.

Na prática, o DHS quer substituir esse modelo por um sistema com prazo fixo de permanência. Pode parecer uma alteração burocrática, mas não é. Para quem está nos Estados Unidos estudando, pesquisando, participando de intercâmbio ou trabalhando como representante de mídia estrangeira, essa mudança pode significar mais controle, mais pedidos de extensão e menos margem para erro.

Para quem ainda está fora dos Estados Unidos, a mudança também importa. Ela pode afetar o planejamento de quem pretende estudar, fazer intercâmbio, participar de programas acadêmicos, atuar como pesquisador, trabalhar como trainee, ser au pair ou exercer atividade jornalística nos EUA.

Em imigração americana, detalhe técnico raramente é só detalhe. Às vezes, é exatamente ali que mora o problema.

Quem pode ser afetado pela mudança?

A regra mira principalmente três grupos:

  • Estudantes internacionais com visto F-1, incluindo alunos de universidades, faculdades, escolas de idioma e outras instituições autorizadas;
  • Intercambistas com visto J-1, incluindo pesquisadores, professores, trainees, au pairs, médicos, estudantes e participantes de programas culturais ou educacionais;
  • Representantes de mídia estrangeira com visto I, como jornalistas e profissionais de imprensa que atuam nos Estados Unidos para veículos internacionais.

Dependentes dessas categorias também podem ser afetados, como pessoas com vistos F-2, J-2 e familiares vinculados ao status principal.

O ponto importante é este: não estamos falando de turista comum. Quem entra nos EUA com visto B1/B2 normalmente já recebe uma data específica de saída no formulário I-94. O turista não costuma ser admitido por Duration of Status.

Portanto, se uma pessoa viajou aos Estados Unidos como turista, essa regra não é o centro do problema dela. O impacto mais relevante está em quem permanece nos EUA com status acadêmico, de intercâmbio ou de mídia estrangeira.

O que é o Duration of Status?

O Duration of Status é um modelo de permanência usado há anos para algumas categorias de não imigrantes nos Estados Unidos.

Em vez de receber uma data fixa para sair do país, a pessoa é admitida enquanto mantiver as condições do seu status. No I-94, em vez de aparecer uma data específica, costuma aparecer a marcação D/S.

Isso significa que a pessoa pode permanecer legalmente nos Estados Unidos enquanto continuar cumprindo as regras da sua categoria.

No caso de um estudante F-1, por exemplo, isso inclui manter matrícula ativa, cumprir a carga horária exigida, respeitar as regras de trabalho, manter o SEVIS atualizado e seguir as orientações da instituição de ensino.

O D/S não é uma autorização eterna. É uma autorização condicionada.

A diferença é que, no modelo atual, a permanência está mais ligada à manutenção correta do status do que a uma data única e fixa de vencimento.

O que o DHS quer mudar?

O DHS quer substituir o Duration of Status por um modelo de período fixo de admissão.

Na prática, isso significa que estudantes, intercambistas e representantes de mídia estrangeira poderiam passar a receber uma data objetiva para o fim da permanência autorizada nos Estados Unidos.

Se precisarem continuar no país depois desse prazo, essas pessoas poderão ter que apresentar um pedido formal de extensão de status ao governo americano.

Esse é o coração da mudança.

Hoje, parte relevante do controle do estudante internacional passa pela instituição de ensino, pelo formulário I-20 e pelo sistema SEVIS. Com um prazo fixo, o estudante pode ter que lidar de forma mais direta com o USCIS para estender sua permanência.

Isso muda a lógica do processo. O que antes era mais flexível pode se tornar mais rígido, mais caro e mais burocrático.

Por que isso importa tanto?

Porque status imigratório nos Estados Unidos funciona como uma corrente. Se um elo quebra, todo o resto pode ser comprometido.

Uma pessoa pode estar matriculada, frequentando aula, pagando a universidade e acreditando que está tudo certo. Mas, se houver uma data fixa de permanência e ela expirar sem a extensão correta, o problema deixa de ser acadêmico e passa a ser imigratório.

E problema imigratório nos Estados Unidos não costuma ser resolvido com “eu não sabia”.

A mudança pode aumentar o risco de:

  • perda de status;
  • acúmulo de presença ilegal;
  • dificuldade para mudar de status;
  • problemas em futuras petições imigratórias;
  • negativa de visto em uma próxima tentativa;
  • risco em viagens internacionais;
  • restrições futuras de entrada nos Estados Unidos.

O maior perigo é a pessoa continuar tocando a vida normalmente, sem perceber que uma data no sistema passou a ter peso decisivo.

Visto válido não significa status válido

Esse é um dos erros mais comuns entre estrangeiros nos Estados Unidos.

O visto no passaporte serve para pedir entrada no país. O status é a condição legal da pessoa depois que ela entra.

Uma pessoa pode ter um visto F-1 válido no passaporte e, ainda assim, estar fora de status dentro dos Estados Unidos se violar as regras da categoria ou ultrapassar o período autorizado de permanência.

O visto abre a porta. O status define se a pessoa pode continuar dentro da casa.

Por isso, documentos como I-94, I-20, DS-2019, registros do SEVIS e autorizações de trabalho passam a ser ainda mais importantes.

Exemplo prático: estudante F-1

Imagine uma estudante internacional que entra nos Estados Unidos com visto F-1 para fazer uma graduação de quatro anos.

No modelo atual, ela pode ser admitida por D/S. Se mantiver matrícula regular, cumprir as regras da universidade e seguir as exigências do SEVIS, sua permanência pode continuar válida durante o programa.

Agora imagine que ela muda de curso, atrasa a graduação, troca de universidade ou decide emendar uma pós-graduação.

Com um sistema de prazo fixo, ela pode precisar pedir uma extensão formal de permanência antes do vencimento do período autorizado.

Se perder o prazo, fizer o pedido errado ou tiver a extensão negada, o problema pode deixar de ser apenas um ajuste acadêmico. Pode virar uma violação de status.

É aqui que muita gente se complica. A pessoa acha que está protegida porque ainda estuda, mas o governo pode estar olhando para outra coisa: a data final da permanência autorizada.

Exemplo prático: intercambista J-1

O visto J-1 cobre uma variedade enorme de programas: pesquisadores, professores, médicos, trainees, au pairs, estudantes e participantes de programas culturais.

Em muitos casos, a duração real do programa pode depender de pesquisa, instituição, financiamento, agenda acadêmica ou renovação de contrato.

Se o modelo passar a exigir um prazo fixo mais rígido, intercambistas terão que acompanhar com ainda mais atenção a validade do programa, os documentos emitidos pelo sponsor e qualquer necessidade de extensão.

Não basta o programa querer manter a pessoa. É preciso que o status migratório acompanhe essa permanência.

Exemplo prático: jornalista com visto I

Profissionais de mídia estrangeira também podem ser impactados.

Um jornalista enviado aos Estados Unidos por um veículo internacional pode precisar permanecer no país para cobrir política, economia, eventos internacionais, eleições, crises ou assuntos de interesse público.

Com a mudança, a permanência pode passar a depender de prazos mais objetivos e eventuais pedidos de extensão.

Para profissionais que trabalham com cobertura contínua, isso exige planejamento. Jornalismo já tem prazo demais. Agora pode ganhar mais um: o da imigração.

Isso afeta turistas?

Em regra, não é uma mudança voltada para turistas.

Turistas com visto B1/B2 normalmente recebem uma data específica de permanência no I-94 quando entram nos Estados Unidos. Essa data define até quando podem ficar no país naquela viagem.

O turista já vive em um modelo de prazo fixo. Por isso, o fim do Duration of Status não é uma mudança desenhada para ele.

Mas isso não significa que turistas possam ignorar o I-94. Pelo contrário. Quem entra como turista deve sempre verificar a data exata de saída autorizada. O erro de olhar apenas a validade do visto no passaporte continua sendo um dos mais perigosos.

Isso afeta quem está tentando EB-2 NIW, EB-1 ou outro green card?

A regra não é sobre green card. Ela não muda diretamente os critérios do EB-2 NIW, EB-1 ou de outras categorias imigratórias.

Mas pode afetar quem está nos Estados Unidos em status F-1, J-1 ou I enquanto prepara uma estratégia de imigração permanente.

Exemplo: uma pessoa faz mestrado nos Estados Unidos com visto F-1 e, ao mesmo tempo, prepara uma petição EB-2 NIW.

Se essa pessoa perder o status F-1 por causa de prazo, extensão ou permanência irregular, isso pode prejudicar a estratégia imigratória mais ampla.

O EB-2 NIW não é uma borracha mágica que apaga qualquer problema anterior. Dependendo do caso, violação de status, presença ilegal ou permanência irregular podem criar obstáculos sérios.

Por que o governo americano quer fazer isso?

A justificativa do DHS é aumentar o controle sobre a permanência de estrangeiros nos Estados Unidos.

Na visão do governo, o Duration of Status pode dificultar a identificação de pessoas que permanecem no país depois de deixarem de cumprir as regras do status.

Ao criar datas fixas, o governo passa a ter uma linha mais clara: até aqui a pessoa está autorizada; depois disso, precisa de extensão ou deve sair.

Do ponto de vista administrativo, é uma lógica simples.

Do ponto de vista da vida real, é mais complicado.

Estudantes mudam de curso. Pesquisas atrasam. Programas são prorrogados. Universidades têm calendários próprios. Processos internos demoram. O que parece simples em uma planilha pode virar um labirinto na vida de quem está tentando estudar, trabalhar legalmente e construir uma trajetória nos Estados Unidos.

O risco invisível: presença ilegal

Um dos pontos mais sensíveis é a forma como a mudança pode afetar o acúmulo de presença ilegal.

Presença ilegal é um conceito técnico, mas com consequências muito concretas.

Dependendo do tempo acumulado, a pessoa pode enfrentar barreiras para retornar aos Estados Unidos no futuro.

Se o novo modelo fizer com que a presença ilegal comece a contar automaticamente após o fim do prazo autorizado, o risco aumenta bastante.

Antes, em muitos casos envolvendo D/S, a situação dependia de uma determinação formal de violação. Com prazo fixo, a lógica pode ficar mais objetiva e mais dura.

É uma mudança pequena no papel e enorme na consequência.

O que quem está nos EUA deve fazer agora?

Quem está nos Estados Unidos com visto F-1, J-1 ou I não precisa entrar em pânico. Mas precisa parar de tratar status migratório como assunto secundário.

O primeiro passo é revisar o I-94. Esse documento mostra como a pessoa foi admitida no país.

Depois, é importante revisar o I-20, no caso de estudantes F-1, ou o DS-2019, no caso de intercambistas J-1.

Também é recomendável falar com o DSO da escola ou com o responsável pelo programa. Essas pessoas costumam ser o primeiro ponto de orientação para questões de status acadêmico e SEVIS.

Além disso, é prudente organizar documentos como:

  • I-94 atualizado;
  • I-20 ou DS-2019 atual e versões anteriores;
  • comprovantes de matrícula;
  • histórico acadêmico;
  • autorizações de trabalho;
  • comprovantes de manutenção de status;
  • comunicações oficiais da escola ou do sponsor;
  • documentos de extensão, transferência ou mudança de programa.

Imigração americana funciona com prova. Boa intenção ajuda na consciência, mas não resolve processo.

O que quem está fora dos EUA deve observar?

Quem ainda está fora dos Estados Unidos também deve acompanhar a mudança com atenção.

Essa regra pode afetar o planejamento de quem pretende solicitar visto F-1, J-1 ou I no futuro.

Antes de escolher uma instituição, programa, sponsor ou estratégia de permanência, a pessoa deve entender como funcionam os documentos que sustentam o status dentro dos EUA.

No caso de estudantes, isso inclui compreender a relação entre visto, I-20, SEVIS, I-94, transferência de escola, OPT, CPT e eventual extensão de permanência.

No caso de intercambistas, é essencial entender a duração real do programa, as regras do sponsor, as possibilidades de prorrogação e eventuais restrições aplicáveis ao J-1.

No caso de representantes de mídia, é importante verificar se a atividade profissional, o vínculo com o veículo estrangeiro e o tempo de permanência pretendido são compatíveis com o visto I.

Planejamento imigratório começa antes da viagem. Quem só começa a estudar as regras depois que entra nos Estados Unidos já começou atrasado.

O que ainda precisa ser confirmado?

Apesar do avanço da regra, ainda é essencial acompanhar o texto final publicado oficialmente.

Entre os pontos que precisam ser observados estão:

  • data exata de entrada em vigor;
  • regras de transição para quem já está nos EUA em D/S;
  • prazo máximo concedido para cada categoria;
  • procedimento de extensão;
  • tratamento para pedidos pendentes;
  • impacto sobre mudança de programa ou instituição;
  • efeitos sobre viagens internacionais;
  • possíveis ações judiciais contra a regra.

Esse último ponto é importante. Mudanças imigratórias relevantes nos Estados Unidos frequentemente acabam sendo questionadas na Justiça.

Portanto, o cenário pode mudar. Mas ignorar o assunto seria ingenuidade.

O que muda na prática

A mudança não significa que estudantes internacionais serão proibidos de estudar nos Estados Unidos.

Também não significa que intercambistas e jornalistas estrangeiros perderão automaticamente o direito de permanecer no país.

O que muda é a lógica de controle.

O sistema tende a sair de um modelo mais flexível, baseado na manutenção do status, para um modelo mais rígido, baseado em datas fixas e pedidos formais de extensão.

Para quem cumpre tudo corretamente, isso pode parecer apenas mais uma burocracia.

Mas, em imigração, burocracia mal administrada vira risco real.

O estudante que antes precisava se preocupar principalmente com matrícula, SEVIS e regras acadêmicas pode ter que se preocupar também com vencimento de permanência, extensão junto ao USCIS e contagem de presença ilegal.

É mais uma camada de complexidade em um sistema que já não é exatamente famoso pela simplicidade.

O recado para quem está dentro ou fora dos Estados Unidos

Essa mudança não interessa apenas a quem já está fisicamente nos Estados Unidos. Ela também deve ser acompanhada por quem ainda está fora do país, mas pretende estudar, participar de um programa de intercâmbio, atuar como pesquisador, trabalhar como representante de mídia estrangeira ou planejar uma trajetória futura nos EUA.

Para quem já está nos Estados Unidos com visto F-1, J-1 ou I, o ponto principal é revisar imediatamente a própria situação documental. A pessoa precisa saber exatamente qual é seu status atual, como foi admitida no país, quais documentos sustentam sua permanência e quais datas podem se tornar relevantes caso a regra entre em vigor.

Para quem ainda está fora dos Estados Unidos, o cuidado deve começar antes da viagem. A escolha da instituição, do programa, do sponsor, do tipo de visto e da estratégia de permanência pode ficar mais sensível em um cenário com prazos fixos e pedidos formais de extensão.

Estudantes internacionais devem entender a diferença entre visto, status, I-94, I-20, SEVIS, OPT, transferência de escola e extensão de permanência. Esses conceitos não são detalhes burocráticos. Eles definem se uma trajetória acadêmica continua regular ou se começa a acumular riscos.

Intercambistas devem conversar com seus sponsors e entender como a mudança pode afetar a duração do programa, eventuais prorrogações, obrigações documentais e viagens internacionais durante o período autorizado.

Representantes de mídia estrangeira devem revisar com antecedência a documentação que justifica sua presença nos Estados Unidos, principalmente em casos de cobertura contínua, permanência prolongada ou mudanças na natureza da atividade profissional.

A pior estratégia é esperar o problema aparecer para então tentar entender a regra.

Nos Estados Unidos, imigração é um jogo de datas, documentos e coerência. Quem joga no improviso costuma descobrir tarde demais que o sistema não aceita “achei que estava tudo certo” como argumento.

Resumo direto

  • A mudança mira principalmente vistos F, J e I.
  • Não é uma regra voltada ao turista comum com visto B1/B2.
  • O DHS quer substituir o Duration of Status por prazo fixo de permanência.
  • Estudantes, intercambistas e representantes de mídia podem precisar pedir extensão formal para continuar nos EUA.
  • O risco principal é perder prazo, ficar fora de status ou acumular presença ilegal.
  • Quem está nos EUA deve revisar I-94, I-20, DS-2019, SEVIS e documentos do programa.
  • Quem está fora dos EUA deve considerar essa mudança antes de escolher programa, instituição, sponsor ou estratégia de permanência.
  • A regra precisa ser acompanhada pelo texto final e pela data oficial de entrada em vigor.

Essa mudança mostra uma tendência clara: os Estados Unidos querem reduzir zonas cinzentas no controle migratório.

Para o governo, isso significa mais previsibilidade e fiscalização.

Para estudantes internacionais, intercambistas, pesquisadores, trainees, au pairs, jornalistas e representantes de mídia estrangeira, significa menos margem para erro.

E quando o assunto é status imigratório, menos margem para erro exige uma postura simples: acompanhar cada documento, cada data e cada atualização como se isso pudesse definir o futuro da sua permanência nos Estados Unidos.

Porque, muitas vezes, define mesmo.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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