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Joseph Edlow no USCIS: a virada restritiva e seu impacto

Como Joseph Edlow reorganizou o USCIS desde julho de 2025: ataque ao OPT, taxa de US$ 100 mil no H-1B, naturalização mais dura e vigilância contínua.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 28/04/2026
7 min de leitura
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Joseph Edlow no USCIS: a virada restritiva e seu impacto

O USCIS deixou de ser um portão administrativo previsível para virar um filtro político ativo, e essa transformação tem nome: Joseph Edlow. Confirmado pelo Senado em julho de 2025 e empossado em 18 de julho daquele ano, o diretor da U.S. Citizenship and Immigration Services consolidou até o primeiro trimestre de 2026 uma agenda que reorganizou a forma como pedidos de imigração são analisados nos Estados Unidos. Para quem planeja estudar, trabalhar ou imigrar para o país, entender o que mudou sob o seu comando é essencial.

O cargo de diretor do USCIS tem peso desproporcional em relação ao seu perfil público: a agência processa mais de 8 milhões de pedidos por ano, decide quem recebe green card, quem mantém status de não-imigrante e quem se naturaliza. Sob Edlow, critérios de adjudicação foram apertados, fiscalização de redes sociais foi ampliada e programas considerados periféricos pelo núcleo restricionista entraram na mira. O resultado é uma agência que, na prática, opera mais como instrumento de controle migratório do que como provedora de serviços.

Quem é Joseph Edlow

Edlow formou-se em Ciência Política, Governo e História pela Brandeis University em 2003 e obteve seu doutorado em Direito (Juris Doctor) pela Case Western Reserve University em 2006. Seu primeiro contato com a liderança do USCIS aconteceu durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando atuou como diretor interino entre fevereiro de 2020 e janeiro de 2021. Indicado novamente em março de 2025, passou pela audiência de confirmação no Senado em 21 de maio e foi confirmado em julho.

Diferentemente de antecessores com perfil mais técnico, Edlow chegou ao cargo sinalizando publicamente posições restritivas. Na própria audiência de confirmação defendeu o fim do Optional Practical Training (OPT) e da extensão STEM OPT, classificou o sistema vigente de naturalização como brando demais e prometeu fiscalização mais rigorosa do programa H-1B. Cada uma dessas frentes virou prioridade administrativa nos meses seguintes.

O ataque ao OPT e STEM OPT

O OPT permite que estudantes internacionais com visto F-1 trabalhem por até 12 meses após a graduação na área de formação; a extensão STEM OPT acrescenta 24 meses para diplomados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No ano acadêmico 2023-2024, 242.782 estudantes utilizaram esses programas, sendo 163.452 no OPT regular e 79.330 na extensão STEM. Para milhares de brasileiros e latino-americanos, o OPT é o único mecanismo realista de obter experiência profissional nos EUA antes de tentar uma transição para H-1B ou outro visto de trabalho.

Sob Edlow, o USCIS articulou até o início de 2026 uma proposta de regra para revisar o regulamento federal que sustenta o OPT. A lógica do diretor é que o programa não tem base estatutária expressa no Immigration and Nationality Act (INA), tendo sido criado por interpretação administrativa em 1992 e expandido em 2008 e 2016. O argumento jurídico é contestado, mas politicamente abriu caminho para o anúncio de revisão formal. Estudantes já matriculados mantêm direitos adquiridos, mas novas autorizações podem encontrar critérios mais duros, exigência ampliada de documentação do empregador e prazos de processamento mais longos.

H-1B sob nova lógica restritiva

O H-1B foi alvo de duas mudanças estruturais sob a gestão Edlow. A primeira foi a Proclamação Presidencial de 19 de setembro de 2025, que instituiu uma taxa adicional de US$ 100 mil para novas petições H-1B apresentadas a partir do exterior, com vigência inicial de 12 meses e possibilidade de renovação. A medida, atacada na Justiça federal por múltiplas associações empresariais, gerou impacto imediato no mercado de trabalho de tecnologia, com empresas recolocando trabalhadores fora dos EUA e pausando contratações de candidatos no exterior.

A segunda frente é a proposta de loteria H-1B ponderada por salário, publicada como Notice of Proposed Rulemaking pelo DHS em outubro de 2025. Em vez do sorteio aleatório entre as 85 mil vagas anuais (65 mil regular cap mais 20 mil para mestres e doutores americanos), a nova mecânica daria mais entradas a petições com salários em faixas mais altas dentro do sistema OES de quatro níveis. O objetivo declarado é direcionar o programa para profissionais altamente remunerados, mas o efeito prático é excluir grande parte de profissionais juniores e setores como educação e organizações sem fins lucrativos. Em meados de abril de 2026, a regra final ainda estava pendente, com sinalização de implementação para o cap H-1B do ano fiscal de 2027.

Naturalização com critérios mais duros

A naturalização também mudou. Em outubro de 2025, o USCIS reativou a versão 2020 do teste cívico, originalmente criada na primeira gestão Trump e descartada por Biden, com 128 questões possíveis e 20 perguntas no exame, das quais o candidato precisa acertar 12. A versão anterior tinha 100 questões possíveis e exigia 6 acertos em 10 perguntas. Estatísticas internas indicam queda de aprovação em alguns escritórios de campo desde a mudança.

O Policy Manual também foi reformulado para enfatizar a análise de good moral character além dos antecedentes criminais, incorporando comportamento social, declarações em redes sociais e histórico fiscal. Em agosto de 2025, o USCIS publicou orientação tratando atividade considerada anti-americana como fator negativo de peso elevado em pedidos de benefícios imigratórios, incluindo ajustamento de status, EAD, naturalização e petições baseadas em emprego como EB-5 e EB-2 NIW. A definição não consta do INA e remete a seções da Guerra Fria, dando ampla discrição aos oficiais.

Vigilância contínua de imigrantes

Outra mudança silenciosa, mas estrutural, foi a expansão do Continuous Immigration Vetting. Desde 2019, o Departamento de Estado coleta os identificadores de redes sociais de praticamente todos os solicitantes de visto. Sob Edlow, o USCIS anunciou que a triagem não termina na aprovação inicial: o cadastro do não-cidadão continua sob monitoramento até a naturalização. Em 2025, o Departamento de Estado confirmou revisar registros de mais de 55 milhões de portadores de visto vigentes, com redes sociais como elemento central da análise.

Na prática, isso significa que postagens, curtidas, compartilhamentos e tags associadas ao perfil podem ser consideradas em qualquer pedido futuro, incluindo extensão de F-1, mudança de status, petição de green card ou naturalização. Recusar tornar perfis públicos quando solicitado pode ser interpretado como tentativa de ocultar informações.

O que isso significa para você

Quem já está nos EUA com F-1, H-1B, L-1, O-1 ou em fila de green card precisa redobrar atenção à documentação e ao timing de cada petição. Renovações que antes eram tratadas como rotineiras passaram a receber Requests for Evidence com mais frequência. Empregadores que patrocinam profissionais estrangeiros estão fortalecendo cartas de suporte, organogramas e justificativas de salário para resistir a escrutínio mais agressivo. Para candidatos à naturalização, vale separar tempo de estudo adicional para o teste cívico e revisar com cuidado histórico fiscal, jurídico e digital.

A janela de previsibilidade que existia até meados de 2024 fechou. Decisões de imigração agora dependem não apenas dos requisitos formais do INA e do Code of Federal Regulations, mas também do filtro discricionário aplicado por um USCIS reorientado para restringir. Acompanhar mudanças de política em fontes oficiais como uscis.gov, travel.state.gov e o Federal Register deixou de ser opcional e virou parte essencial do planejamento migratório.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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