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ICE intensifica prisões e batidas em locais de trabalho

Diretor do ICE confirma prisões de qualquer pessoa em situação irregular e batidas em locais de trabalho. Veja números, mudanças e implicações.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
6 min de leitura
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ICE intensifica prisões e batidas em locais de trabalho

A política de fiscalização migratória dos Estados Unidos sofreu uma virada acentuada desde janeiro de 2025, quando o segundo mandato do presidente Donald Trump retomou a expansão dos poderes do Immigration and Customs Enforcement (ICE). Em entrevista à CBS News no programa Face the Nation, o diretor interino do ICE, Todd Lyons, declarou que a agência prenderá qualquer pessoa encontrada em situação migratória irregular, mesmo sem antecedentes criminais, e intensificará a responsabilização criminal de empregadores que contratam trabalhadores não autorizados. Este artigo organiza o que está em jogo, os números atuais e as implicações práticas para imigrantes e empresas.

O que disse Todd Lyons

Lyons afirmou que a prioridade declarada continua sendo a remoção do chamado pior do pior, classificação que inclui pessoas com condenações graves, ameaças à segurança nacional e reincidentes em crimes violentos. Mas, segundo ele, jurisdições com políticas de santuário, que limitam a cooperação entre polícias locais e o ICE, forçariam a agência a entrar em comunidades para localizar alvos, gerando o que o ICE classifica como prisões colaterais.

Esse conceito de prisão colateral significa que indivíduos sem mandado prévio, encontrados durante operações dirigidas a outros alvos, passam a ser detidos. Durante o governo Biden, regras de prioridade emitidas em 2021 desencorajavam essas detenções; essas diretrizes foram revogadas no início do segundo mandato Trump.

Números de prisões e deportações

Entre janeiro e fim de junho de 2025, o ICE deportou cerca de 70 mil pessoas com algum tipo de condenação, segundo dados internos obtidos pela CBS News. Análises subsequentes mostraram que parte expressiva dessas condenações se referia a infrações migratórias prévias ou violações de trânsito, não a crimes violentos. Nos primeiros seis meses do segundo mandato, o ICE registrou cerca de 150 mil deportações no total.

A meta operacional fixada pela Casa Branca é de 3 mil prisões diárias, segundo declarações de Stephen Miller, vice-chefe de gabinete. A agência não atingiu esse patamar em 2025, mas o Congresso aprovou pacote orçamentário com dezenas de bilhões de dólares adicionais para o ICE no ciclo fiscal 2026, viabilizando contratações em larga escala, expansão da capacidade de detenção e ampliação das operações de transporte.

Operações em locais de trabalho

O fim da pausa Biden-era nas batidas migratórias em locais de trabalho marcou outra mudança significativa. Em junho e julho de 2025, o ICE realizou operações de grande escala que detiveram centenas de trabalhadores em uma planta de processamento de carnes em Nebraska, em um hipódromo na Louisiana e em fazendas de cannabis no sul da Califórnia. Apenas as fazendas californianas resultaram em mais de 300 detenções, incluindo dez menores de idade.

Após pressão de lideranças do agronegócio e da hotelaria, o ICE chegou a anunciar uma suspensão das batidas em fazendas, hotéis e restaurantes, mas a pausa durou apenas poucos dias. O presidente Trump declarou em entrevistas posteriores que estuda algum tipo de perdão para agricultores que empregam trabalhadores irregulares, sem que o governo tenha divulgado detalhes do mecanismo até o início de 2026.

Responsabilização criminal de empregadores

Lyons foi categórico na CBS News ao afirmar que empresas que contratam trabalhadores não autorizados serão responsabilizadas em cem por cento dos casos. As ações dependerão de mandados criminais com base em estatutos como 8 USC 1324a (employment of unauthorized aliens) e 8 USC 1324 (harboring), com penas que variam de multas civis a prisão de até dez anos quando há agravantes como tráfico humano ou trabalho forçado.

Empresas que mantêm processos formais de verificação E-Verify e auditorias periódicas de Form I-9 reduzem exposição. A retomada das batidas torna a auditoria interna do compliance migratório uma prioridade para departamentos jurídicos e de recursos humanos em setores como agropecuária, construção, hospitalidade, processamento de alimentos e cannabis.

Uso de máscaras e táticas operacionais

O ICE manteve, sob justificativa de segurança dos agentes, o uso de máscaras durante operações em via pública e ambientes corporativos. A prática gerou contestações em cortes federais e em audiências no Congresso, com argumentos de que dificulta a identificação dos agentes e a accountability em casos de uso excessivo da força. Também seguiram em curso prisões realizadas dentro de tribunais de imigração, no momento em que solicitantes de asilo compareciam para audiências.

Implicações para imigrantes irregulares

Para os cerca de 11 milhões de pessoas estimadas em situação migratória irregular nos EUA, a postura atual significa que ausência de antecedentes criminais não oferece proteção contra detenção. Recomenda-se que toda pessoa nessa situação tenha um plano de contingência: documentação organizada, procuração para guarda de filhos cidadãos americanos, contato de advogado de imigração e conhecimento básico dos direitos durante uma abordagem do ICE.

O direito de permanecer em silêncio, o direito de não abrir a porta sem mandado judicial assinado por juiz (não apenas administrativo), o direito de não assinar documentos sem advogado e o direito a uma chamada telefônica permanecem garantidos pela Constituição. Ações da ACLU e do American Immigration Council documentam casos para litígio quando esses direitos são violados.

O que esperar nos próximos meses

A combinação de financiamento expandido, contratações de agentes, ampliação de centros de detenção e maior coordenação com forças locais sugere que o volume de prisões e deportações continuará subindo ao longo de 2026. Famílias mistas, em que parte dos integrantes tem cidadania ou green card e parte está em situação irregular, representam o segmento mais vulnerável e merecem planejamento jurídico imediato com advogado licenciado em imigração.

Empregadores em setores expostos devem revisar contratos, atualizar políticas internas de verificação e treinar equipes para responder corretamente à chegada de agentes. Decisões reativas durante uma operação em curso aumentam riscos legais e operacionais para a empresa e para os trabalhadores envolvidos.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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