O endurecimento das regras de dispensa de entrevista consular para vistos americanos, anunciado pelo Departamento de Estado em julho de 2025 e em vigor desde 2 de setembro daquele ano, consolidou-se ao longo de 2026 como o novo padrão operacional dos consulados dos Estados Unidos. A medida encerrou um ciclo de flexibilizações herdado da pandemia e devolveu a entrevista presencial ao centro do processo de emissão de vistos de não imigrante. Para brasileiros, mexicanos, indianos e demais nacionalidades de alta demanda, isso significa filas mais longas, planejamento antecipado e atenção redobrada aos critérios estritos que ainda permitem a dispensa.
O que mudou em setembro de 2025
Antes da revisão, o programa ampliado de interview waiver permitia que renovações de quase todas as categorias de não imigrante ocorressem sem comparecimento ao consulado, desde que o visto anterior tivesse sido emitido nos últimos quatro anos. A nova orientação, alinhada ao 9 FAM 403.5-4, encurtou drasticamente esse prazo e eliminou exceções etárias.
Solicitantes menores de 14 anos e maiores de 79 anos, que tradicionalmente recebiam dispensa quase automática, passaram a ser convocados para entrevista presencial. Renovações de vistos de trabalho como H-1B, L-1, O-1 e P-1, que durante a pandemia foram amplamente processadas via dropbox, voltaram à regra geral de comparecimento. Estudantes F-1 e M-1, intercambistas J-1 e viajantes B-1/B-2 também perderam grande parte das hipóteses anteriores de isenção.
Quem ainda pode dispensar a entrevista
A dispensa permanece possível, mas ficou amarrada a um conjunto restrito de condições cumulativas. O solicitante precisa estar renovando um visto B-1, B-2, B-1/B-2 ou um Border Crossing Card/Foil mexicano, e o pedido deve ser apresentado no país de nacionalidade ou de residência habitual.
É indispensável que o visto anterior tenha vencido há menos de doze meses na data do novo pedido, que o requerente tivesse pelo menos 18 anos quando o visto anterior foi emitido, que nunca tenha recebido recusa não superada e que não exista nenhuma inadmissibilidade aparente, como antecedentes criminais, violações de imigração ou suspeita de fraude. Mesmo cumpridos todos esses requisitos, o oficial consular conserva poder discricionário para convocar o solicitante a comparecer pessoalmente.
Casos especiais e diplomáticos
Aplicantes de vistos das categorias A, G, C-3, NATO e diplomáticos preservam regras próprias e seguem dispensados em larga escala. Renovações de vistos H-2A para trabalhadores agrícolas sazonais também mantêm tratamento diferenciado em alguns postos consulares, embora a tendência seja de maior rigor.
Por que o Departamento de Estado endureceu o processo
O comunicado oficial menciona o reforço de segurança e a verificação aprofundada de identidade como motivações centrais. Há também um componente operacional: com o fim das restrições sanitárias, os consulados retomaram capacidade plena de atendimento e o governo passou a tratar a entrevista como instrumento essencial de checagem antifraude. A administração que assumiu em janeiro de 2025 tem reforçado controles em diversas frentes da política migratória, e o fim do waiver ampliado integra essa orientação geral.
O resultado mais imediato foi o aumento expressivo nos tempos de espera por entrevistas em postos como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Bogotá, Mumbai e Manila. Em vários consulados brasileiros, agendamentos para B-1/B-2 ultrapassaram doze meses ao longo de 2026, exigindo que viajantes considerem postos alternativos ou avaliem a elegibilidade de eventual entrevista em terceiro país.
Como se preparar para a renovação em 2026
O primeiro passo é confirmar, no site do consulado responsável pela jurisdição do solicitante, se o caso ainda se enquadra nas hipóteses de dispensa. A ferramenta oficial do Department of State em travel.state.gov permite checar o status atual do interview waiver por categoria de visto e por posto.
Quem identificar elegibilidade para dispensa deve protocolar a renovação dentro do prazo estrito de doze meses contados do vencimento anterior. Perdido esse prazo, o caminho passa obrigatoriamente pela entrevista presencial. Para quem precisará comparecer ao consulado, o agendamento deve ser feito com a maior antecedência possível, sempre considerando margem para eventual administrative processing sob a seção 221(g) do INA.
Documentação que evita atrasos
Independentemente da modalidade, a documentação deve estar completa e coerente. O DS-160 atualizado, comprovante de pagamento da taxa MRV, passaporte válido por pelo menos seis meses além da data prevista de entrada nos EUA, fotografia dentro dos padrões biométricos e o visto anterior são o núcleo do processo. Para vistos de trabalho, a aprovação original do USCIS, o I-797 e a documentação do empregador peticionário continuam essenciais.
Impacto sobre planejamento de viagem
O retorno da entrevista obrigatória ampliou o tempo médio entre a decisão de viajar e a efetiva emissão do visto. Famílias que tradicionalmente combinavam férias escolares com renovações de B-1/B-2 precisam agora considerar janelas de seis a doze meses para concluir o processo. Profissionais transferidos por empresas multinacionais sob L-1 ou H-1B, que costumavam contar com renovação rápida via dropbox, devem coordenar viagens internacionais com cuidado para evitar permanência involuntária fora dos EUA.
O cenário consolidado em 2026 reforça uma diretriz simples: tratar a entrevista como regra e a dispensa como exceção rara. Esse reposicionamento exige antecipação, organização documental e leitura atenta dos comunicados oficiais de cada posto consular, que continuam a publicar atualizações específicas sobre disponibilidade de agendamento e procedimentos locais.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.