Os Estados Unidos consolidaram em 26 de dezembro de 2025 uma das mudanças mais profundas das últimas duas décadas em controle de fronteiras: a coleta biométrica facial passou a ser obrigatória, sem exceções etárias, para todos os estrangeiros que entram ou saem do país. A regra é executada pela U.S. Customs and Border Protection (CBP) sob o programa Biometric Entry-Exit, e seus efeitos práticos vêm sendo sentidos por viajantes em aeroportos, portos marítimos e travessias terrestres ao longo de 2026. Para quem planeja visitar, estudar, trabalhar ou residir legalmente nos EUA, entender o que mudou é essencial para evitar surpresas no embarque e no desembarque.
O que muda no controle migratório
A regra final publicada pelo Department of Homeland Security expande o uso de reconhecimento facial em todos os ports of entry: aeroportos internacionais, fronteiras terrestres com Canadá e México e portos marítimos. Antes da mudança, a coleta biométrica era aplicada principalmente em saídas aéreas selecionadas e em testes pontuais. Agora, a fotografia do rosto é capturada tanto na chegada quanto na partida, e o registro alimenta um banco de dados unificado que cruza horários de entrada e de saída para identificar permanências além do prazo autorizado.
Outra ampliação importante é o fim das isenções por idade. No regime anterior, viajantes com menos de 14 anos ou mais de 79 anos estavam dispensados da coleta facial. A nova regra elimina essas faixas, e crianças, idosos e adultos passam pelo mesmo procedimento. A justificativa oficial é fechar lacunas usadas por redes de tráfico de documentos e padronizar o controle migratório para todas as faixas etárias.
Impacto sobre portadores de green card
A mudança mais sensível atinge os residentes permanentes legais. Pela primeira vez, portadores de green card são incluídos sistematicamente na coleta biométrica de entrada e de saída. Eles continuam tendo direito de readmissão nos EUA com base no Form I-551 (green card), mas agora passam pelo mesmo registro fotográfico aplicado a turistas e demais não imigrantes.
Na prática, isso significa que cada viagem internacional de um residente permanente gera um registro biométrico associado ao número A (Alien Registration Number). Esse histórico passa a ser consultado quando o residente solicita renovação do green card, naturalização (Form N-400) ou retorno após ausências prolongadas. Ausências superiores a 180 dias seguidas continuam disparando análise de abandono de residência, e o registro biométrico facilita a verificação dessas datas pelo USCIS.
Tecnologia e fluxo nos aeroportos
A infraestrutura usada combina câmeras de captura facial nos guichês primários, quiosques de autoatendimento e portões de embarque equipados com biometria. O sistema compara a imagem capturada com a fotografia já existente no banco de dados do governo americano, oriunda de passaportes, vistos, formulários I-94 ou registros de green card. Quando há correspondência, a passagem é liberada em segundos; quando há discrepância, o passageiro é encaminhado para inspeção secundária.
O CBP confirmou também que pode coletar impressões digitais e amostras de DNA em situações específicas previstas em lei, como suspeita de identidade fraudada ou histórico de violação migratória. A coleta de DNA, contudo, segue restrita a casos individualizados e não se aplica ao fluxo regular de viajantes.
Recomendações práticas para viajantes
Para reduzir tempo de processamento e evitar incidentes, viajantes devem manter o rosto desobstruído ao se aproximar das câmeras: sem óculos escuros, máscaras opacas ou bonés com aba sobre os olhos. Documentos de viagem precisam estar atualizados – passaportes válidos, green cards dentro do prazo e vistos corretos para a finalidade da visita.
- Cidadãos brasileiros sem visto americano válido continuam precisando de B-1/B-2 ou ESTA equivalente quando aplicável.
- Portadores de green card devem viajar com o cartão físico ou, em caso de validade vencida, com o Form I-90 protocolado e extension notice emitido pelo USCIS.
- Quem participa de programas de pré-inspeção, como Global Entry, terá o reconhecimento facial integrado ao quiosque, geralmente acelerando o fluxo em vez de retardá-lo.
Filas e tempos de processamento
Durante a fase inicial de adaptação, o CBP reportou aumento médio nos tempos de inspeção em portos terrestres e em aeroportos secundários, especialmente em horários de pico. A agência estima que cerca de um milhão de pessoas atravessam diariamente as fronteiras americanas, somando entradas e saídas. Em aeroportos com infraestrutura biométrica madura, como Atlanta, Miami, Los Angeles e Nova York, o impacto sobre filas tem sido modesto. Em fronteiras terrestres com México e Canadá, a curva de aprendizado da nova tecnologia ainda gera atrasos pontuais.
Privacidade e retenção de dados
O DHS estabeleceu protocolos de retenção: imagens faciais de cidadãos americanos são apagadas em até doze horas após a verificação, enquanto imagens de não cidadãos são armazenadas por até setenta e cinco anos no sistema IDENT/HART. Essa diferença de tratamento é alvo de questionamentos por organizações de direitos civis, mas segue vigente como política oficial.
Para o leitor que planeja imigrar ou viajar para os Estados Unidos em 2026, a mensagem principal é clara: a fronteira americana se digitalizou de forma irreversível, e o histórico biométrico passa a ser parte permanente do dossiê migratório de qualquer pessoa que cruza o país. Manter documentação organizada, conhecer os prazos do próprio status e acompanhar avisos oficiais do CBP em cbp.gov são hábitos básicos para quem transita entre o Brasil e os EUA.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.