A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho e os consulados dos Estados Unidos no Brasil seguem operando com filas extensas para entrevistas de visto de turismo. Quem ainda não tem o documento e pretende assistir aos jogos nos onze estádios em solo norte-americano corre risco real de não conseguir agendamento a tempo. O Departamento de Estado mantém o alerta para que torcedores iniciem o processo o quanto antes, já que o tempo de espera entre o pagamento da taxa e a entrevista pode ultrapassar um ano em alguns postos consulares brasileiros.
Por que a demanda explodiu
Esta edição do Mundial é a primeira disputada por 48 seleções e a primeira em três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Das 104 partidas previstas, 78 acontecem em território norte-americano, distribuídas entre Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia, São Francisco e Seattle. A FIFA estima que mais de cinco milhões de torcedores estrangeiros se desloquem para os EUA durante o torneio, pressionando o sistema consular justamente em um período em que ele já vinha congestionado pela retomada pós-pandemia.
O sorteio dos grupos ocorreu em dezembro de 2025, fixando os locais de cada confronto e disparando uma nova onda de pedidos de agendamento nos consulados de Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
O visto certo é o B-1/B-2
Para assistir aos jogos como turista, o brasileiro precisa do visto B-1/B-2, categoria que combina turismo e visitas de negócios de curta duração. Não há visto especial da FIFA, da CBF ou de patrocinadores que substitua o B-1/B-2 para o público comum. Quem já possui o documento válido pode usá-lo normalmente; quem nunca tirou o visto ou está com ele vencido precisa enfrentar todo o trâmite consular antes da viagem.
Brasileiros não fazem parte do programa de isenção Visa Waiver, então mesmo uma escala curta nos EUA exige visto. A entrada com cartão de embarcação ou trânsito direto pelo aeroporto também não dispensa o documento na maioria dos cenários.
Prazos atuais nos consulados brasileiros
O painel de tempos de espera mantido pelo Departamento de Estado mostra variação significativa entre os postos brasileiros. Em abril de 2026, a fila para a primeira entrevista de visto de turismo ultrapassa um ano em São Paulo e Rio de Janeiro, postos com maior demanda. Brasília, Recife e Porto Alegre tendem a apresentar prazos menores, mas ainda assim na casa de meses. Renovações por dispensa de entrevista são mais rápidas, geralmente concluídas em algumas semanas, e devem ser a primeira opção de quem se enquadra nos critérios.
Quem deixar o pedido para os meses imediatamente anteriores ao torneio dificilmente conseguirá entrevista a tempo. A orientação consular é clara: solicitar agora, mesmo sem ter passagem comprada.
Custo e etapas do processo
O processo segue o fluxo padrão. O candidato preenche o formulário DS-160 no site oficial do Departamento de Estado, paga a taxa MRV de US$ 185 e agenda dois compromissos consecutivos: a coleta de biometria no Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (CASV) e a entrevista no consulado. A taxa MRV não é reembolsável, mesmo em caso de negativa.
É possível agendar atendimento em qualquer um dos cinco consulados, e em algumas situações pode ser estratégico viajar até um posto com fila menor. A documentação básica inclui passaporte com validade de pelo menos seis meses além da estadia prevista, comprovação de vínculos no Brasil (emprego, estudo, família, propriedades) e capacidade financeira para custear a viagem.
Renovação por dispensa de entrevista
Quem teve um visto B-1/B-2 emitido nos últimos 48 meses e que esteja válido ou tenha expirado dentro desse intervalo geralmente se qualifica para renovação drop-box, sem nova entrevista presencial. O candidato preenche o DS-160, paga a MRV e entrega passaporte e documentos no CASV. O caminho é consideravelmente mais rápido e deve ser priorizado por quem se enquadra.
Mudanças recentes nos critérios de elegibilidade da renovação por dispensa exigem atenção: alterações de nome, mudança de categoria de visto ou negativas anteriores podem invalidar a opção, levando o candidato de volta à fila de entrevistas presenciais.
Como reduzir o risco de negativa
A entrevista consular avalia, principalmente, a intenção do viajante de retornar ao Brasil ao fim do passeio. O ônus da prova é do candidato, conforme a seção 214(b) do Immigration and Nationality Act. Apresentar comprovação clara de emprego, vínculos familiares, estudos ou negócios no país é parte central da preparação.
Para a Copa, a indicação do roteiro com partidas, ingressos adquiridos pela plataforma oficial da FIFA e reservas de hotel ajudam a demonstrar finalidade legítima. O oficial consular tem ampla discricionariedade para conceder ou negar o documento, e respostas honestas e consistentes com o DS-160 fazem diferença.
O que esperar na fronteira
Mesmo com visto na mão, a admissão nos Estados Unidos depende de aprovação adicional do oficial da Customs and Border Protection no porto de entrada. Ele decide a duração exata da estadia e registra a permissão no I-94 eletrônico. Para visto B-1/B-2, o prazo máximo costuma ser de seis meses, suficiente para acompanhar todo o torneio e o período de descanso anterior e posterior. O torcedor deve guardar o registro do I-94 e respeitar a data limite, sob pena de comprometer vistos futuros.
Trazer ingressos impressos ou em aplicativo, comprovantes de hospedagem e dinheiro suficiente para a viagem evita questionamentos. A recomendação prática para quem ainda não iniciou o processo é simples: agendar imediatamente, considerar postos consulares com fila menor e ter em mãos toda a documentação para a entrevista. Faltando pouco mais de um mês para o início do Mundial, o tempo é o recurso mais escasso de quem ainda quer estar nas arquibancadas.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.