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Taxa de US$ 100 Mil no H-1B: Como a Nova Regra Reformula o Visto

Proclamação de setembro de 2025 impõe taxa de US$ 100 mil por petição H-1B. Veja impactos no sorteio, alternativas via L-1 e O-1 e o que está em julgamento.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
7 min de leitura
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Taxa de US$ 100 Mil no H-1B: Como a Nova Regra Reformula o Visto

A Proclamação Presidencial assinada em 19 de setembro de 2025 redesenhou o programa H-1B ao introduzir uma taxa única de US$ 100.000 por petição nova. A medida entrou em vigor às 12:01 EDT de 21 de setembro de 2025 e atinge tanto petições sujeitas ao cap quanto pedidos novos fora do sorteio. Em 20 de setembro de 2025, o U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) publicou memorando esclarecendo parte das dúvidas, mas pontos centrais permanecem em aberto.

O impacto vai muito além de uma linha adicional no orçamento. Para grandes corporações, a taxa pode ser absorvida; para startups, universidades, organizações sem fins lucrativos e pequenas e médias empresas, ela pode tornar a contratação H-1B economicamente inviável. Em abril de 2026, a regra continua sendo objeto de litígios e análises regulatórias.

O que a proclamação determina

O texto, intitulado Restriction on Entry of Certain Nonimmigrant Workers, exige que toda nova petição H-1B protocolada após 12:01 EDT de 21 de setembro de 2025 inclua o pagamento de US$ 100.000 para ser processada. A taxa é única por petição, não anual – esclarecimento confirmado pela secretária de imprensa da Casa Branca.

A regra aplica-se a:

  • Petições sujeitas ao cap, incluindo o sorteio H-1B FY 2027
  • Novas petições fora do cap após a data de vigência
  • Empresas de qualquer porte, salvo isenções caso a caso por interesse nacional

A proclamação não atinge atuais detentores de H-1B, extensões e transferências de empregador. Não há, até abril de 2026, definição clara sobre reembolso em caso de negação ou desistência da petição.

Quem paga a taxa

A taxa deve ser paga pelo empregador patrocinador. As regras trabalhistas dos Estados Unidos proíbem que essa cobrança seja repassada ao trabalhador H-1B, sob pena de violação das obrigações da Labor Condition Application apresentada ao Department of Labor (DOL).

Universidades, hospitais públicos e organizações de pesquisa sem fins lucrativos – categorias historicamente isentas do cap – aguardam orientação específica do USCIS sobre se também estão sujeitas à nova taxa. A proclamação prevê exceções por interesse nacional, mas o procedimento de solicitação ainda não foi formalizado em regulamento.

Impacto no sorteio H-1B

O sorteio do FY 2026 recebeu cerca de 343.981 registros elegíveis, queda significativa em relação aos 758.994 do FY 2024 – reflexo das medidas antifraude implementadas pelo USCIS no ciclo anterior. A nova taxa, aplicada na fase de petição (não no registro inicial), tende a aprofundar essa queda.

Estimativas do setor projetam redução adicional de até 50% nos registros para o sorteio do FY 2027, especialmente entre pequenos empregadores que historicamente submetem grandes volumes de aplicações. Como o registro inicial mantém custo simbólico, empresas ainda podem se inscrever, mas pensarão duas vezes antes de avançar para a petição completa de US$ 100.000.

O efeito provável é menos petições especulativas e maior seletividade: empresas tendem a priorizar perfis estratégicos como engenheiros de IA, pesquisadores em biotecnologia e especialistas em semicondutores, em vez de submeter dezenas de candidatos para diluir risco no sorteio.

Aumento dos salários prevalecentes

A política também direciona o Department of Labor a elevar os níveis de salário prevalecente (prevailing wage) usados para validar petições H-1B, PERM, EB-2 e EB-3. Isso aumenta não apenas o custo de protocolo, mas o custo operacional permanente de empregar um trabalhador estrangeiro.

Combinada à taxa de US$ 100.000, a elevação dos salários prevalecentes muda a equação financeira da contratação internacional. Empresas terão que justificar internamente custos significativamente maiores por contratação, o que tende a concentrar o programa em funções críticas e bem remuneradas.

Alternativas: L-1 e O-1 ganham peso

Com o H-1B mais caro, os vistos L-1 e O-1 voltam ao centro do planejamento de mobilidade corporativa.

L-1: transferência intracompanhia

O L-1 permite a transferência de gerentes, executivos (L-1A) ou empregados com conhecimento especializado (L-1B) de uma filial estrangeira para um escritório nos Estados Unidos. Vantagens:

  • Não está sujeito a sorteio nem a cap anual
  • Pathway previsível para multinacionais
  • L-1A pode ser ponte natural para o EB-1C, green card sem necessidade de PERM

Limitações: exige relacionamento qualificado com escritório estrangeiro e pelo menos um ano de emprego prévio no exterior nos últimos três anos. Não atende contratações novas.

O-1: habilidade extraordinária

O O-1 destina-se a indivíduos com habilidade extraordinária em ciências, artes, educação, negócios ou esportes (O-1A), ou em arte e indústria do entretenimento (O-1B). Não tem cap nem sorteio.

O critério é alto: o candidato precisa demonstrar reconhecimento sustentado por meio de prêmios, publicações, citações, atuação como juiz, salário acima da média e contribuições originais ao campo. Atende perfil restrito, mas elimina a fila e o teto financeiro do H-1B.

Riscos para universidades e startups

O efeito secundário mais crítico recai sobre o ecossistema de inovação. Universidades americanas vendem o sonho do trabalho pós-graduação parcialmente como justificativa para o alto custo da educação superior. Se o caminho H-1B fica financeiramente bloqueado para a maioria dos empregadores, estudantes internacionais podem migrar para programas em Canadá, Alemanha, Reino Unido e Austrália – países com pathways de pós-graduação mais previsíveis.

Startups e empresas de médio porte enfrentam o dilema mais agudo. A taxa equivale, em muitos casos, ao salário anual de um engenheiro pleno. Para companhias em estágio inicial, o custo torna-se proibitivo, deslocando a competição por talento para players com maior capacidade financeira.

Litígios e cenário regulatório

A proclamação enfrenta contestações judiciais ativas em abril de 2026. Argumentos centrais incluem:

  • Excesso de poder executivo sobre matéria regida pelo Immigration and Nationality Act
  • Conflito com o regime tarifário estabelecido pelo USCIS via rulemaking formal
  • Ausência de notice-and-comment exigida pelo Administrative Procedure Act

Decisões liminares em cortes federais podem suspender ou modular a aplicação da taxa enquanto o mérito é julgado. Empregadores e candidatos devem acompanhar boletins do USCIS e decisões dos circuitos federais antes de tomar decisões estratégicas de longo prazo.

O que fazer agora

Para empregadores que dependem do H-1B, a recomendação é triplicar o planejamento:

  • Mapear talentos atuais com elegibilidade para L-1, O-1 ou EB-1 e iniciar processos paralelos
  • Avaliar contratação de profissionais já em status H-1B (extensões e transferências não pagam a nova taxa)
  • Reforçar documentação para pleitos de exceção por interesse nacional, sobretudo em áreas críticas como saúde, defesa e infraestrutura digital
  • Acompanhar o calendário do FY 2027 com leitura realista das chances pós-taxa

Para profissionais estrangeiros, vale revisar o portfólio à luz dos critérios do O-1 e considerar pathways alternativos como EB-2 NIW, que dispensa oferta de emprego e patrocinador. A reformulação do H-1B redesenha a porta de entrada profissional para os Estados Unidos – e as alternativas que antes eram secundárias passaram a ocupar o centro do planejamento.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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