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Quem mais deportou nos EUA no século 21: Obama lidera o ranking

Dados oficiais do DHS mostram que Barack Obama removeu mais imigrantes do que qualquer presidente recente. Veja a comparação completa.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 05/05/2026
7 min de leitura
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Quem mais deportou nos EUA no século 21: Obama lidera o ranking

Quando se discute deportação nos Estados Unidos, a percepção pública costuma colocar Donald Trump no centro do debate. A retórica das duas campanhas trumpistas, as imagens de operações de fronteira e o tom agressivo do discurso ajudaram a fixar essa imagem. Os números oficiais, porém, contam outra história: o presidente que removeu mais imigrantes ao longo do século 21 foi Barack Obama, com mais de três milhões de remoções formais ao longo de oito anos de governo.

O dado vem dos relatórios anuais do Office of Homeland Security Statistics (OHSS), órgão estatístico oficial do Department of Homeland Security. Entender por que Obama assumiu, à esquerda do espectro político, o título informal de Deporter in Chief exige separar duas coisas que costumam aparecer misturadas: discurso e prática administrativa. E também exige distinguir, com precisão, o que conta como deportação no sistema americano.

Removal e return: dois números diferentes

A legislação americana opera com duas categorias principais de saída forçada. Removal é a expulsão formal, executada após ordem administrativa ou judicial, com penalidades que incluem proibição de retorno por períodos que vão de cinco anos a permanência. Return é a saída voluntária ou imediata, sem ordem formal, geralmente registrada em pontos de entrada terrestres antes que o processo formal se inicie.

As estatísticas mais citadas referem-se a removals, porque são o ato administrativo mais robusto e geram registro processual. É exatamente nesse critério que a gestão Obama bate todos os recordes recentes. Os números de returns, mais voláteis, eram mais altos nas administrações anteriores ao endurecimento operacional dos anos 2000 e voltaram a crescer com o uso emergencial do Título 42 entre 2020 e 2023.

Os números do governo Obama

Entre 2009 e 2017, o governo Obama executou aproximadamente 3,1 milhões de removals, segundo as séries históricas do DHS. O ano fiscal de 2013 foi o mais alto, com cerca de 432 mil remoções, considerado o pico recente do programa de enforcement. A média ficou em torno de 380 mil remoções por ano fiscal, com queda gradual nos últimos anos do segundo mandato.

Cerca de 55% dos removidos em 2011 tinham alguma condenação criminal registrada, segundo o DHS. O percentual subiu nos anos seguintes, à medida que a administração reorientou explicitamente as prioridades operacionais para alvos com histórico criminal e recém-chegados ao país.

Por que o democrata deportou tanto

A pergunta tem duas respostas que se sobrepõem. A primeira é tática: durante o primeiro mandato, a estratégia política era demonstrar controle migratório como moeda de troca para uma reforma legislativa ampla, que daria caminho para legalização de milhões de pessoas em situação irregular. A reforma esbarrou no Congresso e nunca foi aprovada, mas o aparato de enforcement foi instalado e operou com rigor crescente.

A segunda é estrutural: a partir de meados dos anos 2000, com o programa Secure Communities e a expansão das parcerias 287(g) entre ICE e polícias locais, a infraestrutura americana de detenção e remoção ganhou capilaridade que não existia em governos anteriores. Obama herdou esse aparato e o operou com eficiência. O sistema entregava resultados quantitativos altos quase por inércia administrativa.

DACA: a contrapartida

Em 2012, sob pressão de movimentos civis e do eleitorado latino, Obama criou por memorando executivo o DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals). O programa suspendeu temporariamente a remoção de jovens trazidos aos EUA quando crianças e concedeu autorização de trabalho renovável. Cerca de 800 mil pessoas foram beneficiadas ao longo de mais de uma década de operação.

Por ser ato executivo, o DACA permaneceu permanentemente vulnerável a reversões judiciais e mudanças de governo. O primeiro governo Trump tentou encerrá-lo em 2017; a Suprema Corte, em Department of Homeland Security v. Regents of the University of California (2020), barrou o encerramento por falhas processuais, mas não declarou o programa permanente. Decisões posteriores em cortes federais bloquearam novas concessões iniciais, de modo que o DACA segue ativo apenas para renovações.

O primeiro governo Trump (2017-2021)

Apesar do tom mais duro do discurso, o primeiro governo Trump executou cerca de 1,5 milhão de removals em quatro anos, número significativamente abaixo da média Obama. Várias razões explicam o gap: redução do volume de travessias na fronteira no início do mandato, sobrecarga das cortes de imigração, expansão do uso de expedited removal e, sobretudo, a chegada da pandemia em 2020.

Em março de 2020, o governo invocou o Título 42 do U.S. Code, dispositivo de saúde pública, para promover expulsões sumárias na fronteira sem o devido processo migratório. Essas expulsões não entram nas estatísticas de removal, mas geraram milhões de saídas forçadas entre 2020 e a revogação da medida em maio de 2023. O Título 42 foi mantido pelo governo Biden por quase dois anos e meio antes de ser encerrado.

O governo Biden (2021-2025)

Joe Biden assumiu prometendo política migratória mais humanizada. Revogou o programa Remain in Mexico, suspendeu construção de muro, ampliou parole humanitário para venezuelanos, cubanos, haitianos e nicaraguenses, e manteve o DACA. Na prática, no entanto, os números de remoção formal voltaram a subir nos anos finais do mandato.

Em 2024, o ICE registrou cerca de 271 mil removals, o número mais alto desde 2014, segundo o relatório anual da agência. A pressão política sobre fronteira, somada ao fim do Título 42 e ao retorno ao processamento formal de imigração, produziu volumes que se aproximam dos picos da era Obama, ainda que distantes do recorde de 2013.

O segundo governo Trump (a partir de 2025)

Donald Trump retornou à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, com plataforma migratória ainda mais agressiva que a do primeiro mandato. Foram emitidas ordens executivas reativando políticas como Remain in Mexico, ampliando expedited removal ao território nacional inteiro, fechando programas de parole humanitário e aumentando a capacidade de detenção do ICE.

Os primeiros meses de operação registraram aumento expressivo de prisões internas e remoções, com metas operacionais publicamente declaradas pela administração. Os números consolidados do ano fiscal corrente ainda não estão fechados, mas a tendência operacional é de elevação significativa em relação ao primeiro mandato.

O que esses números dizem

A leitura honesta dos dados oferece três conclusões. Primeiro, política migratória é política de Estado, não de governo: a infraestrutura administrativa instalada nas décadas de 1990 e 2000 opera com inércia que atravessa partidos. Segundo, discurso e prática raramente coincidem: governos democratas executam volumes de remoção comparáveis ou superiores aos de governos republicanos quando suas estruturas estão consolidadas. Terceiro, quem está fora das regras tem margem mínima de erro, independentemente de qual partido controla a Casa Branca.

Para quem planeja morar legalmente nos EUA, a moral prática é direta: a opção viável é construir o caminho dentro do sistema, com base em categorias estabelecidas (vistos de trabalho, family-based, EB-2 NIW, EB-5, EB-1, asilo legítimo). Caminhos informais, em qualquer cenário político, ficam expostos ao risco de remoção.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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