O EB-2 NIW é hoje uma das vias mais procuradas para o green card por um motivo direto: é uma das poucas categorias que permite ao próprio profissional peticionar, sem depender de oferta de emprego. Essa autonomia atraiu um volume recorde de candidatos — e, com ele, um escrutínio muito maior das autoridades americanas. Entender como posicionar a petição diante das prioridades tecnológicas do país, com destaque para a inteligência artificial, tornou-se um diferencial decisivo entre a aprovação e o pedido de evidências adicionais.
Um salto na procura
Os números explicam o cenário. As petições de National Interest Waiver saltaram de cerca de 22 mil no ano fiscal de 2022 para mais de 66 mil no ano fiscal de 2025 — praticamente o triplo em três anos. O crescimento veio acompanhado de análise mais dura: no quarto trimestre do ano fiscal de 2025, a taxa de indeferimento do NIW chegou a 64,3%, a primeira vez em que, num único trimestre, mais pedidos foram negados do que aprovados. No acumulado do ano, a taxa de negativa ficou em torno de 44,8%, contra pouco mais de 4% em 2022.
Boa parte dessas negativas — muitas por RFE (Request for Evidence) — decorre de argumentos vagos ou genéricos sobre a contribuição do candidato. Num ambiente tão competitivo, a estratégia mais eficaz para superar o teste de importância nacional do precedente Matter of Dhanasar é conectar a petição diretamente ao mandato tecnológico prioritário do país.
Os três pilares do Dhanasar
O NIW é avaliado sob três requisitos definidos no precedente Matter of Dhanasar. Primeiro, o empreendimento proposto precisa ter mérito substancial e importância nacional. Segundo, o candidato deve estar bem posicionado para levá-lo adiante, considerando formação, experiência, histórico de sucesso e planos concretos. Terceiro, é necessário mostrar que, no balanço geral, beneficia os Estados Unidos dispensar a exigência de oferta de emprego e a certificação laboral. Alinhar-se às prioridades de IA fortalece sobretudo o primeiro pilar, mas a petição só se sustenta quando os três estão bem amarrados.
A IA no topo da agenda
Em julho de 2025, o governo americano publicou o documento Americas AI Action Plan, que trata a liderança global em inteligência artificial como um imperativo de segurança nacional. A IA figura como prioridade número um da agenda tecnológica, e o plano detalha frentes específicas de pesquisa e desenvolvimento — um material valioso para demonstrar o primeiro requisito do padrão Dhanasar: mérito substancial e importância nacional.
Entre os campos expressamente citados estão:
- Ciências da vida e saúde: descoberta de fármacos e síntese química assistidas por IA, sequenciamento de genoma completo, modelagem de estruturas de proteínas e biosegurança.
- Manufatura de nova geração: robótica e sistemas autônomos (drones e veículos autônomos), tecnologias de manufatura e resiliência de cadeias de suprimento de hardware.
- Energia e infraestrutura elétrica: fissão e fusão nuclear, energia geotérmica avançada, gestão de rede e soluções energéticas eficientes para data centers.
- Hardware e semicondutores: reindustrialização da fabricação de chips, design de semicondutores para IA e segurança de hardware.
- Cibersegurança e segurança de IA: interpretabilidade e controle de modelos, proteção contra ataques adversariais (envenenamento de dados e deepfakes) e resposta a incidentes em infraestrutura crítica.
- IA fundacional e ciência de dados: pesquisa teórica e experimental, criação de grandes bases científicas e formação de talentos especializados.
Como definir o endeavor
Alinhar o proposed endeavor — o empreendimento proposto — a uma dessas frentes exige clareza sobre o papel concreto da IA no trabalho. Em um projeto de descoberta de medicamentos, por exemplo, vale demonstrar como a inteligência artificial encurta o tempo de desenvolvimento para doenças raras ou orienta o desenho de candidatos a fármaco em ensaios futuros. Quanto mais tangível a conexão entre a tecnologia e o benefício nacional, mais sólido o argumento.
Comprovar a própria expertise
Ancorar-se numa prioridade nacional resolve apenas parte do desafio. O EB-2 NIW também exige provar que o candidato tem qualificação para conduzir aquele empreendimento. Os adjudicadores do USCIS querem ver como a formação e a trajetória profissional preparam o peticionário para entregar o que promete.
Na prática, isso significa reunir evidências concretas: título de pós-graduação com especialização na área, artigos científicos em que a IA integrou a metodologia e um histórico verificável no setor. A reputação no campo tende a se fortalecer com cartas de recomendação de outros especialistas reconhecidos, redigidas de forma específica e não genérica.
O argumento do tempo
Por fim, a petição precisa convencer o USCIS de que o país não pode esperar pelo processo tradicional de certificação laboral. O argumento é direto: submeter o profissional ao PERM, que pode levar cerca de dois anos, adiaria avanços estratégicos em IA e colocaria os Estados Unidos em desvantagem diante de concorrentes internacionais. Demonstrar esse custo de oportunidade — o prejuízo ao interesse nacional causado pela demora — costuma ser o elo que fecha o terceiro requisito do padrão Dhanasar e sustenta a dispensa da oferta de emprego.
Aprenda mais sobre o EB-2 NIW
- Tipo
- National Interest Waiver
- Auto-petição
- Permitida (sem patrocinador)
- PERM
- Dispensado
- Processo
- 12-24 meses
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Sobre o autor
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.