Toda terceira segunda-feira de fevereiro, os Estados Unidos param para celebrar o Presidents’ Day, um dos feriados federais mais simbólicos do calendário americano. A data combina memória histórica, descanso prolongado e uma temporada de promoções no varejo que se tornou parte da paisagem cultural do país. Para quem vive ou planeja se mudar para os EUA, entender o que está aberto e fechado nesse dia é mais útil do que parece.
Embora muitos brasileiros conheçam apenas o nome em inglês, o feriado tem uma trajetória complexa. Nasceu como homenagem ao primeiro presidente do país, evoluiu para honrar todos que ocuparam o cargo e, em alguns estados, ganhou contornos particulares que misturam personagens históricos diferentes. Em 2027, por exemplo, a celebração cairá em 15 de fevereiro.
Origem e significado da data
O Presidents’ Day tem raízes no século XIX, quando o aniversário de George Washington, em 22 de fevereiro, passou a ser celebrado informalmente como um dia de reverência ao pai fundador dos Estados Unidos. Em 1879, o Congresso oficializou a data como feriado federal, inicialmente restrito a Washington, D.C., e em 1885 estendeu o reconhecimento a todo o território nacional.
A virada decisiva veio com o Uniform Monday Holiday Act, sancionado em 1968 e em vigor a partir de 1971. A lei moveu vários feriados federais para a segunda-feira mais próxima, criando fins de semana de três dias para os trabalhadores. Foi assim que o aniversário de Washington passou a ser comemorado na terceira segunda-feira de fevereiro, e não mais no dia 22.
Por que se chama Presidents’ Day
Tecnicamente, o nome federal oficial continua sendo Washington’s Birthday. A designação plural, Presidents’ Day, surgiu de campanhas comerciais nos anos 1980, que aproveitaram a proximidade entre o aniversário de Washington e o de Abraham Lincoln, em 12 de fevereiro, para criar uma data guarda-chuva. O uso popularizou-se a tal ponto que hoje praticamente toda a mídia americana adota a forma plural, ainda que o calendário federal mantenha o nome original.
Como o feriado é celebrado
A maneira como cada região marca a data varia bastante, mas alguns elementos atravessam o país inteiro:
- Desfiles e reencenações: cidades historicamente ligadas à Revolução Americana, como Filadélfia, Boston e Alexandria, na Virgínia, realizam desfiles, demonstrações militares de época e visitas guiadas a casas históricas.
- Liquidações no varejo: redes de móveis, automóveis, eletrônicos e roupas oferecem descontos agressivos, em uma das três temporadas mais fortes do calendário comercial americano, ao lado da Black Friday e do Memorial Day.
- Visitação a Mount Vernon: a antiga residência de George Washington, na Virgínia, abre ao público com programação especial, incluindo entrada gratuita em alguns anos.
- Torta de cereja: referência à lenda de que Washington, ainda menino, teria cortado a cerejeira do pai e confessado o ato. A história é folclórica, mas a torta virou tradição doméstica.
O que fecha no Presidents’ Day
Por se tratar de feriado federal, uma série de serviços públicos suspende as atividades em todo o país:
- Escritórios federais, incluindo USCIS e SSA
- Tribunais federais e estaduais
- Correios USPS, sem entrega regular
- Bancos e a maioria das instituições financeiras
- Bolsas de Nova York (NYSE) e Nasdaq
- Escolas públicas e a maioria das universidades
- Departamentos de Veículos Motorizados (DMV) na maioria dos estados
O comércio em geral permanece aberto, com horários muitas vezes estendidos por causa das promoções. Restaurantes, shoppings e serviços essenciais como hospitais e farmácias funcionam normalmente. Quem precisa resolver pendências com o USCIS, no entanto, deve contar com um dia útil a menos no cronograma do mês de fevereiro.
Como cada estado interpreta o feriado
A autonomia estadual nos EUA produz variações curiosas no nome e até nos homenageados oficiais:
- Virgínia: chama oficialmente de George Washington Day, em referência ao presidente nascido no estado.
- Illinois e Connecticut: mantêm o aniversário de Lincoln como feriado estadual separado, em fevereiro.
- Missouri: reúne homenagens a Washington, Lincoln e Harry Truman, este último filho do estado.
- Alabama: combina, na mesma data, a lembrança de Washington e de Thomas Jefferson.
- Arkansas: celebra Washington junto com Daisy Gatson Bates, ativista dos direitos civis.
- Geórgia: historicamente observava o aniversário de Washington próximo ao Natal, prática hoje em desuso.
Essas diferenças refletem disputas culturais e políticas que atravessam a história americana. Em estados do Sul, por exemplo, a fusão de figuras como Lincoln e Robert E. Lee no mesmo feriado motivou décadas de debate sobre memória e identidade nacional.
Impacto para imigrantes nos EUA
Para quem vive ou planeja se mudar para os Estados Unidos, o Presidents’ Day oferece uma janela prática de adaptação ao calendário americano. Três pontos merecem atenção.
Primeiro, o atendimento federal. Pedidos pendentes no USCIS, agendamentos de biometria e prazos administrativos não correm no feriado. Quem tem deadline próximo deve verificar se o prazo cai em segunda-feira de fevereiro e ajustar o envio com antecedência.
Segundo, o varejo. O feriado é considerado por muitos consumidores americanos o melhor momento do ano para comprar colchões, eletrodomésticos e veículos. Recém-chegados que estão montando casa podem economizar centenas de dólares ao concentrar essas compras na semana do feriado.
Terceiro, o turismo doméstico. O fim de semana prolongado movimenta destinos próximos a Washington, D.C., Filadélfia e Boston, com museus oferecendo programação especial sobre presidentes, Constituição e história americana. É um material acessível e útil para quem está se preparando para o exame de naturalização no futuro.
Datas próximas do feriado
Como a regra é a terceira segunda-feira de fevereiro, o calendário até 2030 ficará assim:
- 2027: 15 de fevereiro
- 2028: 21 de fevereiro
- 2029: 19 de fevereiro
- 2030: 18 de fevereiro
Vale guardar essas datas para planejamento de viagens, agendamentos consulares e prazos com órgãos federais. O Presidents’ Day é, no fim, mais do que um descanso prolongado. É um lembrete de como a estrutura federal e os símbolos nacionais americanos continuam a moldar a vida cotidiana de quem escolhe os Estados Unidos como destino.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.