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Formulário I-94: como funciona e quem mais visita os EUA

Entenda o I-94, o documento que registra sua entrada legal nos EUA, e veja quais países lideram o ranking de visitantes em dados oficiais recentes.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 05/05/2026
9 min de leitura
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Formulário I-94: como funciona e quem mais visita os EUA

Cruzar a fronteira dos Estados Unidos não termina no carimbo do passaporte. O registro que de fato determina por quanto tempo você pode permanecer no país é o formulário I-94, emitido pela Customs and Border Protection (CBP) a cada admissão. Conhecer esse documento, saber consultá-lo e respeitar seus prazos é o que separa uma viagem tranquila de um problema migratório que pode bloquear vistos por anos.

O I-94 também é a base estatística que o governo americano usa para medir o turismo internacional, planejar políticas públicas e avaliar o histórico de cada viajante em pedidos futuros. Por trás dos números frios, ele conta a história de milhões de pessoas que escolhem os Estados Unidos como destino de turismo, estudo, trabalho ou projeto de vida.

O que é o formulário I-94

O I-94 é o registro oficial de entrada e saída de não cidadãos nos Estados Unidos. Desde abril de 2013, a emissão para quem chega por via aérea ou marítima é totalmente eletrônica: o oficial do CBP coleta os dados biométricos e do passaporte, e o sistema gera o documento automaticamente. A consulta é feita no portal oficial i94.cbp.dhs.gov ou pelo aplicativo CBP One.

Para quem entra por via terrestre, vindo do México ou do Canadá, o I-94 ainda exige solicitação manual, presencial na fronteira ou online com até sete dias de antecedência. A taxa atual é de US$ 6, e o documento só passa a valer após apresentação ao oficial no ponto de entrada.

O registro contém dados essenciais: número do I-94, data de admissão, classe de visto (B-1, B-2, F-1, H-1B, entre outros) e a data limite até a qual você pode permanecer legalmente no país. Esse admit until date é o que vale, e não a validade impressa no visto consular.

Por que o I-94 importa tanto

O carimbo do passaporte indica que você entrou, mas o I-94 define quanto tempo você pode ficar. Mesmo com um visto B-1/B-2 válido por dez anos, cada visita é limitada pelo prazo registrado no I-94, normalmente de até seis meses para turistas. Ultrapassar essa data configura o chamado overstay, com consequências severas previstas na seção 212(a)(9)(B) do Immigration and Nationality Act.

Quem permanece além do prazo por mais de 180 dias e deixa o país fica impedido de retornar por três anos. Se a permanência irregular ultrapassar um ano, a barreira sobe para dez anos. Em ambos os casos, a contagem só começa quando o estrangeiro deixa o território americano, e a marca migratória pesa em qualquer pedido futuro de visto, mudança de status ou green card.

O histórico de I-94 também é consultado por consulados, oficiais de imigração e até empregadores que patrocinam vistos de trabalho. Um padrão de entradas curtas, sem ultrapassagens e com saídas dentro do prazo é um dos sinais mais valiosos para demonstrar boa-fé migratória.

Quem mais visita os Estados Unidos

O monitoramento das entradas é feito pelo National Travel and Tourism Office (NTTO), do Departamento de Comércio, com apoio do Department of Homeland Security e da CBP. Os dados são publicados mensalmente e formam a principal base de inteligência sobre turismo internacional do país.

Em 2024, os Estados Unidos receberam aproximadamente 72,4 milhões de visitantes internacionais. A projeção do NTTO indicava 77,1 milhões para 2025, com retomada do patamar pré-pandemia. Os dez países que mais enviaram visitantes registrados pelo I-94 foram, em números arredondados:

  • Canadá: 20,2 milhões
  • México: 17 milhões
  • Reino Unido: 4 milhões
  • Índia: 2,2 milhões
  • Alemanha: 2 milhões
  • Brasil: 1,9 milhão
  • Japão: 1,8 milhão
  • França: 1,7 milhão
  • Coreia do Sul: 1,7 milhão
  • China: 1,6 milhão

Excluídos México e Canadá, que têm fluxo de fronteira terrestre intenso e categorias específicas de admissão, o Brasil aparece entre os quatro maiores emissores de visitantes aéreos. O dado consolida o país como mercado prioritário para o turismo americano, com peso particular em estados como Flórida, Nova York e Texas.

O Brasil no mapa de viajantes

O fluxo brasileiro para os Estados Unidos voltou a crescer com força após a pandemia. Em 2023, cerca de 1,62 milhão de brasileiros viajaram ao país. Em 2024, o número saltou para aproximadamente 1,91 milhão, segundo dados consolidados pelo NTTO e replicados por agências de turismo brasileiras.

Janeiro foi o mês de maior movimento, com cerca de 178 mil entradas, refletindo o pico de férias escolares e temperaturas elevadas no Brasil. Os destinos preferidos foram Flórida (Miami, Orlando e Fort Lauderdale), Nova York e Atlanta. Aproximadamente um terço dos brasileiros desembarcou em Miami, hub histórico da comunidade lusófona.

Além do turismo, o Brasil também ganhou peso entre os emissores de estudantes. Mais de 10 mil brasileiros entraram com visto F-1 em 2024, colocando o país entre os cinco principais mercados de educação internacional para os Estados Unidos. Esse movimento reflete o avanço dos programas de intercâmbio, da retomada de voos diretos e da redução das filas para visto nos consulados americanos no Brasil.

Estados mais procurados

Ao entrar nos Estados Unidos, todo viajante precisa declarar um endereço de destino inicial. Esse dado, cruzado com o I-94, permite ao governo mapear quais estados concentram o maior volume de visitantes estrangeiros. Três pontos lideram historicamente o ranking.

Flórida

Lidera disparado entre os brasileiros, com Miami, Orlando e Fort Lauderdale como portas de entrada principais. Compras, parques temáticos, eventos esportivos e a presença consolidada da comunidade lusófona explicam o volume.

Califórnia

Atrai público diversificado de Ásia, Europa e América Latina. Los Angeles, San Francisco e San Diego combinam turismo cultural, indústria audiovisual e o ecossistema de tecnologia do Vale do Silício, que movimenta viagens de negócios o ano inteiro.

Nova York

A cidade de Nova York mantém o status de capital cultural e financeira global, com forte apelo a viajantes europeus, asiáticos e latinos. JFK e Newark são portas de entrada estratégicas para quem combina turismo com agendas corporativas.

Texas (Houston, Dallas e Austin), Massachusetts (Boston e Cambridge), Illinois (Chicago) e Geórgia (Atlanta) completam o pelotão de estados em ascensão, impulsionados por eventos, polos universitários e custos mais baixos do que as metrópoles costeiras.

Tendências reveladas pelos dados

O comportamento dos visitantes mudou nos últimos anos, e o I-94 evidencia esse movimento. Cresce o volume de viajantes que pesquisam previamente regras de admissão, limites de permanência e exigências documentais antes do embarque, especialmente após a digitalização do formulário e o lançamento do CBP One.

Há também o fenômeno da viagem exploratória: muitos visitantes usam a primeira entrada como oportunidade para conhecer cidades, mercados de trabalho e custo de vida antes de iniciar um processo migratório formal. Vistos de trabalho como H-1B, L-1 e O-1, somados ao green card por categorias EB-2 NIW e EB-5, têm sido buscados com frequência por brasileiros que retornam ao país com plano migratório estruturado.

Outra tendência clara é a descentralização dos destinos. Cidades como Tampa, Nashville, Denver, Portland e Austin registram crescimento expressivo de turistas internacionais, sustentado por eventos culturais, festivais de música, conferências de tecnologia e custo de vida mais acessível.

Sistema ADIS e fiscalização

Por trás do I-94 funciona o Arrival and Departure Information System (ADIS), banco de dados do DHS que cruza informações de manifestos aéreos, registros consulares, autorizações de trabalho e movimentações de fronteira. O sistema permite ao governo identificar overstays, validar histórico em pedidos de visto e gerar estatísticas oficiais.

O ADIS também envia alertas automáticos por e-mail para viajantes próximos do fim do prazo de permanência, lembrando da data de saída obrigatória. Esse mecanismo reduz overstays involuntários, mas a responsabilidade final por monitorar o I-94 é sempre do viajante.

Como corrigir erros no I-94

Eventuais erros no I-94, como nome incorreto, número de passaporte trocado ou data de admissão equivocada, devem ser corrigidos o quanto antes. Quando o erro é da CBP, a correção pode ser feita presencialmente em um Deferred Inspection Site em aeroportos internacionais ou pelos canais oficiais da agência. Se o equívoco veio do USCIS em um processo de mudança ou extensão de status, o caminho é o formulário I-102.

Ignorar inconsistências, mesmo que pareçam pequenas, pode comprometer pedidos futuros de extensão de permanência, mudança de categoria de visto ou ajuste de status para green card. Conferir o I-94 imediatamente após cada entrada e arquivar uma cópia em PDF é uma prática simples que evita problemas anos depois.

Da viagem ao projeto migratório

Para muitos viajantes, a primeira entrada com visto de turismo se torna o ponto de partida de um plano migratório mais amplo. A regra inegociável é jamais usar o B-1/B-2 como porta lateral para morar nos Estados Unidos, prática que configura fraude migratória e gera bloqueios permanentes. O caminho legítimo passa por categorias como F-1 para estudo, H-1B e O-1 para trabalho qualificado, L-1 para transferências corporativas, E-2 para investidores de países com tratado, EB-2 NIW para profissionais com habilidades excepcionais e EB-5 para investimento direto.

Cada categoria tem requisitos próprios de elegibilidade, prazos de processamento e custos. O histórico de I-94 limpo, com todas as saídas dentro do prazo, é um ativo valioso em qualquer um desses pedidos, porque demonstra disciplina migratória e respeito às regras de admissão. Por isso, mais do que registro burocrático, o I-94 é parte da biografia migratória de quem pretende construir uma trajetória legal nos Estados Unidos.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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