Visto n' Visa
Blog
Notícias e artigos
Destinos
Carreiras
Imigrantes

Entrevista no consulado dos EUA: passo a passo completo

Guia prático da entrevista B-1/B-2 nos consulados americanos no Brasil: DS-160, taxa MRV, CASV, perguntas frequentes e como demonstrar vínculos.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
6 min de leitura
Compartilhe
Entrevista no consulado dos EUA: passo a passo completo

A entrevista consular continua sendo a etapa mais decisiva para quem solicita o visto de turismo dos Estados Unidos no Brasil. É ali, em uma conversa que dura poucos minutos, que o oficial avalia se o candidato tem perfil compatível com a categoria pleiteada e se há intenção genuína de retornar ao país de origem. Compreender cada passo do processo, dos formulários iniciais à retirada do passaporte, transforma o que parece um obstáculo em uma sequência previsível e gerenciável.

O fluxo completo do pedido

O processo começa pelo formulário DS-160, preenchido em inglês no site oficial do Departamento de Estado. O documento reúne dados pessoais, profissionais, financeiros e do roteiro de viagem. Cada resposta deve ser exata e consistente, porque o oficial consular usa o DS-160 como roteiro da entrevista. Inconsistências entre o que está escrito e o que é dito presencialmente são uma das principais causas de negativa.

Concluído o DS-160, o candidato cria conta no portal da prestadora oficial de serviços consulares e paga a taxa MRV de US$ 185, convertida em reais com IOF. A taxa não é reembolsável e tem validade de um ano para o agendamento. Em seguida, marcam-se dois compromissos: a coleta de biometria no Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (CASV) e a entrevista propriamente dita em um dos consulados.

Onde solicitar no Brasil

Os consulados que processam vistos de não imigrante são os de Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O candidato pode escolher livremente o posto, sem necessidade de comprovar residência na área de jurisdição. Postos com fila menor podem ser estratégicos para quem tem urgência, embora exijam deslocamento.

O CASV funciona em cidades adicionais, como Belo Horizonte, e atende exclusivamente para biometria e devolução de passaporte. A entrevista presencial só ocorre nos cinco consulados.

Documentos para levar à entrevista

A regra prática é levar tudo que confirma o que foi declarado no DS-160. Os documentos básicos incluem passaporte válido por pelo menos seis meses além da estadia prevista, página de confirmação do DS-160, comprovante de agendamento e comprovante de pagamento da MRV.

Os documentos de apoio variam conforme o perfil. Para trabalhadores assalariados, contracheques recentes, declaração do empregador e contratos. Para autônomos, comprovante de inscrição na Receita, faturamento dos últimos meses e declaração de imposto de renda. Para estudantes, carta da instituição. Para casados, certidão de casamento. Para quem leva filhos, certidões de nascimento. Comprovação de patrimônio, como matrícula de imóveis, e extratos bancários ajudam a demonstrar capacidade financeira e vínculos.

Não há lista oficial de documentos exigidos pelo consulado para B-1/B-2: o ônus da prova é do candidato, e cada caso é avaliado individualmente. Levar um conjunto bem organizado em uma pasta facilita a consulta caso o oficial peça algo específico.

O que esperar no dia

O CASV recolhe impressões digitais e a foto biométrica. A visita é rápida, mas exige passaporte e os comprovantes de DS-160 e MRV. O consulado, em data separada, conduz a entrevista. As entrevistas no Brasil são realizadas em português por padrão, salvo se o candidato preferir outro idioma. A janela é breve, com duração média de três a cinco minutos.

Eletrônicos como celulares, smartwatches e tablets não são permitidos dentro do consulado, e não há serviço de guarda-volumes. O ideal é deixá-los em casa ou no hotel. Mochilas grandes, alimentos e bebidas também são vetados.

Perguntas mais comuns

O oficial costuma confirmar o propósito da viagem, a duração prevista, as cidades de destino e quem custeará a estadia. Questões sobre histórico profissional, escolaridade, viagens anteriores aos Estados Unidos e a outros países, vínculos familiares no Brasil e nos EUA e situação financeira são frequentes. Quem tem parentes próximos vivendo legalmente nos EUA deve mencionar; omitir é arriscado, porque o sistema consular cruza informações com bancos de dados de imigração.

Respostas curtas, diretas e consistentes com o DS-160 funcionam melhor que explicações longas. O oficial não precisa do contexto detalhado, apenas de elementos que confirmem a viabilidade da viagem e a intenção de retorno.

Como o oficial decide

A análise se baseia na seção 214(b) do Immigration and Nationality Act, que presume intenção imigratória até prova em contrário. O candidato precisa demonstrar vínculos suficientemente fortes com o Brasil – emprego estável, propriedades, família, estudos, atividades regulares – para convencer o oficial de que voltará ao fim da viagem. Patrimônio sozinho raramente é suficiente; o que pesa é o conjunto de fatores que tornam a permanência permanente nos EUA economicamente desvantajosa em relação à vida no Brasil.

A negativa por 214(b) não é um veto definitivo: o candidato pode tentar novamente quando suas circunstâncias mudarem. Não há prazo de carência obrigatório, mas tentar logo em seguida sem mudança de perfil normalmente resulta em nova negativa.

Apresentação pessoal

Não há código formal de vestimenta, mas o ambiente é institucional. Roupa social ou casual cuidada transmite seriedade. Bermudas, chinelos e regatas estão fora do padrão esperado. Manter postura tranquila, falar com clareza e olhar para o oficial ajuda a construir confiança durante os poucos minutos disponíveis.

Após a aprovação

Quando o pedido é aprovado, o passaporte fica retido pelo consulado e segue para impressão do visto. A devolução acontece via Sedex pelos Correios para o endereço cadastrado, ou retirada presencial em uma das unidades CASV, conforme a opção feita no agendamento. O prazo médio de devolução é de aproximadamente dez dias úteis, podendo variar.

O visto B-1/B-2 emitido a brasileiros é válido por dez anos, conforme acordo de reciprocidade. A duração de cada estadia, contudo, é definida pelo oficial da Customs and Border Protection no aeroporto de chegada, normalmente em até seis meses, registrados no formulário I-94 eletrônico.

Reagendamento e administrative processing

Faltar à entrevista exige reagendar pelo portal de serviços consulares, sem necessidade de pagar nova MRV se a taxa ainda estiver válida. Já o administrative processing, indicado quando o oficial entrega um aviso azul ao final da entrevista, suspende temporariamente a decisão para checagens adicionais. O prazo costuma variar de algumas semanas a vários meses, e o candidato acompanha pelo CEAC do Departamento de Estado.

Manter as informações no DS-160 atualizadas, comparecer com toda a documentação organizada e responder com honestidade são as três atitudes que mais influenciam o desfecho. A entrevista é breve, mas pesa o suficiente para definir uma viagem ou alterar planos pessoais e profissionais por anos.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

Recomendações de leitura sobre este tema

Outros conteúdos sobre este tema