Pagar a taxa MRV é uma das etapas que mais gera dúvidas em todo o mundo entre quem aplica para um visto americano de não-imigrante. O fluxo do portal oficial não é dos mais intuitivos, os meios de pagamento variam de país para país e o boleto ou recibo emitido nem sempre traz o nome do consulado como beneficiário, o que costuma assustar aplicantes em primeira viagem. Este guia destrincha o processo do começo ao fim para que aplicantes da Índia, Brasil, México, Filipinas, Nigéria e qualquer outro país de origem cheguem ao agendamento sem ruído.
O que é a taxa MRV
MRV significa Machine Readable Visa fee, ou taxa de visto legível por máquina. É a tarifa de processamento cobrada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para todo solicitante de visto de não-imigrante, independentemente da idade, da nacionalidade ou do resultado final do pedido. Bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos pagam exatamente o mesmo valor, e a taxa não é reembolsável em hipótese alguma: visto negado, desistência do processo, perda do agendamento ou cancelamento da viagem não geram devolução.
Sem o pagamento confirmado no sistema consular, o aplicante não consegue agendar a coleta biométrica nem a entrevista no posto consular. Por isso, pagar a MRV é o primeiro marco prático do processo após preencher o formulário DS-160.
Valor da MRV em 2026
Desde junho de 2023, o Departamento de Estado reajustou a tabela de taxas consulares e o valor segue vigente em 2026 para a maioria das categorias de não-imigrante mais procuradas. A taxa MRV para vistos B-1, B-2, F-1, M-1, J-1 e C-1 é de US$ 185 por aplicante. Vistos baseados em petição, como H-1B, L-1, O-1, P-1 e Q-1, custam US$ 205, e vistos de tratado como E-1 e E-2 saem por US$ 315. O pagamento sempre é feito em moeda local pela cotação consular do dia, geralmente um pouco acima do câmbio comercial.
Onde pagar: o portal oficial
O pagamento da MRV é centralizado em um portal global operado em parceria com o Department of State, com versões regionais por país. O endereço base é ais.usvisa-info.com, com sufixo de localidade para cada mercado consular. Aplicantes encontram a versão correta a partir do site do consulado americano do país onde aplicarão.
Nenhum outro canal cobra a taxa oficial. Sites que prometem agilizar o pagamento, gerar boletos paralelos ou liberar o agendamento por fora costumam embutir tarifas de serviço e não substituem o portal oficial. O risco de pagar fora do canal correto é duplo: dinheiro perdido e processo travado.
Passo a passo do pagamento
Crie a conta no portal
Após acessar o portal regional, o aplicante cria uma conta com nome completo idêntico ao do passaporte, data de nascimento, número do passaporte e o número de confirmação do DS-160 já submetido. Qualquer divergência entre o que está no portal e o que aparece no DS-160 pode impedir o atendimento na coleta biométrica. Depois que a taxa é paga, o nome do solicitante fica congelado e não pode ser alterado.
Entre na seção de pagamento
Com a conta criada, o aplicante navega até a área de pagamento da taxa MRV. O sistema exibe os dados do solicitante, o valor em dólar e o equivalente em moeda local pela cotação consular do dia. Em pedidos coletivos, como uma família aplicando junto, todos os integrantes aparecem listados e o valor total é somado automaticamente para um único pagamento.
Escolha a forma de pagamento
As formas de pagamento variam significativamente entre países e refletem o ecossistema financeiro local. No portal brasileiro, por exemplo, o aplicante encontra cartão de crédito internacional, boleto bancário emitido por um banco local conveniado e, mais recentemente, PIX. No portal indiano, são aceitos NEFT, IMPS e pagamento via cartão de débito conectado à rede local. No portal mexicano, predomina o BBVA Bancomer com referência de pagamento. No portal nigeriano, transferências bancárias domésticas. A regra prática é que cada portal regional lista os métodos válidos para aquele país, e tentar pagar de outra forma trava o processo.
Pagamentos por cartão de crédito internacional, quando aceitos, costumam liberar o agendamento de forma imediata. Boletos, transferências e referências bancárias normalmente exigem de 1 a 5 dias úteis de compensação. Quando o portal local oferece um método instantâneo como PIX no Brasil ou UPI em alguns mercados, a liberação acontece em minutos.
Confirme e guarde o comprovante
Antes de confirmar, vale revisar todos os dados na tela. Após o pagamento, o portal exibe uma confirmação e o comprovante deve ser arquivado: print da tela, PDF do recibo, comprovante do banco ou notificação do aplicativo financeiro. Esse documento é a prova de que o pagamento existe, caso o sistema demore a refletir.
Aguarde a liberação do agendamento
Quando o pagamento é reconhecido pelo sistema consular, o calendário de agendamento abre automaticamente para o aplicante escolher as datas da coleta biométrica e da entrevista no consulado. A janela disponível depende da demanda do posto consular, que varia bastante entre países: mercados como Índia, Brasil e México costumam ter filas mais longas, enquanto consulados em capitais europeias têm slots mais próximos.
Por que o beneficiário do boleto não é o consulado
Em vários países, o aplicante estranha ao ver que o boleto, transferência ou referência de pagamento não traz o nome do consulado americano como beneficiário. Isso é normal e ocorre em quase todos os mercados. O processamento financeiro é terceirizado para uma empresa contratada pelo Department of State, que repassa o valor ao consulado após a compensação. O nome dessa empresa varia por país, e o documento é legítimo desde que tenha sido gerado dentro do portal oficial.
Validade do pagamento
A MRV paga vale por 365 dias a partir da data de confirmação no sistema. Se o aplicante não realizar o agendamento da entrevista dentro desse prazo, a taxa expira e é preciso pagar novamente para retomar o processo. A regra anterior, que dava 12 meses contados da data do pagamento, foi mantida após o reajuste de 2023, então quem se planeja com calma ainda tem fôlego, mas convém não deixar para a última semana, sobretudo em mercados com calendário consular saturado.
Erros comuns que travam o processo
- Pagar fora do portal regional oficial, induzido por anúncios ou intermediários.
- Usar cartão de débito doméstico, cartão virtual sem função internacional ou cartão pré-pago em portais que exigem crédito internacional.
- Deixar o boleto, referência ou transferência expirar antes de pagar e gerar um novo.
- Pagar duas vezes na tentativa de acelerar o processo, criando duplicidade que o sistema não resolve sozinho.
- Não guardar o comprovante.
- Preencher nome ou número de passaporte diferente do DS-160, o que invalida o atendimento na biometria.
Perguntas que mais aparecem
Posso parcelar a taxa MRV? Não. Em todos os portais regionais, o pagamento é à vista, sem opção de parcelamento, independentemente do método escolhido.
A taxa é devolvida se o visto for negado? Não. A MRV é uma taxa de processamento, não uma garantia de emissão. Negativa, desistência, cancelamento ou perda do agendamento não geram reembolso.
Posso pagar a taxa de outra pessoa? Sim, qualquer pessoa pode pagar pela MRV de outra com cartão, transferência ou referência bancária. O que não é permitido é transferir a taxa entre solicitantes, porque cada pagamento fica vinculado ao número do DS-160 do aplicante.
Posso pagar a MRV em outro país e fazer a entrevista em outro? Cada portal regional emite uma MRV vinculada à rede consular daquele país. Aplicar em um posto consular fora do país de residência habitual é possível em alguns casos, mas exige confirmar com o consulado escolhido se aceita o pagamento feito em outro mercado, e nem sempre a aceitação é garantida.
O pagamento da MRV é simples quando o aplicante segue o canal certo: portal regional oficial, dados consistentes com o DS-160 e método de pagamento listado pelo próprio sistema. Confirmado o pagamento, o calendário libera e o processo avança para a próxima etapa, que é o agendamento da coleta biométrica e da entrevista consular.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.