O estoque de investimentos diretos de empresas brasileiras nos Estados Unidos alcançou US$ 22,1 bilhões em 2024, segundo mapeamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em julho de 2025. O crescimento foi de 52,3% em uma década, comparado aos US$ 14,5 bilhões registrados em 2014. Mais de 70 companhias nacionais mantêm operações produtivas em solo americano, distribuídas por 23 dos 50 estados, com aporte de mais de US$ 3,3 bilhões em novos projetos anunciados entre 2020 e 2024.
Esses números não representam apenas fluxo financeiro. Cada planta industrial, cada centro de distribuição e cada escritório aberto nos EUA exige estrutura legal, trabalhadores transferidos e, em muitos casos, vistos de trabalho e investimento. Entender onde e como esse capital brasileiro se distribui é fundamental para quem planeja internacionalizar negócios ou buscar oportunidades em operações brasileiras nos Estados Unidos.
Setores que Lideram
A concentração setorial dos investimentos brasileiros revela prioridades claras. O segmento de alimentos e bebidas responde por 22,8% do estoque total, impulsionado por operações de grande porte como as da JBS, que anunciou US$ 807 milhões em novos projetos entre 2020 e 2024, e da Bauducco Foods, com US$ 200 milhões. O setor reflete a força agroindustrial brasileira adaptada ao mercado consumidor americano.
Em seguida aparecem plásticos (12,4%), produtos de consumo (9,8%), software e serviços de TI (9,6%) e metais (9,3%). A presença relevante de tecnologia da informação sinaliza que a internacionalização brasileira não se limita a commodities. Empresas de software e serviços digitais vêm utilizando os EUA como base para escalar operações globais, transferindo executivos e engenheiros por meio de vistos corporativos.
Outros destaques incluem a Omega Energia, com US$ 420 milhões em projetos de energia renovável, a Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões no setor de metais) e a Embraer (US$ 192 milhões), consolidando presença brasileira nos setores aeroespacial e siderúrgico americanos.
Onde Estão as Empresas
A distribuição geográfica segue uma lógica de proximidade com mercados consumidores, infraestrutura logística e incentivos estaduais. A Flórida lidera com 12 empresas brasileiras em operação produtiva, favorecida pela proximidade cultural, pela comunidade brasileira já estabelecida e pelo ambiente favorável a negócios internacionais.
A Geórgia aparece em segundo lugar com 7 empresas, seguida por Michigan, Minnesota, Missouri e Nova York, cada um com 6 operações. Tennessee e Texas completam o grupo principal, com 5 empresas cada. Juntos, esses oito estados concentram a maior parte da atividade produtiva brasileira no país.
A dispersão por 23 estados indica maturidade na estratégia de internacionalização. Não se trata de concentração oportunista em um único polo, mas de decisões baseadas em cadeia de suprimentos, acesso a mão de obra qualificada e proximidade com clientes industriais americanos.
Vistos para Quem Investe
A expansão de empresas brasileiras nos EUA cria demanda concreta por categorias específicas de vistos. A mais utilizada por empresas que transferem executivos e gerentes para subsidiárias americanas é o visto L-1, que permite a transferência intracompanhia de funcionários com pelo menos um ano de serviço na matriz. As taxas de petição (Formulário I-129) totalizam aproximadamente US$ 2.485, com opção de processamento premium por US$ 2.965 a partir de março de 2026.
O L-1A se aplica a gerentes e executivos, com permanência inicial de até três anos, extensível a sete. O L-1B atende funcionários com conhecimento especializado, com limite de cinco anos. Ambas as categorias permitem que o cônjuge solicite autorização de trabalho nos Estados Unidos.
Para investidores individuais que buscam residência permanente, o green card EB-5 exige investimento mínimo de US$ 800.000 em áreas de emprego direcionado (TEA) ou US$ 1.050.000 em áreas regulares, com a criação de pelo menos 10 empregos diretos. Esses valores estão programados para reajuste por inflação em janeiro de 2027.
Uma distinção importante: o Brasil não é signatário de tratado que dê acesso ao visto E-2 de investidor. Brasileiros com dupla cidadania de um país com tratado ativo, como Itália, Portugal, Espanha ou Japão, podem utilizar o E-2 por essa via. Para quem não possui dupla cidadania, as rotas mais diretas permanecem o L-1 (via empresa) e o EB-5 (via investimento pessoal com green card).
Oportunidades para Profissionais
O crescimento das operações brasileiras nos EUA gera oportunidades que vão além dos investidores e executivos de alto escalão. Plantas industriais precisam de engenheiros, técnicos, gerentes de operações e especialistas em compliance regulatório americano. Escritórios de tecnologia demandam desenvolvedores, cientistas de dados e product managers familiarizados com o mercado brasileiro e latino-americano.
Para profissionais brasileiros, isso significa que há empregadores nos EUA com operação e cultura corporativa brasileiras, o que pode facilitar tanto o patrocínio de vistos de trabalho quanto a adaptação ao ambiente profissional americano. Empresas com presença em ambos os países também oferecem a possibilidade de iniciar a carreira na operação brasileira e posteriormente ser transferido para os EUA por meio do L-1, uma rota consolidada em multinacionais de todos os portes.
Do ponto de vista macroeconômico, o estoque de US$ 22,1 bilhões ainda é modesto diante dos fluxos globais de investimento direto estrangeiro, o que indica espaço significativo para crescimento. A diversificação setorial e geográfica será determinante para a resiliência dessas operações frente a mudanças regulatórias, políticas comerciais e variações cambiais.
A política americana de atração de investimentos produtivos estrangeiros, combinada com a crescente sofisticação das empresas brasileiras em mercados internacionais, sugere que o movimento de internacionalização deve se intensificar. Para quem planeja participar dessa expansão, entender as rotas migratórias disponíveis é tão estratégico quanto dominar o plano de negócios.
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Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.