Visto n' Visa
Blog
Notícias e artigos
Destinos
Carreiras
Imigrantes

Bagagem para os EUA: o guia completo do que pode e não pode levar

Manual prático sobre medicamentos, alimentos, bebidas, cosméticos e eletrônicos: o que CBP, TSA, FDA e USDA permitem ou proíbem na entrada nos Estados Unidos.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 06/05/2026
8 min de leitura
Compartilhe
Bagagem para os EUA: o guia completo do que pode e não pode levar

Preparar a mala para uma viagem aos Estados Unidos exige mais do que escolher roupas e organizar pertences. As regras da Customs and Border Protection (CBP), da Transportation Security Administration (TSA), da Food and Drug Administration (FDA) e do Departamento de Agricultura (USDA) são rigorosas, e o desconhecimento pode resultar em apreensão de itens, multas, detenção e até deportação. Casos recentes de viajantes detidos por levarem medicamentos controlados sem prescrição em inglês mostram que um descuido aparentemente pequeno pode encerrar a viagem antes mesmo dela começar.

Este guia consolida as principais regras vigentes em 2026 sobre o que pode e o que não pode entrar na bagagem com destino aos EUA, separando bagagem de mão e bagagem despachada, e detalhando categorias sensíveis como medicamentos, alimentos, bebidas, cosméticos e eletrônicos. O objetivo é evitar surpresas no aeroporto e garantir que a entrada no país seja tranquila.

Medicamentos sob controle rígido

Medicamentos representam a categoria de risco mais alto para viajantes brasileiros e latino-americanos. Substâncias vendidas livremente em farmácias da América Latina podem ser controladas, restritas ou simplesmente proibidas nos Estados Unidos. A regulação é dividida entre a FDA, que controla a aprovação de medicamentos para uso no país, e a Drug Enforcement Administration (DEA), que regula substâncias controladas.

Opioides como tramadol, codeína e oxicodona, e benzodiazepínicos como diazepam e clonazepam (Rivotril), são substâncias controladas. Mesmo com prescrição médica brasileira, o viajante deve apresentar receita traduzida para o inglês, manter o medicamento em embalagem original com bula, e levar apenas a quantidade necessária para a estadia. A DEA pode exigir autorização prévia em casos específicos.

Medicamentos proibidos

A dipirona (metamizol), analgésico amplamente consumido no Brasil, é proibida nos Estados Unidos desde 1977 por risco de agranulocitose, uma redução grave de glóbulos brancos. Anfetaminas sem prescrição local, certos compostos para emagrecimento e fórmulas manipuladas com substâncias não aprovadas pela FDA também não podem entrar no país. Antes de viajar, vale consultar a base da DEA em dea.gov/drug-information e o capítulo 9-2 do Manual de Procedimentos Regulatórios da FDA.

Boas práticas para viajantes

  • Mantenha o medicamento na embalagem original com bula e instruções do médico
  • Carregue receita médica traduzida para o inglês ou carta do médico explicando a condição clínica
  • Leve apenas o equivalente a até 90 dias de uso pessoal
  • Para estadias mais longas, é possível receber medicamentos por correio mediante comprovação de uso pessoal
  • Cidadãos americanos, em regra, não podem importar medicamentos comprados no exterior, exceto em circunstâncias específicas previstas pela FDA

Cosméticos e produtos de higiene

A regra que rege líquidos, géis e aerossóis na bagagem de mão é a 3-1-1 da TSA: frascos de até 100 ml cada, todos acondicionados em uma única sacola plástica transparente e fechável de aproximadamente um litro, com limite de uma sacola por passageiro. Hidratantes, perfumes, bases líquidas, máscaras faciais, desodorantes em gel e produtos similares se enquadram nesta regra.

Na bagagem despachada, não há limite de volume por frasco, mas aerossóis inflamáveis com alta concentração de álcool (como certos sprays de cabelo e laquês) são proibidos. Frascos mal vedados representam risco de vazamento e podem resultar em descarte pela companhia aérea. Cosméticos sólidos, como batons, pó compacto, shampoo em barra e blush em bastão, ficam fora da regra 3-1-1 e podem ser transportados livremente na bagagem de mão.

Alimentos e produtos agrícolas

O USDA mantém um dos sistemas de fiscalização agrícola mais rígidos do mundo, com o objetivo de proteger a agricultura americana de pragas, doenças e contaminantes. A regra geral é declarar todo e qualquer alimento ao oficial da CBP no formulário de declaração aduaneira (CBP Form 6059B). Não declarar pode gerar multa civil de até US$ 10.000 e atrasar significativamente a entrada no país.

Permitidos com cautela

  • Alimentos industrializados e bem embalados: biscoitos, chocolates, café torrado em grão ou moído, enlatados não cárneos
  • Pães, bolos e doces sem recheio de carne ou frutas frescas
  • Especiarias secas (exceto folhas frescas de cítricos)
  • Doces e balas de fabricação industrial
  • Leite materno e fórmula infantil em quantidades razoáveis, declarados à fiscalização

Proibidos

  • Carnes frescas, secas, defumadas ou processadas (incluindo charque, jerky, presunto curado, salame, carne seca)
  • Frutas e vegetais frescos sem certificado fitossanitário
  • Sementes não processadas e plantas vivas
  • Laticínios artesanais, queijos macios não pasteurizados, iogurtes caseiros
  • Mel não comercializado em embalagem industrial
  • Ovos e produtos derivados de aves de países com gripe aviária ativa

Bebidas alcoólicas

Na bagagem de mão, bebidas alcoólicas seguem a regra 3-1-1: apenas miniaturas de até 100 ml dentro da sacola transparente. Compras no duty-free após a inspeção de segurança podem ultrapassar esse limite, desde que estejam em sacola lacrada do estabelecimento, com nota fiscal visível, e permaneçam fechadas até o destino final. Atenção: em conexões internacionais com novo controle de segurança nos EUA, a sacola pode ser confiscada se o líquido exceder 100 ml.

Na bagagem despachada, valem três regras técnicas:

  • Bebidas com teor alcoólico abaixo de 24% (cerveja, vinho, alguns licores leves): sem limite específico de volume além das regras da companhia aérea
  • Bebidas com teor entre 24% e 70% (a maioria dos destilados): limite de 5 litros por passageiro, em embalagem comercial fechada
  • Bebidas com teor superior a 70%: proibidas em qualquer bagagem por serem consideradas material inflamável perigoso

Mesmo dentro dos limites federais, alguns estados americanos têm leis próprias sobre importação de álcool. O viajante precisa verificar se o estado de destino impõe restrições adicionais ou taxas estaduais.

Eletrônicos e baterias de lítio

Baterias de lítio soltas, power banks e baterias de reposição não podem ser despachadas no porão da aeronave por risco de superaquecimento e incêndio. Devem viajar exclusivamente na bagagem de mão. Dispositivos com bateria integrada não removível, como notebooks, tablets, smartphones e câmeras, podem ir despachados, mas a recomendação da Federal Aviation Administration (FAA) é levá-los na bagagem de mão para resposta rápida em caso de emergência.

Power banks têm limites adicionais: até 100 Wh são permitidos sem aprovação prévia, entre 100 Wh e 160 Wh exigem aprovação da companhia aérea, e acima de 160 Wh são proibidos em voos comerciais.

Itens proibidos por categoria

Bagagem de mão

  • Líquidos, géis e aerossóis em frascos acima de 100 ml fora do duty-free lacrado
  • Objetos pontiagudos: facas, tesouras com lâmina superior a 6 cm, agulhas de tricô longas, alicates
  • Ferramentas pesadas: martelos, chaves de fenda longas, serras
  • Mais de um isqueiro comum por passageiro
  • Armas de fogo, munições e réplicas realistas

Bagagem despachada

  • Baterias de lítio soltas e power banks
  • Aerossóis inflamáveis e fluidos altamente combustíveis
  • Carnes frescas, frutas e vegetais frescos não inspecionados pelo USDA
  • Produtos falsificados (bolsas, relógios, eletrônicos piratas)
  • Substâncias ilegais sob lei federal, incluindo cannabis em qualquer forma, mesmo proveniente de estados onde o uso é legalizado

Inspeção de bagagem e dispositivos eletrônicos

A CBP tem autoridade legal para inspecionar bagagens, dispositivos eletrônicos, telefones celulares e contas de redes sociais de qualquer pessoa que entre nos Estados Unidos, sem necessidade de mandado judicial. A política tem se intensificado nos últimos anos, com foco em verificar a consistência entre o motivo declarado da viagem e o conteúdo encontrado em mensagens, e-mails e perfis públicos.

Recomenda-se evitar mensagens, contratos ou conversas que possam sugerir trabalho não autorizado, intenção de imigrar permanentemente sob visto de turista, ou atividades incompatíveis com o status migratório solicitado. Documentos como reservas de hotel, passagem de retorno, comprovantes de vínculo empregatício no país de origem e itinerário detalhado ajudam a demonstrar nonimmigrant intent.

Dispositivos médicos e necessidades especiais

Próteses, marca-passos, bombas de insulina, sutiãs pós-cirúrgicos e demais dispositivos médicos integrados ao corpo são reconhecidos pela TSA como itens de necessidade médica. Não é obrigatória a remoção durante a inspeção de raio-x. O passageiro deve informar o agente antes da revista, que pode oferecer inspeção alternativa por contato manual ou detector de metais portátil. Receitas oftalmológicas e óculos reservas também são recomendados para evitar transtornos em caso de perda.

Antes de fechar a mala

A regra de ouro é a transparência: declare tudo o que estiver em dúvida no formulário aduaneiro e responda às perguntas da CBP com clareza. Esconder itens proibidos pode transformar uma simples apreensão em multa, ou em casos extremos, em recusa de entrada e impedimento de retorno futuro. Consulte sempre antes do embarque a página oficial What Can I Bring? da TSA, o site da CBP e as orientações da companhia aérea, já que regras podem mudar com curto prazo de notificação.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

Recomendações de leitura sobre este tema

Outros conteúdos sobre este tema