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Vistos para Profissionais Internacionais Qualificados Batem Recordes nos EUA

Em 2024, EB-2, EB-1, H-1B e O-1 atingiram recordes globais de emissão. Entenda os números, o que cada categoria exige e por que a demanda segue forte em 2026.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 05/05/2026
8 min de leitura
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Vistos para Profissionais Internacionais Qualificados Batem Recordes nos EUA

O ano fiscal de 2024 marcou um divisor de águas para a imigração qualificada nos Estados Unidos. Pela primeira vez na história, várias categorias de visto baseadas em mérito profissional bateram recordes simultaneamente, refletindo uma combinação de fatores: amadurecimento da formação científica em diversos países emissores, escassez estrutural de talentos no mercado norte-americano e maior sofisticação dos petitioners ao montar casos consistentes para USCIS e Department of State.

Os dados consolidados pelo Department of State mostram um padrão claro: profissionais internacionais estão deixando de ser candidatos majoritariamente turísticos para se tornarem peças relevantes nas categorias de mais alto valor agregado. As cinco categorias com maior crescimento percentual em 2024 sobre a média da década anterior pertencem todas ao espectro employment-based.

Antes de mergulhar nos números, vale entender o que está em jogo. Cada um desses vistos pertence a um regime regulatório distinto, com requisitos próprios definidos pela Immigration and Nationality Act (INA) e pelas Federal Regulations. O perfil que serve para um EB-1 raramente serve para um H-1B, e vice-versa. Saber em qual rota a sua trajetória se encaixa é o primeiro passo de qualquer planejamento sério.

Os números que entraram para a história

O destaque absoluto de 2024 foi o EB-2, categoria de imigrante destinada a profissionais com grau avançado ou habilidades excepcionais. Globalmente, os números bateram recordes históricos, confirmando uma tendência observada desde a Matter of Dhanasar (2016), decisão da Administrative Appeals Office que tornou o National Interest Waiver mais previsível para profissionais de áreas STEM, saúde e empreendedorismo.

Em segundo lugar veio o H-1B, com a loteria recebendo mais de 780 mil registros válidos no ciclo de seleção. O número confirma o padrão de demanda consistente por profissionais altamente especializados em tecnologia, finanças e engenharia. O ciclo de loteria do H-1B permanece competitivo, com cap anual de 65.000 mais 20.000 para detentores de mestrado em universidades americanas.

O terceiro destaque foi o O-1, categoria que segue em expansão consistente. Trata-se de visto não-imigrante para profissionais com habilidade extraordinária comprovada por critérios objetivos previstos em 8 CFR 214.2(o). O salto reflete maior maturidade dos peticionários ao montar dossiês de evidências (publicações, prêmios, salários elevados, papel crítico em organizações de prestígio).

EB-1 e o avanço dos talentos extraordinários

O EB-1, popularmente chamado de visto Einstein, registrou crescimento expressivo em 2024. A categoria abrange três subdivisões: EB-1A (extraordinary ability), EB-1B (outstanding professor or researcher) e EB-1C (multinational manager or executive).

O perfil do beneficiário típico mudou. Há dez anos, o EB-1 era dominado por executivos transferidos via EB-1C. Hoje, há aumento expressivo de cientistas, pesquisadores acadêmicos e empreendedores tecnológicos pleiteando o EB-1A com base em portfólio de evidências montado de forma estratégica desde o início da carreira.

Os países que mais alimentam o fluxo qualificado

A composição dos beneficiários reflete uma geografia bem definida. Os principais emissores de candidatos para vistos qualificados nos Estados Unidos seguem este padrão consolidado:

  • Índia: domina H-1B e EB-2/EB-3, responsável por mais de 70% das aprovações de H-1B em ciclos recentes
  • China: forte presença em EB-1, EB-2 e F-1 com transição para OPT/H-1B
  • México: principal emissor em TN (USMCA) e H-2A/H-2B
  • Brasil: crescimento acelerado em EB-2, EB-1 e O-1, com mais de 2.300 vistos EB-2 emitidos em 2024
  • Filipinas: tradicional em saúde (enfermeiros via EB-3) e profissionais técnicos
  • Coreia do Sul: relevante em E-2 (tratado de investidor) e L-1
  • Canadá: forte em TN e L-1 corporativo
  • Reino Unido: presença consistente em O-1 e L-1 executivo
  • Nigéria: crescimento em EB-2 NIW e F-1 acadêmico
  • Alemanha: relevante em E-1/E-2 e transferências L-1

O caso brasileiro ilustra bem a curva de crescimento. Pela primeira vez, foram 2.302 vistos EB-2 emitidos a brasileiros, superando o recorde anterior de 1.988. O H-1B passou de 1.866 para 1.947 emissões, e o O-1 atingiu 1.722 emissões. O EB-1 saltou de 385 para 491 vistos. Esse movimento espelha o que ocorre em diversos países emergentes com base científica em consolidação.

Categorias que completam o quadro de 2024

Além das quatro categorias principais, outros vistos também tiveram desempenho relevante no FY2024:

  • O-2 (staff de apoio a beneficiários de O-1): forte expansão
  • G-2 (representantes governamentais em organismos internacionais)
  • H-2A (trabalho temporário agrícola): cap inexistente, demanda recorde
  • K-1 e K-2 (noivos e filhos de cidadãos americanos)
  • F-1 em emissões consulares com transição posterior para OPT/H-1B
  • H-2B (trabalho temporário não agrícola): cap de 66.000 esgotado rapidamente

Por que os recordes acontecem agora

O fenômeno tem múltiplos vetores. No lado da oferta, países como Índia, China, Brasil, Coreia e México consolidaram nas últimas duas décadas uma base de pós-graduados consistente: cresceu o número de doutores formados, o de publicações indexadas e o de patentes com co-autoria internacional. Isso cria um pool elegível para EB-2, EB-2 NIW, EB-1 e O-1.

No lado da demanda, os Estados Unidos enfrentam déficit estrutural em áreas como inteligência artificial, ciência de dados, saúde, engenharia avançada e energia. As universidades e empregadores americanos mantêm posição de liderança global e funcionam como ímã para talentos qualificados.

Há também um terceiro fator menos discutido: aprendizado coletivo. Comunidades de candidatos e profissionais de imigração acumularam conhecimento prático sobre como montar petições defensáveis, evitar Requests for Evidence (RFEs) e responder bem quando o RFE chega. Esse capital de informação reduz reprovações e aumenta o número absoluto de vistos efetivamente emitidos.

O que cada categoria exige na prática

Cada visto tem porta de entrada diferente. O EB-2 padrão exige labor certification (PERM) com oferta de trabalho do empregador americano, mestrado ou bacharelado mais cinco anos de experiência progressiva. O EB-2 NIW dispensa a oferta de trabalho mediante prova dos três prongs do Dhanasar: mérito substancial e importância nacional do endeavor, posição privilegiada do candidato para avançá-lo, e benefício para o interesse nacional ao dispensar PERM.

O H-1B exige diploma de bacharel em área correlata à specialty occupation, oferta de trabalho de empregador disposto a peticionar, e seleção na loteria anual. O salário deve atender ao prevailing wage definido pelo Department of Labor (níveis I a IV conforme experiência). O O-1 exige evidência de habilidade extraordinária por sustained national or international acclaim, demonstrada por pelo menos três dos critérios listados em 8 CFR 214.2(o)(3).

O EB-1A é o mais exigente: prêmio único e altamente reconhecido (Nobel, Pulitzer, Olympic gold), ou evidência em pelo menos três dos dez critérios regulatórios, com qualidade que coloque o beneficiário no topo absoluto da sua área de atuação.

Riscos e armadilhas comuns

Apesar dos números recordes, a taxa de RFE permanece elevada nas categorias employment-based. Os erros mais comuns observados em decisões da AAO incluem: confundir importância da indústria com impacto individual do peticionário; documentar contribuições com cartas genéricas em vez de evidência objetiva e mensurável; subestimar a centralidade da seção final merits determination na avaliação de USCIS.

O fortalecimento do dossiê começa muito antes da petição. Para EB-1A e EB-2 NIW, é recomendável estruturar a trajetória profissional com pelo menos dois anos de antecedência, acumulando publicações, citações independentes, papel em comitês editoriais ou de seleção, e participação em projetos de impacto demonstrável.

Tendências para 2026 e além

Os próximos anos devem manter a pressão sobre as categorias employment-based. A demanda por engenheiros de inteligência artificial, especialistas em cibersegurança, profissionais de saúde e cientistas de dados não dá sinais de arrefecimento. O Visa Bulletin permanece como variável crítica: candidatos de países sem retrogression ficam sujeitos ao corte mundial, com tempo de espera substancialmente menor do que o aplicável a candidatos de Índia e China, que enfrentam priority dates específicas com retrocesso de anos ou décadas em EB-2 e EB-3.

Para quem planeja entrar nesse fluxo, a recomendação é estratégica: estude a INA com seriedade, identifique a categoria que melhor reflete sua trajetória, organize evidência ao longo de meses ou anos, e construa o caso com base em dados objetivos e mensuráveis. Os recordes de 2024 mostram que o caminho está aberto para quem se prepara.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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