Os Estados Unidos concentram algumas das melhores universidades e instituições de ensino técnico do mundo, atraindo mais de um milhão de estudantes internacionais por ano. Para ingressar legalmente em programas de estudo no país, o estudante estrangeiro precisa obter um dos dois principais vistos estudantis: o F-1, para programas acadêmicos, ou o M-1, para cursos técnicos e vocacionais. Embora ambos compartilhem requisitos básicos, as diferenças em permissões de trabalho, extensões e transição para outros status tornam a escolha entre eles uma decisão estratégica com impacto direto nas oportunidades futuras.
Ambos os vistos são regulados pelo Student and Exchange Visitor Program (SEVP) do Department of Homeland Security e exigem que a instituição de ensino seja certificada pelo SEVP. O documento base para ambos é o Formulário I-20, emitido pela instituição após a aceitação do estudante, e o registro no sistema SEVIS (Student and Exchange Visitor Information System) é obrigatório antes da entrevista consular.
Compreender as particularidades de cada visto antes de aplicar evita problemas durante o curso e maximiza as oportunidades de trabalho prático nos EUA.
Visto F-1: Programas Acadêmicos
O visto F-1 é destinado a estudantes matriculados em programas acadêmicos em tempo integral: graduação, pós-graduação (mestrado e doutorado), cursos de idiomas em instituições credenciadas e programas de ensino médio privado. É o visto estudantil mais comum e oferece as maiores oportunidades de trabalho prático durante e após os estudos.
Sob as regras de 2026, estudantes F-1 são admitidos por um período máximo inicial de quatro anos, equivalente à duração do programa ou quatro anos, o que for menor. Para programas mais longos, como doutorados, extensões podem ser solicitadas por meio do DSO (Designated School Official) da instituição.
O estudante F-1 deve manter carga horária completa (full course load) durante todo o programa, exceto em circunstâncias autorizadas pelo DSO, como problemas médicos ou dificuldade acadêmica documentada no último semestre.
Trabalho no Campus
Estudantes F-1 podem trabalhar no campus da instituição por até 20 horas semanais durante o período letivo e em tempo integral durante férias, sem necessidade de autorização adicional do USCIS. O trabalho deve ser realizado nas instalações da escola ou em local afiliado educacionalmente.
CPT e OPT
O Curricular Practical Training (CPT) permite trabalho fora do campus que seja parte integrante do currículo, como estágios obrigatórios, programas cooperativos ou práticas exigidas pelo curso. Pode ser de meio período ou integral. Regra importante: se o estudante acumular 12 meses ou mais de CPT em tempo integral, perde a elegibilidade para OPT.
O Optional Practical Training (OPT) oferece até 12 meses de autorização de trabalho em área diretamente relacionada ao campo de estudo. Pode ser usado antes da formatura (pre-completion OPT, descontado do total) ou após (post-completion OPT). A aplicação é feita via Formulário I-765, cuja taxa em 2026 é de $1.780.
Extensão STEM OPT
Graduados em áreas STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics) listadas no STEM Designated Degree Program List do DHS podem solicitar uma extensão de 24 meses além do OPT padrão, totalizando até 36 meses de trabalho autorizado. Os requisitos para o STEM OPT incluem:
- Diploma em área STEM constante da lista designada do DHS
- Empregador inscrito e ativo no sistema E-Verify
- Plano de treinamento formal (Formulário I-983) elaborado entre estudante e empregador
- Ter recebido o OPT inicial com base no diploma STEM em questão
A extensão STEM OPT é particularmente valiosa para estudantes que pretendem fazer a transição para vistos de trabalho como o H-1B, pois o mecanismo de cap-gap permite manter o status legal entre o fim do OPT e o início do H-1B em 1º de outubro.
Visto M-1: Programas Vocacionais
O visto M-1 é destinado a estudantes matriculados em programas técnicos, vocacionais ou profissionalizantes que não sejam de natureza acadêmica. Exemplos incluem cursos de mecânica, aviação, culinária, estética, design técnico e tecnologia aplicada em trade schools e institutos técnicos certificados pelo SEVP.
Diferentemente do F-1, o visto M-1 tem restrições significativamente mais rígidas. O estudante M-1 não pode trabalhar durante o curso, exceto em treinamento prático (practical training) após a conclusão do programa. O practical training do M-1 é limitado a um mês para cada quatro meses de estudo completados, com máximo de seis meses no total.
Outra diferença fundamental: o estudante M-1 não pode mudar de status para F-1 se desejar transicionar para um programa acadêmico. No entanto, um estudante F-1 pode, em certas circunstâncias, mudar para M-1. Essa assimetria torna a escolha inicial do visto particularmente importante para quem considera múltiplas opções de formação nos EUA.
O M-1 também não oferece extensão STEM OPT nem a possibilidade de cap-gap para transição ao H-1B, o que limita significativamente as opções de permanência após a conclusão dos estudos.
Custos e Taxas em 2026
As taxas governamentais para obter um visto estudantil americano em 2026 incluem:
- Taxa SEVIS I-901: $350 para ambos os vistos F-1 e M-1. Deve ser paga após o recebimento do Formulário I-20 e antes da entrevista consular, pelo site oficial FMJfee.com.
- Taxa MRV (Machine Readable Visa): $185, paga ao consulado americano para processamento da aplicação de visto.
- Formulário I-765 (OPT/STEM OPT): $1.780 em 2026, aplicável apenas a estudantes F-1 que solicitem autorização de trabalho prático.
Dependentes (cônjuges e filhos menores de 21 anos) podem acompanhar o estudante com vistos F-2 ou M-2. Dependentes não pagam taxa SEVIS, mas pagam a taxa consular MRV individualmente. Dependentes F-2 e M-2 não têm autorização de trabalho nos EUA.
Requisitos Comuns
Ambos os vistos compartilham requisitos fundamentais de elegibilidade:
- Aceitação em instituição certificada pelo SEVP: a escola deve constar da lista oficial de instituições aprovadas pelo Student and Exchange Visitor Program do DHS.
- Formulário I-20: emitido pela instituição após a aceitação formal, contendo informações do programa, custos estimados e dados do estudante para registro no SEVIS.
- Comprovação financeira: demonstrar recursos suficientes para cobrir tuition, moradia e despesas durante o primeiro ano de estudos (F-1) ou todo o programa (M-1).
- Intenção de não-imigrante: demonstrar vínculos com o país de origem e intenção de retornar após a conclusão dos estudos, conforme exigido pela INA § 214(b).
- Proficiência em inglês: muitas instituições exigem resultados de TOEFL, IELTS ou testes equivalentes, embora isso seja requisito institucional, não do visto em si.
F-1 ou M-1: Qual Escolher
A escolha depende do tipo de programa e dos objetivos de longo prazo. O F-1 oferece significativamente mais flexibilidade: permite trabalho no campus, CPT durante os estudos, até 36 meses de OPT/STEM OPT após a formatura, e pode facilitar a transição para vistos de trabalho como o H-1B por meio do cap-gap. O M-1, embora mais restritivo, é o caminho correto para quem busca formação técnica específica e certificações práticas em campos vocacionais.
Estudantes que consideram a possibilidade de permanecer nos EUA após os estudos para trabalhar devem avaliar cuidadosamente as oportunidades de OPT e STEM OPT antes de optar pelo M-1, já que esse visto oferece opções de trabalho significativamente mais limitadas e não permite mudança para F-1. Por outro lado, se o objetivo é uma certificação técnica com retorno ao país de origem, o M-1 é a via adequada e direta, com processo mais simples e focado na formação prática.
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Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.