O visto EB-3 é a terceira categoria de preferência de imigração baseada em emprego dos Estados Unidos e funciona como uma das principais portas de entrada para profissionais estrangeiros que desejam obter o green card a partir de uma oferta de trabalho permanente. Diferentemente de vistos temporários como H-1B ou L-1, o EB-3 leva diretamente à residência permanente, o que o torna estratégico para quem planeja construir vida de longo prazo no país. Apesar de ser frequentemente apresentado como uma rota acessível, o EB-3 envolve etapas longas, dependência total de um empregador patrocinador e uma fila migratória que varia conforme o país de nascimento do candidato.
Este guia detalha quem se qualifica, como funciona cada etapa, quais são os custos atuais e por que o tempo total do processo costuma surpreender quem o inicia sem orientação adequada. As informações refletem o cenário regulatório vigente em 2026, mas valores e prazos podem mudar, especialmente após reajustes do USCIS e atualizações mensais do Visa Bulletin do Departamento de Estado.
As três subcategorias do EB-3
O EB-3 não é um visto único, mas um guarda-chuva com três classificações distintas, cada uma com requisitos próprios e impacto direto na fila de espera.
- Skilled Workers (trabalhadores qualificados): exigem comprovação de pelo menos dois anos de experiência ou treinamento em uma ocupação que não seja sazonal nem temporária.
- Professionals (profissionais): destinada a quem possui diploma de bacharelado nos EUA ou equivalente estrangeiro, sendo o grau acadêmico requisito mínimo para a função ofertada.
- Other Workers (também chamados Unskilled Workers): cobre ocupações que exigem menos de dois anos de experiência ou treinamento, como funções operacionais em hospitalidade, agricultura não sazonal, limpeza industrial e cuidados domésticos.
Essa divisão tem efeitos práticos relevantes: a subcategoria Other Workers tem um teto anual próprio de 10.000 vistos, dentro da cota geral de aproximadamente 40.040 vistos disponíveis para todo o EB-3 a cada ano fiscal. Esse subteto é o principal motivo de a fila para trabalhadores não qualificados ser historicamente mais longa do que para profissionais com diploma.
Requisitos do candidato e do empregador
Para qualquer das três faixas, o EB-3 só existe a partir de uma oferta de emprego permanente em tempo integral feita por uma empresa estabelecida nos EUA. O empregador é, na prática, o requerente principal: ele assina a petição, custeia parte significativa do processo e responde pela disponibilidade real da vaga.
O candidato precisa demonstrar que cumpre os requisitos mínimos descritos na vaga aprovada, com diplomas, históricos escolares, cartas de empregadores anteriores e avaliações de credenciais estrangeiras quando o curso foi feito fora dos EUA. Diplomas brasileiros, por exemplo, costumam ser submetidos a empresas como WES ou ECE para emissão de equivalência ao sistema norte-americano.
O processo PERM e a certificação laboral
O coração do EB-3 é o PERM Labor Certification, conduzido pelo Departamento do Trabalho dos EUA (DOL). Antes de qualquer petição migratória, o empregador precisa provar que não há trabalhador americano disponível, qualificado e disposto a aceitar a vaga nas condições oferecidas.
Essa comprovação ocorre por meio de um recrutamento estruturado: anúncios em jornais, postagens em sistemas estaduais de emprego, divulgação interna e, em alguns casos, anúncios adicionais em rádio, sites profissionais ou universidades. Todo o processo é regido por regras detalhadas, e qualquer erro de redação no anúncio ou no escopo da vaga pode invalidar o PERM.
Em paralelo, o empregador solicita a Prevailing Wage Determination, que define o salário mínimo aceitável para a função na região da vaga. O salário oferecido precisa ser igual ou superior a esse valor, sob pena de reprovação. Apenas após o PERM aprovado o caso avança para o USCIS.
Petição I-140 e ajuste de status
Com o PERM em mãos, o empregador apresenta o Formulário I-140 (Immigrant Petition for Alien Workers) ao USCIS. Esse é o documento que estabelece formalmente a categoria EB-3 do candidato e fixa a chamada priority date, ou seja, o lugar do beneficiário na fila imigratória.
Quando a priority date se torna corrente no Visa Bulletin, abre-se o caminho para a residência permanente, que pode ser obtida por dois meios principais:
- Adjustment of Status (ajuste interno), via Formulário I-485, para quem já está legalmente nos EUA com outro status válido.
- Consular Processing, via Formulário DS-260 e entrevista no consulado americano do país de residência, para quem está fora dos EUA.
Cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos são derivados do beneficiário principal e podem solicitar o green card no mesmo processo, com formulários próprios.
Custos atuais do processo
Os valores oficiais cobrados pelo governo americano foram reajustados em 1º de abril de 2024 e seguem como referência em 2026, podendo ser atualizados a qualquer momento. Os principais são:
- PERM Labor Certification: sem taxa governamental, mas o empregador deve arcar com custos de recrutamento, anúncios e honorários advocatícios.
- Formulário I-140: aproximadamente US$ 715, pago obrigatoriamente pelo empregador.
- Premium Processing opcional para o I-140: cerca de US$ 2.805, com decisão em 15 dias úteis.
- Formulário I-485 (ajuste de status, adultos): em torno de US$ 1.440, incluindo biometria.
- Formulário DS-260 (processamento consular): aproximadamente US$ 345 por requerente.
A esses valores somam-se exames médicos obrigatórios, traduções juramentadas, taxas de equivalência de diploma e honorários advocatícios, que variam bastante conforme a complexidade da vaga.
Prazos, fila e retrogressão
O grande mito do EB-3 é o de que se trata de um processo curto. Na prática, é preciso somar três blocos de tempo: o PERM (que pode levar de um a dois anos, considerando recrutamento e auditoria), a tramitação do I-140 (alguns meses ou 15 dias com Premium Processing) e a espera pela priority date.
É essa última etapa que mais varia. O Visa Bulletin publica mensalmente as datas correntes por categoria e país de nascimento. Para a maioria dos países, incluindo Brasil e Portugal, o EB-3 costuma estar relativamente em dia ou com poucos meses de espera. Para nascidos na Índia, China continental e, eventualmente, Filipinas, há retrogressão significativa, com filas que podem ultrapassar uma década na subcategoria Other Workers.
Por isso, dois candidatos com o mesmo perfil profissional podem ter experiências completamente diferentes no EB-3, dependendo apenas do país onde nasceram.
Vantagens e limitações estratégicas
O EB-3 oferece um caminho direto e estável para o green card, sem exigir investimento como o EB-5 nem habilidade extraordinária como o EB-1A ou o O-1. É também a única categoria EB que abriga ocupações de menor qualificação formal, o que historicamente atraiu profissionais de áreas como hospitalidade, construção e agricultura.
Por outro lado, o EB-3 amarra fortemente o trabalhador ao empregador patrocinador, ao menos até a aprovação do green card e a fase chamada portability, prevista na seção 204(j) do INA. Mudanças de função antes desse marco podem invalidar o PERM e exigir reinício do processo. A dependência de um empregador disposto a investir tempo e recursos significativos é, portanto, o principal filtro real do EB-3.
Para quem avalia o EB-3 como rota migratória, o caminho mais seguro envolve mapear com clareza a subcategoria correta, validar o histórico profissional frente aos critérios do DOL e acompanhar o Visa Bulletin antes mesmo de aceitar uma oferta. Pequenas decisões no início, como aceitar uma vaga sob a subcategoria errada, podem custar anos no fim do processo.
Aprenda mais sobre o EB-3
- Categoria
- Green Card EB-3 (3ª prioridade)
- Subcategorias
- Profissionais, qualificados, outros
- PERM
- Necessário
- Processo
- 12-36 meses
Sobre o autor
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.