O governo Trump determinou uma revisão completa de todos os Green Cards emitidos para cidadãos de 19 países classificados como “países de atenção especial” (countries of concern). A medida, anunciada no final de novembro de 2025, gerou ampla repercussão e afeta potencialmente 3,3 milhões de residentes permanentes nos Estados Unidos. Compreender o alcance dessa decisão, suas motivações e quem de fato é impactado é essencial para qualquer pessoa que acompanha o cenário imigratório americano.
A ordem partiu diretamente da Casa Branca e foi executada pelo diretor do USCIS, Joseph Edlow, que anunciou publicamente uma “reexaminação rigorosa e em larga escala de cada Green Card de cada estrangeiro de cada país de atenção especial”. A medida não representa um cancelamento automático de residências permanentes, mas sinaliza uma intensificação sem precedentes na fiscalização de benefícios imigratórios já concedidos.
O que motivou a revisão
A ordem executiva foi desencadeada por um incidente específico: um ataque a tiros contra membros da Guarda Nacional em Washington, D.C., no final de novembro de 2025. O suspeito foi identificado como cidadão afegão que havia obtido residência permanente nos Estados Unidos por meio de programas humanitários criados durante a administração Biden para reassentamento de nacionais do Afeganistão após a retirada militar americana em 2021.
O episódio reacendeu o debate sobre a eficácia dos procedimentos de verificação de antecedentes (background checks) aplicados a beneficiários de programas de reassentamento acelerado. A administração Trump utilizou o incidente para justificar uma revisão muito mais ampla do que o caso específico demandaria, estendendo o escrutínio para todas as categorias de Green Card emitidas para cidadãos dos 19 países listados, independentemente da via pela qual obtiveram o benefício.
Os 19 países na lista
A lista dos países cujos cidadãos terão seus Green Cards revisados abrange nações já historicamente monitoradas pelo governo americano. A seleção desses países reflete preocupações com segurança nacional acumuladas ao longo de múltiplas administrações, e não é exclusiva da era Trump.
- Afeganistão
- Birmânia (Mianmar)
- Burundi
- Chade
- Cuba
- Guiné Equatorial
- Eritreia
- Haiti
- Irã
- Laos
- Líbia
- República do Congo
- Serra Leoa
- Somália
- Sudão
- Togo
- Turcomenistão
- Venezuela
- Iêmen
As maiores populações de portadores de Green Card entre esses países incluem cubanos (mais de 1 milhão de residentes permanentes), haitianos (cerca de 700 mil), venezuelanos (aproximadamente 500 mil) e iranianos (cerca de 400 mil). Juntos, os 19 países respondem por um volume expressivo de residentes legais nos Estados Unidos.
Impacto prático da revisão
A revisão não significa revogação automática do Green Card, mas suas consequências práticas são significativas. O USCIS pausou o processamento de diversas categorias de aplicações para cidadãos desses países, incluindo petições de naturalização, renovações e novos pedidos de benefícios imigratórios. Especialistas alertam que essa pausa pode levar alguns indivíduos a perderem status durante o período de espera, tornando-os vulneráveis a ações de fiscalização do ICE.
Para cidadãos afegãos, a situação é ainda mais severa. O USCIS suspendeu com efeito imediato todas as solicitações de imigração relacionadas a nacionais do Afeganistão, incluindo petições familiares e de emprego em andamento. Essa suspensão específica afeta não apenas novos pedidos, mas também casos já em tramitação.
Em março de 2026, o USCIS anunciou o levantamento parcial da pausa, permitindo a retomada do processamento para “solicitantes de asilo de países considerados de baixo risco, devidamente triados”. No entanto, a agência não esclareceu quais países se enquadram na categoria de “baixo risco”, mantendo incerteza significativa para milhões de residentes permanentes.
Quem não é afetado
A medida é direcionada exclusivamente a cidadãos dos 19 países listados. Nacionais de países fora dessa lista não estão sujeitos a essa revisão, e seus processos imigratórios continuam operando normalmente pelos trâmites regulares do USCIS.
O Brasil, especificamente, não faz parte dessa lista e não existe qualquer indicação de possível inclusão futura. As razões são estruturais: o país mantém relações diplomáticas estáveis com os Estados Unidos, não é associado a atividades terroristas e tem uma comunidade de imigrantes que predominantemente utiliza vias tradicionais de imigração com verificação rigorosa de antecedentes.
Categorias baseadas em emprego (EB-1, EB-2 NIW, EB-3), investimento (EB-5), reunificação familiar ou casamento com cidadão americano obtidas por nacionais de países fora da lista continuam sendo processadas normalmente. A revisão não altera os critérios de elegibilidade nem os procedimentos dessas categorias para países não listados.
O que portadores devem fazer
Para residentes permanentes oriundos dos 19 países, especialistas em imigração recomendam manter toda a documentação organizada e facilmente acessível, incluindo o Green Card original, passaporte válido, comprovantes de emprego e residência, e registros fiscais. Evitar viagens internacionais durante o período de revisão pode ser prudente, uma vez que a reentrada nos Estados Unidos pode enfrentar escrutínio adicional nas portas de entrada.
A revisão de Green Cards faz parte de uma série de medidas restritivas adotadas pelo governo Trump na área imigratória em 2025-2026, que incluem a expansão do travel ban, a suspensão do programa de Diversity Visa e o endurecimento de regras para diversas categorias de visto de trabalho. Essas ações representam uma mudança significativa no cenário imigratório americano e reforçam a importância de manter documentação sólida e atualizada.
Para qualquer pessoa em processo de obtenção de residência permanente, independentemente da nacionalidade, a preparação meticulosa da petição e o cumprimento rigoroso de todos os requisitos legais continuam sendo a melhor estratégia em qualquer cenário político. Acompanhar atualizações diretamente pelo site oficial do USCIS é a fonte mais confiável de informação sobre eventuais mudanças nos procedimentos.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.