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EB-2 NIW em 2024: aprovações, RFEs e o que isso diz para 2026

Dados do USCIS mostram 43% de aprovação no EB-2 NIW em 2024, fila represada e Brasil com taxa abaixo da média. Veja o que mudou para 2026.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 05/05/2026
7 min de leitura
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EB-2 NIW em 2024: aprovações, RFEs e o que isso diz para 2026

Os números do USCIS sobre o EB-2 com National Interest Waiver no ano fiscal de 2024 deixaram claro que a peneira ficou mais fina. Foram 63.549 petições recebidas, 27.526 aprovações, 11.256 negativas e 44.093 casos pendentes ao final do exercício, segundo a divulgação trimestral da própria agência. Para quem planeja peticionar em 2026, a leitura desses dados não é apenas estatística: é um mapa de onde o examinador está apertando e onde a petição precisa ser reforçada.

O retrato quantitativo de 2024

A fotografia do ano fiscal de 2024, encerrado em 30 de setembro daquele ano, mostra três movimentos simultâneos. O primeiro é o aumento absoluto no número de petições filed, refletindo o boom da categoria desde a publicação da policy guidance de janeiro de 2022 que reorganizou o framework Matter of Dhanasar para profissionais de STEM e empreendedores. O segundo é a alta na proporção de pendências, que saltou de 22.756 ao fim do primeiro trimestre para 44.093 ao fim do quarto – quase o dobro em nove meses. O terceiro é uma taxa de aprovação que se acomodou em 43%, bem abaixo dos patamares observados em ciclos anteriores, quando a categoria flertava com 80% de deferimento.

A combinação desses três vetores tem uma única tradução prática: RFE (Request for Evidence) virou regra, não exceção. Petições que poderiam ter sido aprovadas de plano há três anos hoje recebem pedidos detalhados de prova, especialmente sobre o segundo prong de Dhanasar – o de que o peticionário está bem posicionado para executar o empreendimento proposto.

O recorte por país de nascimento

A divulgação do USCIS abre os números por país de nascimento do peticionário, e o resultado é desconcertante para quem mora no Brasil. China lidera em volume com 3.644 petições recebidas e 37% de aprovação. Índia vem na sequência com 2.501 petições e 30% deferidas. O Brasil aparece em terceiro lugar em volume, com 2.003 petições, mas com taxa de aprovação de apenas 15% – menos da metade do desempenho chinês. Nigéria e Irã, por sua vez, alcançaram 32% e 35% respectivamente.

A discrepância brasileira não tem explicação demográfica simples. Não há, na lei, qualquer dispositivo que diferencie nacionalidades para fins do EB-2 NIW. O viés está, quase certamente, no produto entregue: petições brasileiras tendem a ser construídas em torno de um currículo robusto, mas falham em articular com clareza por que o trabalho específico do peticionário é de interesse nacional substancial dos Estados Unidos. O examinador não rejeita por mérito acadêmico fraco; rejeita porque o proposed endeavor não foi conectado de forma persuasiva a uma necessidade nacional concreta.

Onde os pedidos morrem: o estado importa

O recorte por estado também revela padrões. Califórnia lidera com 2.864 petições e 27% de aprovação. Texas tem 2.059 petições e 32%. Nova York, surpreendentemente, despencou para 16% de aprovação em 2.054 petições. Flórida fechou em 23%. O grupo classificado como Unknown – em geral peticionários que residem fora dos EUA e fazem consular processing – somou 2.696 petições com 20% de aprovação.

A baixa performance de Nova York não tem causa evidente nos dados, mas costuma ser atribuída a uma combinação de petições padronizadas em alto volume e a uma cultura de submissão que privilegia velocidade sobre customização. O dado serve como alerta: o sucesso depende menos de onde o advogado abre escritório e mais da qualidade documental do pedido individual.

O que mudou no fee schedule

Quem planeja peticionar em 2026 precisa atualizar o orçamento. A Final Rule de fees publicada pelo USCIS em abril de 2024 reposicionou os custos da categoria. O Form I-140, instrumento da petição NIW, passou a custar US$ 715. O Premium Processing para I-140, quando disponível, foi atualizado para US$ 2.805, com prazo de resposta de 45 dias corridos. O Asylum Program Fee, criado pela mesma rule, não incide sobre o I-140 quando o peticionário é o próprio estrangeiro – uma vantagem estrutural do NIW frente a categorias patrocinadas pelo empregador.

Para quem executar o ajuste de status pelo Form I-485 dentro dos EUA, o pacote padrão fica em torno de US$ 1.440 por requerente adulto, com Form I-765 (EAD) e I-131 (Advance Parole) cobrados separadamente quando filed após a publicação da rule. Familiares dependentes – cônjuge e filhos solteiros menores de 21 – entram pela classificação E-22 e E-23, com fees próprios.

Visa Bulletin: a fila por trás do número

O cap anual da preferência EB-2 é de aproximadamente 40.040 vistos por exercício fiscal, antes do spillover de números não usados pela EB-1. A leitura recente do Visa Bulletin do Departamento de Estado mostra que a categoria continua atrasada para nascidos na Índia e na China, com priority dates retroagindo anos no calendário. Para o Brasil e para a quase totalidade dos demais países – incluindo Worldwide – a EB-2 segue current ou próxima de current na maior parte dos meses, o que permite ao peticionário aprovado prosseguir para o ajuste de status sem espera adicional na fila consular.

Esse contexto torna o NIW estruturalmente mais vantajoso para profissionais brasileiros do que para indianos e chineses: aprovado o I-140, o caminho até o green card é relativamente curto. O gargalo, portanto, não está no Visa Bulletin – está na adjudicação do próprio I-140.

O que os RFEs estão pedindo

A leitura cruzada entre os dados do USCIS e os RFEs publicados no AAO mostra um padrão claro. O primeiro prong de Dhanasar – substantial merit and national importance do proposed endeavor – raramente é o calcanhar de Aquiles. O examinador costuma aceitar que pesquisa em IA, semicondutores, energia limpa, saúde pública ou cibersegurança tem importância nacional substancial.

O segundo prong – que o peticionário está bem posicionado para avançar o empreendimento – é onde a maior parte das petições brasileiras tropeça. Não basta listar publicações ou diplomas. É preciso demonstrar uma trajetória factual de execução: financiamento captado, contratos assinados, citações que mostrem influência real, adoção da tecnologia por terceiros, exposição em mídia especializada. O examinador quer ver evidência de que o peticionário já moveu a agulha, não apenas que tem credenciais para movê-la.

O terceiro prong – que, no balanço, beneficia os EUA dispensar a oferta de emprego e o teste do mercado de trabalho – costuma ser tratado como formalidade, mas merece atenção. Argumentar que a flexibilidade do NIW é necessária porque o trabalho do peticionário é multi-employer, multi-locação ou tem natureza empreendedora costuma ser mais persuasivo do que repetir o argumento de national importance.

Como peticionar em 2026 com os dados na mão

O cenário descrito por 2024 sugere uma estratégia clara para quem vai peticionar agora. Primeiro, tratar o proposed endeavor como o coração da petição, e não como apêndice. Cada parágrafo do business plan ou research proposal precisa amarrar uma atividade concreta a uma necessidade nacional concreta. Segundo, evidenciar execução passada com documentos primários – contratos, faturas, prints de adoção, métricas de impacto – em vez de cartas-recomendação genéricas. Terceiro, escolher cartas de suporte por independência e densidade técnica, não por prestígio do signatário; um pesquisador independente que descreve em detalhe como cita e usa o trabalho do peticionário pesa mais do que um nome famoso que apenas elogia em termos vagos.

O dado de 15% de aprovação para nascidos no Brasil não é um veredito sobre talento nacional. É um sinal sobre como petições brasileiras estão sendo construídas. Em 2026, o peticionário que tratar a estatística como diagnóstico, e não como sentença, sai na frente.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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