Levar cães e gatos do Brasil para os Estados Unidos exige planejamento minucioso e atenção a regras sanitárias que mudaram substancialmente a partir de agosto de 2024. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) reformulou completamente os requisitos para entrada de cães no país, e o Brasil hoje figura na lista de países classificados como de alto risco para raiva canina, o que adiciona camadas de exigência ao processo. Para quem está se mudando em definitivo, viajando temporariamente a trabalho ou apenas visitando, entender as etapas atuais evita transtornos no embarque, no desembarque e na adaptação do animal ao novo país.
Regras atuais do CDC para cães
Desde 1º de agosto de 2024, todos os cães que entram nos Estados Unidos precisam ter pelo menos seis meses de idade no momento da chegada, possuir microchip compatível com o padrão ISO 11784 ou 11785, parecer saudáveis na inspeção e ter um recibo válido do CDC Dog Import Form, formulário online preenchido entre 2 e 10 dias antes da viagem. O microchip precisa ser implantado antes da vacinação contra raiva, caso contrário a vacinação precisará ser refeita após a microchipagem.
Como o Brasil consta na lista de países de alto risco para raiva canina, os cães provenientes do território brasileiro precisam atender requisitos adicionais. As opções incluem chegada a um dos aeroportos americanos autorizados a receber animais de países de alto risco, apresentação de certificado de vacinação contra raiva emitido nos Estados Unidos com mais de 30 dias de validade, ou apresentação de certificado de vacinação estrangeiro acompanhado de teste sorológico de titulação de anticorpos contra raiva (RNATT) realizado em laboratório aprovado pelo CDC.
Regras de importação para gatos
O CDC não exige vacinação contra raiva para gatos importados, mas estados americanos podem ter exigências próprias e a maioria solicita comprovação no momento do registro local do animal. As companhias aéreas, por sua vez, costumam pedir certificado sanitário internacional emitido por médico veterinário e endossado por uma autoridade oficial, no caso brasileiro o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) por meio do Vigiagro nos aeroportos.
O microchip também é altamente recomendado para gatos, pois facilita identificação em caso de extravio e atende exigências de muitos estados americanos para emissão de licenças locais.
Documentação obrigatória para a viagem
O conjunto de documentos típico para um cão saindo do Brasil inclui o Certificado Veterinário Internacional (CVI) emitido pelo MAPA, com validade de 60 dias para cães e gatos, comprovante de microchipagem, comprovante de vacinação contra raiva (com ao menos 30 dias entre vacinação e embarque para vacinas iniciais), recibo do CDC Dog Import Form e laudo do teste RNATT quando aplicável. Para gatos, o CVI é o documento central, sem necessidade do formulário do CDC.
O processo de obtenção do CVI envolve uma consulta com veterinário registrado, emissão de atestado de saúde no sistema do MAPA, agendamento na unidade Vigiagro do aeroporto de partida e apresentação dos documentos para endosso oficial. O endosso só é válido se realizado no máximo 60 dias antes do embarque.
Escolha da companhia aérea e modalidade de transporte
Cada companhia aérea aplica suas próprias regras sobre raças aceitas, tamanho da caixa de transporte, peso máximo combinado entre animal e contêiner, e modalidade de viagem (cabine, porão pressurizado climatizado ou cargo separado). Algumas operadoras suspendem o transporte de cães braquicefálicos como buldogues, pugs e boxers por risco respiratório, e gatos persas por motivo similar. Outras restringem viagens em meses de calor extremo no aeroporto de origem ou destino.
Voos diretos são amplamente preferíveis a conexões. Conexões em terceiros países podem desencadear novas exigências sanitárias e aumentam o tempo total de estresse para o animal. Quando há escala doméstica nos Estados Unidos, vale verificar se o aeroporto de chegada inicial está na lista do CDC para receber cães provenientes de países de alto risco.
Custos esperados
O orçamento total varia bastante conforme porte, raça, tipo de transporte e necessidade de despachante especializado. Os componentes principais incluem consultas veterinárias e exames preparatórios, microchip, vacinas, teste sorológico RNATT em laboratório credenciado (que pode custar várias centenas de dólares e demora semanas para liberação de resultado), caixa de transporte aprovada pela International Air Transport Association (IATA), tarifa da companhia aérea para o trecho do animal, taxas consulares quando aplicáveis e eventuais serviços de pet shipping para cães grandes que viajam como cargo.
O custo realista para um cão de médio porte saindo do Brasil para os Estados Unidos costuma ficar na faixa de poucos milhares de dólares quando considerada toda a cadeia de exigências, incluindo o RNATT exigido para origem de país de alto risco.
Cronograma recomendado de preparação
O ideal é começar o processo entre quatro e seis meses antes da data prevista de embarque. Esse prazo permite implantar o microchip antes da vacinação contra raiva, aguardar o intervalo mínimo entre vacina e teste sorológico, receber o resultado do RNATT e ainda ter margem para correções. Vacinas com primeira aplicação na vida do animal exigem 30 dias até a data de embarque para serem consideradas válidas pelo CDC.
O CDC Dog Import Form precisa ser preenchido entre 2 e 10 dias antes da chegada aos Estados Unidos, então é uma das últimas etapas. O recibo eletrônico do formulário deve ser apresentado impresso ou no celular no momento do desembarque.
Preparação do animal para a viagem
Acostumar o pet à caixa de transporte semanas antes do embarque reduz substancialmente o estresse no dia da viagem. Refeições devem ser administradas com algumas horas de antecedência ao embarque, hidratação garantida com bebedouro fixo dentro da caixa e brinquedo ou pano com cheiro familiar pode ajudar na adaptação. Sedativos não são recomendados pelas principais associações veterinárias internacionais por aumentarem risco de problemas respiratórios e cardiovasculares em altitude.
Adaptação no novo país
Após a chegada, a maioria dos estados exige registro local do animal junto a uma agência municipal ou de licenciamento, geralmente com apresentação de comprovante de vacinação contra raiva e taxa anual. Pet shops, planos de saúde animal e clínicas veterinárias americanas operam em modelos diferentes do brasileiro, com custos significativamente mais altos por consulta. A inscrição em um plano veterinário ou pet insurance logo após a chegada protege contra emergências.
O período de aclimatação varia entre poucos dias e várias semanas conforme idade, temperamento e mudanças climáticas envolvidas. Cães e gatos vindos de regiões tropicais podem precisar de tempo extra para adaptação a invernos rigorosos do norte dos Estados Unidos.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.