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Visto EB-3: guia completo do trabalhador permanente nos EUA

Entenda em detalhe quem se qualifica para o visto EB-3, como funciona o PERM, quais são os formulários, taxas e prazos atualizados para obter o Green Card.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 27/06/2026
8 min de leitura
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O visto EB-3 é uma das principais portas de entrada para a residência permanente nos Estados Unidos por meio do trabalho. Diferente das categorias EB-1 e EB-2, que exigem habilidades extraordinárias ou grau avançado, o EB-3 abre espaço para um leque muito mais amplo de profissionais — de engenheiros recém-formados a trabalhadores que ocupam funções essenciais na economia americana. Por isso, ele costuma ser a rota mais procurada por candidatos que têm uma oferta firme de emprego nos EUA, mas não se enquadram nos critérios mais restritivos das categorias superiores.

Este guia completo organiza, em ordem prática, tudo o que você precisa saber sobre o EB-3 em 2026: as três subcategorias, o processo de certificação de trabalho (PERM), os formulários, as taxas oficiais, os prazos reais observados nos últimos anos e os pontos de atenção que costumam atrasar ou derrubar petições.

O que é o visto EB-3

O EB-3 é a terceira preferência da categoria de imigração baseada em emprego, prevista na seção 203(b)(3) do Immigration and Nationality Act (INA). Trata-se de um visto de imigrante, ou seja, leva diretamente ao Green Card — não é uma autorização temporária. O empregador americano patrocina o trabalhador estrangeiro para uma vaga permanente, em tempo integral, depois de comprovar ao Departamento do Trabalho que não há americano qualificado disponível para preenchê-la.

A cota anual estatutária do EB-3 é de aproximadamente 40.040 vistos, o que representa cerca de 28,6% do total de vistos baseados em emprego. Dentro desse limite, há uma subcota de até 10.000 vistos reservada exclusivamente para a subcategoria Other Workers, que historicamente sofre os maiores atrasos.

As três subcategorias

O EB-3 se divide em três grupos com requisitos próprios. Entender em qual deles a vaga e o candidato se encaixam é o passo zero do processo, porque define a documentação, o salário mínimo exigido e o tempo de espera.

Skilled Workers

Trabalhadores qualificados são profissionais cujo posto exige no mínimo dois anos de treinamento ou experiência. Esse treinamento pode ser educacional, profissional ou prático, mas precisa ser pré-requisito documentado da função, não algo desejável. Exemplos típicos: técnicos especializados, soldadores certificados, mecânicos industriais, cozinheiros experientes em cozinhas comerciais e operadores de equipamentos complexos.

Professionals

Profissionais são trabalhadores cuja função exige, no mínimo, um diploma de bacharelado americano ou seu equivalente estrangeiro. A exigência aqui é dupla: o cargo precisa requerer o diploma e o candidato precisa de fato possuí-lo. Combinações de educação parcial com experiência geralmente não substituem o bacharelado nesta subcategoria, diferentemente do que ocorre na EB-2.

Other Workers

Esta subcategoria cobre vagas não qualificadas, que exigem menos de dois anos de treinamento ou experiência. É a porta de entrada para funções como auxiliares de cozinha, ajudantes em construção, cuidadores domiciliares, operadores de máquinas básicas, trabalhadores de fazendas e camareiras de hotelaria. Apesar de ser a categoria mais acessível em termos de qualificação, é também a que apresenta os maiores tempos de espera, justamente pela cota anual estreita de 10.000 vistos.

O processo PERM passo a passo

Antes de qualquer petição ao USCIS, o empregador precisa obter a certificação de trabalho permanente (PERM) junto ao Departamento do Trabalho dos EUA. Esse é o coração do EB-3 e o estágio mais demorado de todo o processo.

Determinação salarial

O empregador inicia solicitando ao National Prevailing Wage Center (NPWC) uma Prevailing Wage Determination (PWD), que define o salário mínimo legal para a função na localidade da vaga. Em 2025–2026, a emissão da PWD vem levando entre 5 e 8 meses. O empregador é obrigado a pagar pelo menos esse valor durante toda a relação de trabalho.

Recrutamento doméstico

Com a PWD em mãos, o empregador realiza um ciclo formal de recrutamento para tentar contratar um americano. Isso inclui anúncio em jornal de grande circulação, publicação na agência estadual de empregos, anúncios internos e, no caso de vagas profissionais, três etapas adicionais de recrutamento. Todo o processo precisa ser documentado em um recruitment report.

Submissão do ETA Form 9089

Concluído o recrutamento sem candidatos americanos qualificados, o empregador submete eletronicamente o ETA Form 9089, que é a petição PERM em si. Desde 1º de junho de 2023, o formulário é arquivado pelo sistema FLAG. As decisões PERM em 2025–2026 vêm saindo, em média, entre 14 e 22 meses após a submissão, sem contar auditorias, que podem adicionar 12 meses ou mais.

Petição I-140 ao USCIS

Com o PERM aprovado, o empregador tem até 180 dias para arquivar o Formulário I-140 (Immigrant Petition for Alien Workers) junto ao USCIS. A petição precisa demonstrar três coisas em conjunto:

  • Que o candidato cumpre todos os requisitos descritos no PERM aprovado;
  • Que o empregador tem capacidade financeira contínua de pagar o salário oferecido desde a data de prioridade;
  • Que a oferta de emprego permanece válida.

A taxa de filing do I-140 está em US$ 715 desde o ajuste de abril de 2024. O processamento padrão tem variado entre 6 e 15 meses, mas o serviço de Premium Processing, disponível por uma taxa adicional de US$ 2.805, garante decisão em até 15 dias corridos.

Visa Bulletin e fila por país

Aprovado o I-140, o caminho até o Green Card depende da disponibilidade de número de visto, controlada pelo Visa Bulletin publicado mensalmente pelo Departamento de Estado. Cada candidato carrega uma priority date — geralmente a data em que o PERM foi protocolado — e só pode dar o passo seguinte quando essa data ficar à frente do cutoff do Visa Bulletin.

O EB-3 está sujeito ao limite por país de origem: nenhum país pode consumir mais de 7% da cota anual. Isso gera filas longas para candidatos nascidos na Índia, na China e nas Filipinas. Para a maioria dos demais países, incluindo o Brasil, o EB-3 tem oscilado entre current e atrasos moderados nos últimos anos, embora retrocessos pontuais ocorram quando a procura supera a oferta no meio do ano fiscal.

Ajuste de status ou processo consular

Quando a priority date fica disponível, o candidato escolhe entre dois caminhos finais:

  • Adjustment of Status (Form I-485): usado quando o candidato já está legalmente nos EUA. A taxa é de US$ 1.440 para adultos. Permite solicitar concomitantemente autorização de trabalho (EAD) e advance parole;
  • Consular Processing: para quem está fora dos EUA. O caso é transferido ao National Visa Center, que cobra taxas próprias e marca a entrevista no consulado americano competente.

Direitos da família

O cônjuge e os filhos solteiros menores de 21 anos do beneficiário do EB-3 têm direito a vistos derivados — E34 para o cônjuge e E35 para os filhos no caso de Skilled Workers e Professionals; EW4 e EW5 no caso de Other Workers. Eles entram simultaneamente como residentes permanentes e o cônjuge pode trabalhar sem autorização adicional após receber o Green Card. A proteção do Child Status Protection Act (CSPA) ajuda filhos que envelhecem durante a fila, mas seu cálculo exige atenção a cada caso.

Erros que costumam derrubar petições

O EB-3 acumula um conjunto previsível de armadilhas. Conhecê-las desde o início evita meses de retrabalho:

  • Subestimar a Prevailing Wage e oferecer salário abaixo do mínimo legal;
  • Falhas no recrutamento, como anúncios fora do prazo regulatório ou ausência de motivos legítimos para rejeitar candidatos americanos;
  • Discrepâncias entre os requisitos descritos no PERM e o histórico real do candidato;
  • Submeter o I-140 sem evidência robusta de ability to pay, especialmente em empresas pequenas;
  • Perder o prazo de 180 dias entre PERM aprovado e protocolo do I-140;
  • Mudanças materiais na função ou no empregador depois do PERM, exigindo um novo processo do zero.

Como o EB-3 se compara a outras rotas

O EB-3 é frequentemente comparado ao EB-2, que cobre profissionais com grau avançado ou habilidade excepcional. O EB-2 historicamente tem prazos mais curtos para a maioria dos países, mas é mais restritivo nos requisitos de educação e experiência. Para candidatos sem oferta de emprego firme, o EB-2 NIW (National Interest Waiver) dispensa o PERM, o que pode ser mais rápido. Já o H-1B e o L-1 são vistos temporários e podem servir de ponte enquanto o EB-3 corre, mas não substituem o caminho para o Green Card.

Para trabalhadores qualificados, profissionais com bacharelado e até para funções não especializadas com empregadores dispostos a patrocinar, o EB-3 segue sendo uma das vias mais consolidadas para a imigração permanente nos Estados Unidos. O sucesso depende menos da subcategoria escolhida e mais da disciplina documental do empregador e do alinhamento técnico entre a vaga, o salário e o perfil do candidato.

Este conteúdo tem caráter informativo e reflete regras, taxas e prazos vigentes na data de publicação. Procedimentos de imigração mudam com frequência — confirme sempre as informações atualizadas nas fontes oficiais do USCIS, do Departamento do Trabalho e do Departamento de Estado dos EUA antes de tomar decisões.

Sobre o autor

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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