Real ID já é exigência cotidiana para quem voa dentro dos Estados Unidos. Em vigor desde 7 de maio de 2025, a regra federal alcança todo passageiro com 18 anos ou mais – incluindo titulares de green card, profissionais com H-1B, L-1, F-1 e qualquer outro visto de longa duração. Sem o documento em conformidade ou um substituto aceitável, o embarque pode ser barrado pela TSA, mesmo em rotas domésticas curtas como Los Angeles-Las Vegas ou Miami-Orlando.
Este guia explica o que é o Real ID, quem precisa ter, como solicitar, quais documentos servem como alternativa e o que muda na prática para imigrantes que vivem nos EUA em 2026.
O que é o Real ID
O Real ID é uma versão federalmente padronizada da carteira de motorista (driver’s license) ou do cartão de identidade estadual (state ID). Continua sendo emitido pelos Departamentos de Veículos Motorizados (DMVs) de cada estado, mas com requisitos de verificação mais rigorosos definidos pelo Real ID Act, lei aprovada em 2005 após o atentado de 11 de setembro para fortalecer a autenticação de identidades em pontos federais sensíveis.
Visualmente, o Real ID se parece com uma carteira tradicional. A diferença está em uma marcação distintiva no canto superior direito, geralmente uma estrela dentro de um círculo dourado, preto ou em formato de bandeira. Esse selo é o que indica conformidade com os padrões federais. Carteiras emitidas antes da adesão do estado ao programa, ou que não receberam a estrela, não atendem ao requisito.
Quem precisa apresentar Real ID
A regra atinge três grupos principais:
- Cidadãos americanos adultos que pretendam embarcar em voos domésticos.
- Residentes permanentes (titulares de green card) e portadores de vistos de longa duração que vivem nos EUA.
- Visitantes que decidiram tirar carteira em um estado americano por terem residência ou estadia prolongada.
Menores de 18 anos não precisam apresentar identificação ao embarcar em voos domésticos quando estão acompanhados por um adulto com documento válido. Turistas estrangeiros em visita curta também não precisam: o passaporte do país de origem segue plenamente aceito pela TSA.
Documentos aceitos no lugar do Real ID
A TSA mantém uma lista oficial de documentos alternativos. Quem não tem o Real ID pode embarcar normalmente em voos domésticos apresentando qualquer um dos seguintes:
- Passaporte dos Estados Unidos ou cartão de passaporte (passport card).
- Cartão de residente permanente (green card, formulário I-551).
- Cartão de Autorização de Emprego (Employment Authorization Document, formulário I-766).
- Passaporte estrangeiro válido, solução prática para portadores de H-1B, L-1, F-1, J-1 e demais vistos de não-imigrante.
- Cartões do programa Trusted Traveler do DHS: Global Entry, NEXUS, SENTRI e FAST.
- Carteira de motorista aprimorada (Enhanced Driver’s License) emitida por Michigan, Minnesota, Nova York, Vermont e Washington.
- Documentos militares dos EUA, incluindo os emitidos para dependentes.
- Credencial de Identificação de Trabalhador em Transporte (TWIC) e cartão PIV HSPD-12.
- Carteira de motorista de província canadense.
- Documento de identidade tribal de nação indígena reconhecida federalmente, incluindo Enhanced Tribal Cards.
- Cartão de Identificação de Saúde para Veteranos (VHIC).
Para a maioria dos imigrantes brasileiros que vive nos Estados Unidos, a combinação passaporte estrangeiro mais green card ou EAD resolve o problema sem necessidade de tirar Real ID imediatamente. Para viagens internacionais, o passaporte continua sendo obrigatório de qualquer forma.
Como solicitar o Real ID
O processo varia por estado, mas a base é comum. Em geral, o DMV exige cinco categorias de comprovação:
- Identidade e nome completo: certidão de nascimento traduzida e apostilada, passaporte estrangeiro válido ou passaporte dos EUA.
- Data de nascimento: documento oficial emitido pelo país de origem ou pelos EUA.
- Número de Seguro Social: cartão SSN ou carta oficial da Social Security Administration.
- Comprovante de residência: a maioria dos estados exige dois documentos com endereço, como conta de luz, contrato de aluguel, extrato bancário ou apólice de seguro.
- Status migratório regular: green card, EAD vigente, formulário I-94 com visto válido, ou comprovante de pendência de processo migratório regular.
Imigrantes indocumentados não conseguem o Real ID pelo padrão federal: o status migratório regular é parte obrigatória da verificação. Alguns estados, porém, oferecem carteiras de motorista standard sem o selo da estrela para indocumentados, conhecidas como AB-60 na Califórnia ou standard licenses em Illinois, Nova York, Nova Jersey, Massachusetts, Washington, Maryland e outros. Essas carteiras servem para dirigir, mas não são aceitas pela TSA em voos domésticos.
Para que o Real ID serve
O Real ID é exigido em três situações federais específicas: embarque em voos domésticos comerciais, entrada em instalações federais que aplicam o requisito (algumas bases militares, prédios do Department of Energy e tribunais federais) e acesso a usinas nucleares.
Para tudo o que uma carteira de motorista comum já fazia (comprovar idade em estabelecimentos, abrir conta bancária, alugar carro, votar onde a identificação é exigida), o Real ID continua valendo, mas não confere status migratório nem privilégios adicionais. Não substitui passaporte para viagens internacionais, não permite cruzar a fronteira terrestre com México ou Canadá e não é aceito em cruzeiros internacionais.
Real ID e cruzeiros
Cruzeiros que partem e retornam ao mesmo porto americano (closed-loop cruises), como Miami-Bahamas-Miami ou Nova York-Bermuda-Nova York, geralmente aceitam o Real ID combinado com certidão de nascimento. Já cruzeiros internacionais com escalas em portos não-americanos exigem passaporte. Para Europa, América do Sul ou Ásia, o passaporte é sempre obrigatório.
Erros comuns no DMV
Três armadilhas aparecem com frequência. A primeira é a divergência de nomes. Imigrantes que casaram, mudaram sobrenome ou usam ortografia traduzida no Brasil precisam apresentar a cadeia documental que conecta cada versão do nome: certidão de casamento, sentença de divórcio, decreto de mudança legal de nome. Sem isso, o DMV recusa a emissão.
A segunda é o comprovante de residência incompleto. Faturas com endereço da empresa, documentos digitais sem cabeçalho oficial e correspondências do USCIS antigas costumam ser rejeitados. O ideal é levar conta de luz, gás ou contrato de aluguel atualizados nos últimos 60 dias.
O terceiro é a confusão entre EAD vencido e EAD com extensão automática. Quem está em renovação válida deve levar o I-797 com a extensão automática (até 540 dias em muitos casos) junto do EAD físico. Sem o I-797, o DMV trata o documento como expirado.
Validade e renovação
O Real ID acompanha a validade da própria carteira de motorista, em geral entre 4 e 8 anos, dependendo do estado. Para imigrantes com status temporário, alguns DMVs limitam a validade do Real ID à data de expiração do visto ou do EAD. Quando o status é renovado, é necessário voltar ao DMV com a documentação atualizada para estender a validade da carteira.
O caminho prático em 2026
Imigrantes legais que voam com frequência dentro dos EUA têm dois caminhos: tirar o Real ID no DMV do estado de residência ou viajar sempre com passaporte estrangeiro, green card ou EAD. Para quem voa raramente, manter o passaporte à mão é a solução mais simples. Para quem voa toda semana a trabalho, o Real ID poupa o transporte de documentos sensíveis e acelera a passagem pela TSA. A escolha depende da rotina, mas a regra federal é definitiva: tentar embarcar com identificação não-conforme depois de 7 de maio de 2025 implica triagem adicional ou recusa de embarque.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.