O programa EB-5 é a única categoria de imigração que abre as portas do green card americano para quem investe de forma significativa na economia local. Entre os ativos mais procurados por estrangeiros, o setor imobiliário figura no topo: combina visibilidade, potencial de valorização e estrutura jurídica conhecida em quase todos os mercados do mundo. Para quem analisa a rota EB-5, entender como o investimento em imóveis se encaixa nas regras do USCIS é o primeiro passo de um plano realista.
Como o EB-5 funciona em 2026
Após a reforma do programa via EB-5 Reform and Integrity Act de março de 2022, o aporte mínimo passou a ser de US$ 1,05 milhão em empresa americana ou US$ 800 mil em projetos localizados em Targeted Employment Area, área rural ou em infraestrutura federal qualificada. O capital precisa ficar em risco de fato, não cabendo investimentos com retorno garantido, e a operação precisa criar pelo menos 10 empregos diretos em tempo integral para trabalhadores americanos.
O programa oferece duas estruturas principais: o investidor pode atuar diretamente no comando do empreendimento, num modelo conhecido como Standalone, ou aportar em um Centro Regional, organização aprovada pelo USCIS que reúne capital de múltiplos investidores em projetos de maior porte. A escolha entre os dois caminhos define o nível de envolvimento operacional e o tipo de imóvel acessível.
O que define um Targeted Employment Area
O TEA é qualificação geográfica que reduz o aporte mínimo para US$ 800 mil. A USCIS reconhece duas categorias: áreas rurais, fora de qualquer região metropolitana e fora de cidade ou município com 20 mil habitantes ou mais conforme o último censo, e áreas de alto desemprego, cujo índice supera em pelo menos 50% a média nacional. A reforma de 2022 transferiu para o USCIS, antes delegada aos estados, a competência exclusiva sobre a designação de TEAs por desemprego, o que reduziu o uso de manobras de redesenho de fronteiras censitárias para enquadrar projetos urbanos prime.
Caminho 1: Centro Regional imobiliário
Centros Regionais aprovados desenvolvem com frequência projetos imobiliários: hotéis, edifícios residenciais para estudantes, empreendimentos comerciais, shopping centers, hospitais e complexos de senior living. O investidor entra como sócio limitado de um pool de capital, recebe participação proporcional, distribuições periódicas previstas no contrato e direito de saída ao final do período de retenção. Toda a engenharia de criação de empregos é gerenciada pelo Centro Regional, que utiliza modelos econométricos aceitos pelo USCIS para contabilizar empregos diretos, indiretos e induzidos.
Essa rota costuma ser a preferida de profissionais sem experiência em construção civil, médicos, executivos ou famílias que querem segregar a vida pessoal da operação do negócio. O retorno financeiro tende a ser mais modesto que em projetos próprios, mas a previsibilidade documental e o histórico de aprovação do Centro Regional reduzem riscos imigratórios.
Caminho 2: comprar imóvel para abrir empresa
Para investidores com perfil empreendedor, o EB-5 Standalone permite combinar aquisição imobiliária com criação de novo negócio. O imóvel pode ser uma loja, um restaurante, um hotel boutique, uma rede de lavanderias ou qualquer empreendimento que comporte os 10 empregos exigidos. A maior parte do capital é destinada à aquisição e adequação do imóvel, e o saldo cobre capital de giro, contratações e despesas operacionais.
Um cuidado relevante é que o imóvel residencial mantido apenas para aluguel passivo não satisfaz os critérios do EB-5. O programa exige operação ativa de empresa, com contratação de funcionários e geração de receita. Imóveis comerciais com gestão hoteleira, locação operacional, franquias com staff próprio ou empreendimentos similares atendem ao requisito; pura aquisição para renda passiva, não.
Vantagens estratégicas da rota EB-5
O ganho mais óbvio é o green card para toda a família. Cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos recebem residência permanente derivada da petição principal. Não há requisito de proficiência em inglês, idade mínima ou qualificação acadêmica do investidor, ao contrário das categorias EB baseadas em emprego.
O acesso à educação americana em condição de residente abre bolsas, financiamentos públicos e mensalidades equivalentes às de in-state students nas universidades estaduais, redução de custo que pode ultrapassar US$ 100 mil por filho ao longo da graduação. Após cinco anos como residente permanente, o investidor pode pedir a naturalização via formulário N-400.
Do ponto de vista financeiro, há potencial de retorno via valorização do imóvel, distribuições do Centro Regional ou lucros operacionais do próprio negócio. O EB-5 também oferece liberdade de mobilidade global e proteção patrimonial em jurisdição estável, fatores ponderados por famílias de renda alta com origem em mercados de maior volatilidade política ou cambial.
Etapas e custos do processo
O processamento começa com a definição do projeto, due diligence sobre o Centro Regional ou viabilidade do empreendimento próprio, comprovação da origem lícita do capital e elaboração do plano de negócios. Em seguida, o investidor apresenta o formulário I-526 (Standalone) ou I-526E (Centro Regional). Aprovada a petição, o caminho diverge entre ajuste de status no I-485, para quem já está nos EUA com status válido, e processamento consular via DS-260 e entrevista no consulado americano do país de residência.
A residência inicial é condicional, válida por dois anos. Antes de expirar, o investidor apresenta o formulário I-829 para remover a condicionalidade, comprovando que o capital permaneceu em risco e que os 10 empregos foram criados. Aprovado o I-829, o green card definitivo é emitido com validade de dez anos, renovável.
As taxas atuais do USCIS, vigentes desde abril de 2024, são as seguintes:
| Formulário | Taxa |
|---|---|
| I-526 (Standalone) | US$ 11.160 |
| I-526E (Centro Regional) | US$ 11.160 + US$ 1.000 Integrity Fund |
| I-485 (ajuste de status) | US$ 1.440 |
| I-829 (remoção de condições) | US$ 9.525 |
| USCIS Immigrant Fee | US$ 235 |
A esses valores somam-se taxas administrativas dos Centros Regionais, geralmente entre US$ 30 mil e US$ 60 mil, custos legais com advogados de imigração e tributários, due diligence financeira do projeto e exames médicos.
Tributação e financiamento
Estrangeiros que adquirem imóveis nos EUA estão sujeitos à retenção do FIRPTA sobre vendas, e a renda de aluguel é tributada em 30% sobre o valor bruto, salvo se o investidor optar pela tributação líquida via seção 871(d) do Internal Revenue Code, deduzindo despesas operacionais. Tratados tributários entre Brasil e EUA não eliminam a tributação americana, mas Portugal, Itália, Espanha e outros países europeus têm acordos que podem reduzir bitributação.
Mesmo sem histórico de crédito nos EUA, estrangeiros conseguem financiamento imobiliário via Foreign National Loans, que avaliam renda do exterior, ativos líquidos e LTV típico de 60% a 70%. Esse mecanismo permite alavancar parte da aquisição, embora o EB-5 exija que o capital aportado venha de fonte lícita comprovável e mantido em risco até a aprovação do I-829.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.