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Gold Card dos EUA: Processo, Custos e Elegibilidade do I-140G

Entenda o Gold Card Program criado pela Executive Order 14351: Form I-140G, taxa de US$ 15.000, contribuição de US$ 1 milhão e vias EB-1A ou EB-2 NIW.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 25/04/2026
7 min de leitura
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Gold Card dos EUA: Processo, Custos e Elegibilidade do I-140G

O governo dos Estados Unidos abriu em 2025 uma nova via de imigração permanente voltada a profissionais de alto patrimônio e qualificação excepcional. Criado pela Executive Order 14351, assinada pelo presidente Donald Trump em 19 de setembro de 2025, o Gold Card Program combina mérito profissional com capacidade financeira em um modelo sem precedentes no sistema imigratório americano. O programa utiliza o Form I-140G, um formulário exclusivamente digital administrado pelo USCIS, e exige uma contribuição mínima de US$ 1 milhão ao governo federal como condição para a residência permanente.

Diferentemente do programa EB-5, onde o capital é investido em projetos econômicos com expectativa de retorno, a contribuição do Gold Card é classificada oficialmente como um “gift”: uma doação irrevogável e não reembolsável ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Essa distinção fundamental redefine a relação entre capital e imigração, pois não há projeto a monitorar, não há retorno financeiro e não há criação de empregos como requisito.

Para profissionais que atendem aos critérios de habilidade extraordinária ou excepcional, compreender os detalhes operacionais deste programa é essencial para uma decisão informada sobre planejamento imigratório.

Como funciona o processo

O Gold Card Program opera em etapas sequenciais, cada uma com requisitos específicos que devem ser cumpridos antes de avançar para a próxima fase. O processo começa com um registro preliminar no portal oficial trumpcard.gov, onde o candidato fornece informações básicas para triagem inicial. Somente após receber confirmação de aceitação neste registro é possível prosseguir.

Com a confirmação, o candidato cria ou acessa sua conta no sistema MyUSCIS, que se torna o centro de gerenciamento de todo o processo. É por meio desta plataforma que o Form I-140G é submetido exclusivamente de forma digital, sem opção de envio por correio. O formulário exige informações extensas, incluindo histórico completo de emprego dos últimos 20 anos, formação acadêmica detalhada, informações sobre cidadania e nacionalidade, além de documentação completa sobre a origem dos fundos.

Após a submissão, o sistema de mensagens da plataforma MyUSCIS permite comunicação direta com o USCIS para esclarecimento de dúvidas relacionadas à petição.

Custos e estrutura financeira

A estrutura de custos do Gold Card Program é dividida em duas fases distintas, ambas não reembolsáveis independentemente do resultado da petição.

A taxa de protocolo do Form I-140G é de US$ 15.000 por pessoa. Esta taxa aplica-se ao beneficiário principal e a cada dependente incluído na petição, como cônjuge e filhos menores de 21 anos. Um casal sem filhos pagaria, portanto, US$ 30.000 apenas em taxas de protocolo.

Após a aprovação da petição, o programa exige a contribuição ao governo americano, que varia conforme o tipo de petição:

  • Petição individual (self-petition): US$ 1 milhão por pessoa, incluindo o beneficiário principal e cada dependente
  • Petição corporativa: US$ 2 milhões para o beneficiário principal, mais US$ 1 milhão por cada dependente incluído

Para um profissional casado com dois filhos menores, o custo total mínimo em uma petição individual seria de US$ 4 milhões em contribuições mais US$ 60.000 em taxas de protocolo. É um programa destinado inequivocamente a indivíduos de patrimônio elevado.

Vias de elegibilidade

O Gold Card Program oferece duas categorias imigratórias para elegibilidade, ambas baseadas em mérito profissional comprovado.

A via EB-1A (Extraordinary Ability) é destinada a profissionais com habilidade extraordinária reconhecida nacional ou internacionalmente em ciências, artes, educação, negócios ou esportes. O candidato deve demonstrar realizações documentadas por prêmios, publicações, contribuições originais significativas ou outros critérios definidos pelo USCIS. Esta categoria historicamente não exige oferta de emprego nos EUA.

A via EB-2 NIW (National Interest Waiver) é para profissionais com habilidade excepcional que buscam isenção da oferta de emprego por interesse nacional. Candidatos nesta categoria devem demonstrar que sua presença nos EUA beneficiaria substancialmente o país. Diferentemente da via EB-1A, a petição EB-2 NIW dentro do Gold Card exige a submissão adicional do Form ETA-9089 sem certificação trabalhista, junto com evidências de suporte.

A escolha entre as duas vias deve considerar o Visa Bulletin do Departamento de Estado, pois o tempo de espera para disponibilidade do Green Card pode variar significativamente entre EB-1A e EB-2 NIW, dependendo do país de nascimento do candidato e da demanda acumulada em cada categoria.

Documentação financeira

Um dos aspectos mais rigorosos do Gold Card Program é a comprovação da origem lícita dos recursos. O padrão de due diligence financeira é comparável ao do programa EB-5, exigindo rastreabilidade completa dos fundos desde sua origem até a conta do Departamento de Comércio.

O USCIS exige documentação que pode incluir:

  • Declarações de imposto de renda pessoal dos últimos sete anos (candidato e cônjuge)
  • Registros bancários demonstrando acumulação e movimentação de fundos dos últimos cinco anos
  • Certificados de renda emitidos por empregadores
  • Documentação de vendas de valores mobiliários
  • Para fundos de criptomoedas: rastreamento via blockchain com identificação de carteira e exchanges reguladas
  • Para vendas de imóveis: laudos de avaliação, contratos, comprovantes de impostos pagos
  • Para fundos empresariais: demonstrações financeiras e declarações fiscais corporativas dos últimos sete anos

O pagamento da contribuição pode ser feito por cartão de crédito (via sistema Pay.gov/Treasury) ou transferência bancária, com rastreamento completo de cada banco intermediário, incluindo código SWIFT/BIC ou IBAN, números de conta e datas de transferência.

Gold Card versus EB-5

Embora ambos os programas envolvam capital significativo, as diferenças são fundamentais. No EB-5, o investimento mínimo é de US$ 800.000 (em TEAs) ou US$ 1.050.000 (em áreas regulares), aplicado em projetos econômicos que devem criar pelo menos 10 empregos diretos ou indiretos. O capital é investido com expectativa de retorno, embora haja risco.

No Gold Card, o valor é uma doação sem retorno. Não há projeto econômico, não há criação de empregos e não há possibilidade de recuperar o capital. Em contrapartida, o programa promete processamento acelerado e não exige a gestão ativa de um investimento ao longo de anos.

Para quem prioriza velocidade e simplicidade processual sobre retorno financeiro, o Gold Card representa uma alternativa direta. Para quem busca preservar capital enquanto obtém residência permanente, o EB-5 continua sendo a opção mais conservadora financeiramente.

Riscos e considerações

O Gold Card Program é novo e ainda não possui histórico de adjudicações que permita avaliar taxas de aprovação ou padrões de análise do USCIS. O programa também enfrenta desafios legais: processos judiciais questionam a transparência do programa e a autoridade executiva para criar uma via imigratória baseada em doações financeiras ao governo.

A contribuição é não reembolsável mesmo em caso de negativa da petição, o que significa que um candidato pode desembolsar milhões sem garantia de resultado. A complexidade da documentação financeira, especialmente para patrimônios com origens diversificadas ou jurisdições múltiplas, pode gerar meses de preparação antes mesmo do registro inicial.

Profissionais que considerem esta via devem avaliar cuidadosamente sua elegibilidade para EB-1A ou EB-2 NIW, a força de seu perfil profissional, a rastreabilidade completa de seus fundos e sua disposição para aceitar o risco de uma doação irrevogável em um programa sem precedentes.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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