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Como trazer pet do Brasil para os EUA: regras do CDC e USDA

Guia atualizado para levar cães e gatos do Brasil aos Estados Unidos: novas regras do CDC desde 2024, microchip ISO, formulário de importação e prazos sanitários.

Artigo escrito por

Victoria Harper

Editora-Chefe

Atualizado em 07/05/2026
6 min de leitura
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Como trazer pet do Brasil para os EUA: regras do CDC e USDA

Levar o animal de estimação do Brasil para os Estados Unidos deixou de ser uma questão de checklist veterinário básico e passou a exigir planejamento antecipado, com protocolos federais que mudaram substancialmente a partir de 1º de agosto de 2024. As novas regras do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) elevaram o padrão de documentação para cães entrando no país e classificam o Brasil como zona de alto risco para raiva canina, o que ativa exigências adicionais que não constavam em manuais antigos.

Quem regula o quê

A entrada de animais nos EUA envolve três agências federais com competências distintas. O CDC regula cães e gatos sob ótica de saúde pública, com foco em controle de raiva. O United States Department of Agriculture (USDA), por meio do APHIS, regula a sanidade animal de espécies pecuárias e tem jurisdição sobre o Veterinary Health Certificate em alguns trânsitos. O U.S. Customs and Border Protection (CBP) faz a inspeção física no porto de entrada.

Para o trânsito Brasil-EUA, o foco operacional recai sobre as regras do CDC para cães, complementadas pelas exigências da companhia aérea e do estado de destino, já que estados como Havaí mantêm protocolos próprios de quarentena.

Cães: as novas regras do CDC

Desde 1º de agosto de 2024, todo cão entrando nos Estados Unidos precisa cumprir cinco requisitos federais inegociáveis, independente do país de origem. O animal precisa ter pelo menos 6 meses completos de idade no momento do desembarque. Precisa estar identificado por microchip compatível com o padrão ISO 11784/11785, que pode ser lido por scanners universais em portos de entrada. O número do microchip deve ser informado em todos os documentos sanitários, e a implantação precisa ser anterior à vacinação contra raiva.

O tutor precisa preencher o CDC Dog Import Form, formulário online gratuito disponível no portal do CDC. O comprovante gerado é válido por 6 meses e cobre múltiplas entradas no período. O cão precisa parecer saudável na chegada – sintomas visíveis de doença autorizam o oficial do CBP a recusar a entrada ou exigir avaliação veterinária às custas do tutor.

Por o Brasil ser classificado como país de alto risco para raiva canina, exigências adicionais se aplicam. O cão precisa ter vacina antirrábica administrada por veterinário licenciado, com certificado emitido em formulário aceito pelo CDC. Para entrada com vacina antirrábica brasileira, o tutor precisa apresentar resultado de exame sorológico (titulação de anticorpos) feito em laboratório aprovado pelo CDC, com data específica em relação à vacinação. Alternativamente, é possível optar pela rota de revacinação nos EUA, com restrições de porto de entrada.

Gatos: regime mais simples

O CDC não exige vacinação federal contra raiva para gatos entrando nos EUA, embora regras estaduais variem amplamente. Hawaii mantém quarentena própria que pode incluir gatos. O CBP e o USDA exigem que o gato pareça saudável e, dependendo da companhia aérea, atestado de saúde emitido por veterinário recente. Microchip não é obrigatório federalmente para gatos, mas é fortemente recomendado para identificação em caso de extravio durante o transporte.

Algumas companhias aéreas internacionais exigem documentação equivalente à dos cães mesmo para gatos, então a checagem com a transportadora deve ser feita no momento da reserva.

Documentação prática

O Certificado Veterinário Internacional (CVI) emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o documento que a fronteira americana espera ver para confirmar a sanidade do animal. O processo no Brasil envolve consulta com veterinário credenciado, emissão do atestado em modelo internacional, e validação no escritório do MAPA dentro de prazo específico antes do voo (em geral 10 dias).

Adicionalmente, o tutor deve carregar comprovante de microchip com número visível, cartão de vacinação atualizado, resultado de sorologia antirrábica quando exigido, formulário CDC Dog Import válido (impresso ou digital) e ficha de identificação afixada na caixa de transporte.

Companhias aéreas e modalidades de transporte

Há três modalidades comuns: cabine, porão como bagagem despachada ou cargo (frete). Latam, American Airlines, United e Delta operam rotas Brasil-EUA com regras distintas para cada modalidade. O peso do animal somado à caixa define se cabe em cabine – geralmente até 7 a 8 kg para companhias premium. Animais maiores vão obrigatoriamente como bagagem despachada (na mesma reserva do tutor) ou como cargo (reserva separada, processo mais complexo, intermediado por agentes).

Algumas companhias mantêm restrições para raças braquicefálicas – buldogues, pugs, boxers, persas – em razão do risco respiratório em altitude. Outras suspendem transporte em meses de calor extremo. A reserva precisa ser feita com semanas de antecedência, e o número de pets por voo é limitado.

Cronograma realista

O planejamento ideal começa entre 4 e 6 meses antes da viagem. No mês 1, agendar consulta veterinária para avaliação geral, microchipagem (se ainda não houver) e plano de vacinação. No mês 2, aplicar vacina antirrábica e demais imunizações exigidas. No mês 3, coletar amostra para sorologia se a rota exigir. No mês 4, escolher companhia aérea, reservar voo e providenciar caixa de transporte aprovada (padrão IATA). Nas duas semanas anteriores, emitir CVI e validar no MAPA. Na véspera, conferir documentação e familiarizar o animal com a caixa.

Custos típicos

Os custos variam consideravelmente. Microchipagem fica entre 80 e 200 reais. Vacina antirrábica de qualidade internacional, entre 100 e 250 reais. Sorologia em laboratório aprovado pode chegar a 800 reais. Caixa de transporte rígida em padrão IATA varia de 400 a 1.500 reais conforme tamanho. CVI e taxa MAPA somam até 250 reais. O transporte aéreo em si é o maior componente: cabine custa 200 a 400 dólares, porão 400 a 800 dólares, e cargo internacional pode ultrapassar 2.000 dólares para animais grandes.

Erros que provocam recusa na fronteira

Microchip não-ISO ou ilegível é a causa mais comum de problemas. Vacina antirrábica aplicada antes da implantação do microchip invalida o protocolo e exige nova vacinação. CVI vencido no momento do desembarque (mais de 10 dias da emissão) leva à exigência de reavaliação. Falta do CDC Dog Import Form para cães é hoje o erro mais frequente em viagens recentes. Por fim, idade abaixo de 6 meses é barreira absoluta – o cão não embarca, simplesmente.

Para casos atípicos – animais com histórico médico complexo, raças sensíveis, mudança permanente com vários animais – a recomendação é envolver veterinário com experiência em trânsito internacional desde o início e validar a rota junto à companhia aérea antes de fechar passagens. O custo de um erro de documentação não é apenas financeiro: pode significar deixar o animal para trás no país de origem.

Victoria Harper

Editora-Chefe

Conheça o autor

Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.

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