O Green Card continua sendo o principal objetivo de quem deseja construir vida permanente nos Estados Unidos, mas o processo de 2026 é bastante diferente do que era há cinco anos. A reforma de taxas da USCIS de abril de 2024, o retrocesso de várias categorias no Visa Bulletin e os ajustes operacionais pós-pandemia tornaram indispensável entender cada etapa antes de iniciar uma petição. Este guia consolida o que está vigente hoje, sem promessas e com foco em decisões informadas.
O termo oficial é Lawful Permanent Resident Card e o documento garante o direito de viver e trabalhar nos EUA por tempo indeterminado, com renovação a cada dez anos. Ele não substitui a cidadania, mas é o passo prévio quase obrigatório para obtê-la por naturalização.
O que é o Green Card
O Green Card é a evidência física do status de residente permanente concedido pelo governo norte-americano. Diferente de vistos temporários como H-1B, F-1 ou L-1, ele não exige vínculo com um empregador específico nem prazo de retorno. O titular pode estudar, trabalhar para qualquer empresa, abrir negócios e patrocinar familiares imediatos.
Existem, porém, deveres associados. O residente precisa declarar imposto de renda nos EUA sobre renda global, manter o país como domicílio principal e evitar ausências prolongadas que possam ser interpretadas como abandono de residência. Ausências superiores a seis meses já disparam questionamentos na readmissão; acima de um ano, sem o reentry permit, costumam resultar em perda do status.
Principais categorias de elegibilidade
O sistema americano divide a residência permanente em quatro grandes blocos, cada um com subcategorias e cotas anuais distintas. Conhecer a porta de entrada correta é a decisão mais relevante de todo o processo.
Categorias baseadas em família
Familiares imediatos de cidadãos americanos (cônjuges, filhos solteiros menores de 21 anos e pais) não enfrentam fila de cotas, embora o tempo administrativo continue relevante. Já as categorias preferenciais (F1 a F4), que cobrem irmãos, filhos casados e parentes de residentes permanentes, sofrem com filas que, em alguns casos, ultrapassam vinte anos no Visa Bulletin atual.
Categorias baseadas em emprego
O grupo EB concentra cinco subcategorias. A EB-1 atende profissionais de habilidade extraordinária, pesquisadores destacados e executivos multinacionais. A EB-2 abrange portadores de mestrado, doutorado ou habilidade excepcional, incluindo a rota do National Interest Waiver (NIW), que dispensa oferta de emprego e PERM. A EB-3 contempla profissionais qualificados, com diploma de bacharel ou trabalhadores especializados. A EB-4 trata de imigrantes especiais, como religiosos e funcionários de organismos internacionais. A EB-5, reformulada pelo EB-5 Reform and Integrity Act de 2022, exige investimento mínimo de US$ 800 mil em áreas-alvo (TEAs rurais ou de alto desemprego) ou US$ 1,05 milhão em demais regiões, com geração comprovada de dez empregos diretos ou indiretos.
Loteria de diversidade (DV)
O programa Diversity Visa sorteia até 55 mil vagas anuais para nacionais de países com baixa imigração para os EUA. O Brasil tornou-se inelegível em ciclos recentes em razão do volume de aprovações acumuladas, mas a lista é revisada anualmente pelo Department of State. As inscrições para o ano fiscal de 2027 estão previstas para outubro de 2026.
Asilo, refúgio e categorias especiais
Solicitantes de asilo aprovados podem requerer o Green Card após um ano de status concedido. Há ainda visões específicas para vítimas de violência doméstica (VAWA), tráfico humano (visto T) e crimes graves (visto U), com requisitos próprios e prazos diferenciados.
Etapas do processo
Apesar da variação entre categorias, o caminho costuma seguir três blocos. Primeiro, a petição base: I-130 para vínculos familiares, I-140 para emprego, I-526E para EB-5. Em casos com necessidade de teste de mercado, antes da I-140 vem o processo PERM junto ao Department of Labor.
O segundo bloco é a espera pela priority date, controlada pelo Visa Bulletin mensal. Em maio de 2026, EB-2 e EB-3 para nascidos na Índia e na China seguem com retrocesso significativo, enquanto categorias para o restante do mundo, incluindo o Brasil, mantêm-se majoritariamente current ou com filas curtas.
O terceiro bloco é o ajuste de status, via I-485 dentro dos EUA, ou o processamento consular no exterior, gerenciado pelo National Visa Center e finalizado em entrevista no consulado americano. Quem ajusta status nos EUA pode pedir autorização de trabalho (EAD) e permissão de viagem (Advance Parole) durante a espera.
Taxas e prazos atuais
A reforma de taxas da USCIS em vigor desde 1º de abril de 2024 reorganizou os valores e introduziu uma Asylum Program Fee cobrada de empregadores. Os números mudam, mas, como referência indicativa em 2026, a I-130 custa centenas de dólares, a I-140 ultrapassa US$ 700 e a I-485 fica próxima de US$ 1.440 para adultos. Sempre consulte a tabela G-1055 da USCIS antes de pagar.
Os prazos variam por centro de processamento e categoria. Casamentos com cidadão americano costumam fechar entre 10 e 16 meses; processos EB com priority date current giram entre 8 e 14 meses; EB-5 ainda apresenta os prazos mais longos, frequentemente acima de três anos.
Green Card e cidadania
Ter o Green Card não equivale a ser cidadão. O residente permanente não vota em eleições federais, pode perder o status por crimes graves ou ausências prolongadas e precisa renovar o documento periodicamente. A naturalização, pela Form N-400, geralmente exige cinco anos de residência permanente contínua (ou três para cônjuges de cidadãos) e aprovação em prova de inglês e cívica.
Riscos e cuidados
Public Charge, fraude na petição base e omissões na documentação seguem entre os principais motivos de negativa. Manter histórico fiscal, declarar viagens, atualizar endereço junto à USCIS (Form AR-11) e evitar promessas comerciais que prometem aprovação garantida são posturas básicas. Cada caso tem nuances próprias e o processo costuma ser longo, mas alcançável quando planejado com base na regra atual, e não em informações antigas.
Victoria Harper
Editora-Chefe
Como jornalista e editora líder do Visto n’ Visa, Victoria contribui para que os temas de imigração sejam abordados de forma clara, confiável e fácil de entender. Seu foco é oferecer conteúdo útil, humano e relevante para pessoas que exploram novos caminhos no exterior.